Adepto do Sporting descreve noite da morte de Marco Ficini

O julgamento pela morte de Marco Ficini começou esta terça-feira, com quatro arguidos a serem ouvidos. O principal acusado do homicídio do adepto, Luís Pina, recusou prestar declarações.

Quase três anos depois, começou no Tribunal Criminal de Lisboa, o julgamento do caso da morte do adepto italiano Marco Ficini. Era adepto da Fiorentina, pertencia a uma das claques do clube de Florença, e estava em Lisboa para apoiar o Sporting no dérbi frente ao Benfica. Na noite antes do jogo, conflitos entre elementos da Juventude Leonina e dos No Name Boys, junto ao Estádio da Luz, acabaram no atropelamento mortal do adepto.

Apenas quatro arguidos pediram para prestar depoimento na primeira sessão. Diogo Ferreira, do lado do Benfica, garante que não esteve no local do incidente. Já do lado dos adeptos do Sporting, foram ouvidos três ocupantes de uma das viaturas que se dirigiram na noite dos factos ao Estádio da Luz.

Tiago Santos, um dos ocupantes do veículo, explica que foram lançadas tochas de fumo verde junto ao Estádio da Luz, em resposta a uma provocação dos adeptos do Benfica ainda no Estádio de Alvalade. De acordo com o Ministério Público, que relatou os acontecimentos, um grupo de adeptos do Benfica dirigiu-se às imediações do Estádio José de Alvalade e lançou um artefacto pirotécnico de cor vermelha, o que incitou os adeptos leoninos a seguirem em direção à Luz.

O arguido Tiago Santos explica que saiu do carro na rotunda junto ao estádio do Benfica, e depois de ouvir um carro seguir naquela direção em alta velocidade, voltou para dentro da viatura.

Tiago Santos garante que tentou prestar auxílio a um adepto que corria naquela zona, tendo sido ignorado quando pediu ao adepto para entrar no carro. O arguido afirma ainda que não conhecia Marco Ficini, e que só soube da morte do adepto no dia seguinte.

Luís Pina, acusado pelo Ministério Público do homicídio do adepto, recusou prestar declarações. Luís Pina pertencia à claque No Name Boys, e terá sido o responsável pelo atropelamento do adepto italiano.

Estão a ser julgadas 21 pessoas no processo: nove adeptos do Benfica com ligações à claque No Name Boys e 12 adeptos do Sporting da claque Juventude Leonina. Os arguidos são julgados pelos crimes de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

O julgamento decorre com medidas especiais de segurança: os arguidos ligados à claque do Sporting e do Benfica foram colocados em lados opostos, estando ainda separadas por segurança, a pedido do coletivo de juízes. Durante a fase de instrução elementos das duas claques envolveram-se em confrontos obrigando a uma detenção.

Há quatro arguidos do processo de invasão à Academia de Alcochete que também estão a ser julgados neste processo: Alano Silva, Miguel Ferrão, Ricardo Neves e Valter Semedo. No processo estão ainda a ser ouvidas dez testemunhas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de