José Boto: "Deixei tudo na Ucrânia, não trouxe nada comigo, porque contava regressar agora a Kiev"

Viveu e trabalhou três anos e meio no país do leste da Europa. José Boto, ex-diretor do departamento de prospeção do clube de futebol Shakhtar Donetsk, saiu da Ucrânia no dia 20 de dezembro.

Em entrevista na TSF, José Boto garante que nunca sentiu insegurança enquanto esteve na Ucrânia, apesar de o clube já não ter a sede na região de Donbass, "quando cheguei, o clube já estava sediado em Kiev, e durante estes três anos e meio tenho que ser honesto nunca senti qualquer tipo de insegurança, quer no dia a dia, ou mesmo nas viagens que tivemos que fazer para jogarmos com outros clubes, e a Ucrânia é um país grande, ou seja, tínhamos que viajar muito", sublinhou.

O atual diretor do PAOK de Salónica, na Grécia, explica que enquanto esteve na Ucrânia, ao serviço do Shakhtar Donetsk, nunca ninguém esperou que esta tensão geopolítica ficasse descontrolada, "era qualquer coisa que não afetava e estava longe, era essa a sensação que tínhamos. Que não ia chegar a este ponto. Mas não deixa de ser uma situação complicada para o Shakhtar porque o clube é de Donetsk e havia sempre a esperança de regressar à cidade para estar mais perto dos adeptos".

José Boto revelou nesta entrevista à TSF que deixou todos os seus pertences no apartamento que tem em Kiev, "já sabia que ia mudar de clube, a minha ideia era neste período ir buscar as minhas coisas e visitar as pessoas do clube, os meus amigos, porque não saí a mal, antes pelo contrário. Por isso contava regressar agora, nunca esperando que as coisas tomassem estas proporções", explicou o actual diretor do PAOK.

Mesmo assim, José Boto garante que já se percebia que a Ucrânia estava a ficar um pouco dividida, até pelas línguas que se falam em diferentes zonas do país, "aconteceu-me uma vez em Lviv, já junto da fronteira com a Polónia, num hotel onde estávamos, o porteiro abre-me a porta e eu agradeço em russo, com "spasibo" - obrigado em russo - mas de imediato ele pediu-me para não falar em russo, para agradecer e falar ucraniano. Ou seja, esta coisas já se notavam, com um sentimento muito forte contra a Rússia, depois indiferença noutras zonas e na região de Donbass o sentimento era de mais proximidade com a Rússia, as pessoas nessa região, segundo me contavam, eram mais tolerantes com a comunidade russa, o que não se passava no resto do país", sublinhou o português que viveu três anos na Ucrânia.

José Boto, que também já trabalhou no Benfica, mantém o contacto com os amigos e antigos colegas de trabalho que deixou na cidade de Kiev, no Shakhtar Donetsk. O português garante que, para já, as pessoas vão tentando passar uma mensagem de tranquilidade.

José Boto, ex-diretor do departamento de prospeção do clube de futebol, Shakhtar Donetsk, saiu da Ucrânia no dia 20 de dezembro. Actualmente está na Grécia, como dirigente do PAOK de Salónica.

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