La Liga equilibrada? A explicação dos dirigente do Sevilha

Em Lisboa para falar do modelo de gestão do clube, o diretor geral e o presidente do Sevilha FC explicam à TSF as diferenças entre o futebol espanhol e português, e as ameaças que pairam, também, sobre os grandes em Portugal.

No futebol, como na Web Summit, todos os momentos são de urgência. Num clube como o Sevilha, os adeptos olham para a tabela como medida de todas as coisas, a única verdade irrefutável do dia-a-dia desportivo. O Sevilha já esteve em primeiro esta temporada, já desceu do pedestal, já teve resultados dececionantes, mas ainda vive dias de ilusão.

Numa das salas apertadas do espaço de imprensa da cimeira de tecnologia em Lisboa, José Maria Cruz, o diretor geral - CEO, como tem escrito na identificação de cor garrida -, senta-se um pouco num sofá desconfortável para falar de gestão, de gestão no futebol. O presidente do Sevilha, José Castro Carmona, senta-se ao lado, e assiste à conversa. Um momento de reflexão sobre o futebol espanhol, mas sempre com exemplos do futebol português.

Entre primeiro e 13º classificado são apenas cinco os pontos de diferença, enquanto em Portugal, a diferença entre o 1º e o 4º é já - à jornada 10 - de sete pontos. O que explica isto? José Maria Cruz refere que, em parte, a diferença está na forma como são vendidos os direitos de transmissão televisiva dos jogos nas duas ligas.

O Fútbol Clube de Sevilla "mais do que duplicou" a receita proveniente dos direitos de transmissão televisiva depois da decisão do Governo espanhol alterar, por via da lei, a fórmula de comercialização dos direitos da La Liga. Basta olhar para a tabela classificativa para perceber a diferença, ou, num olhar mais aprofundado, para os currículos de alguns dos jogadores que entraram para equipas com orçamentos menores em Espanha.

"O que a centralização permitiu foi que, apesar de Real Madrid e Barcelona continuarem a ser favoritos a vencer quase sempre o campeonato, ou por vezes o Atlético de Madrid, a verdade é que também já não é impossível que um outro clube vença", explica o diretor geral do clube andaluz. Esta diferença, representa, para o Sevilha, uma janela de oportunidade.

E em Portugal, escasseiam as oportunidades. "Se faço a comparação com Portugal por exemplo, o caso do Famalicão, que acho até é um pouco estranho sem centralização", explica José Maria Cruz. O dirigente sorri e olha para o presidente do clube, sentando ali ao lado. Continua depois a explicar o que está a acontecer na La Liga. "O nível médio das equipas subiu, e sobretudo é possível evitar o desaparecimento doloroso de clubes que não podem financiar as atividades", aponta o dirigente.

Para o Sevilha a centralização dos direitos de transmissão em Espanha foi um boa notícia, mas há outras preocupações. Como a reformulação, já anunciada, da Liga dos Campeões. A diferença para Real Madrid, Barcelona ou Atlético pode voltar a subir. "Temos dois grandes receios. Primeiro: que as provas europeias possam fazer baixar o valor pago às ligas internas pelos direitos televisivos. Depois: que as competições internas deixem garantir acesso às provas europeias", explica o andaluz.

Um modelo de negócio parecido com o dos grandes portugueses

"Se existe um modelo de negócio do Sevilha, não diria que seja exclusivo. Podemos dizer que é comparável com o de algumas equipas portuguesas. É parecido com o modelo de FC Porto ou Benfica, na compra de jogadores como ferramenta financeira para continuar a crescer", aponta José Maria Cruz.

"Ter um bom departamento de scout - prospeção - e uma cultura na qual nenhum jogador é imprescindível, uma cultura de continuidade. Perdemos alguns jogadores porque os vendemos a equipas de maior dimensão financeira, mas ainda assim conseguimos bons resultados desportivos não só a nível nacional mas também internacional", lembra o responsável do clube espanhol.

As preocupações expressas pelo dirigente são parecidas com as dos grandes clubes portugueses. Tal como Benfica, Sporting ou FC Porto, a academia do Sevilha produziu nos últimos anos grandes nomes do futebol espanhol. O desafio está em tentar mantê-los por perto.

"Detetar talento é difícil, mas nós temos as ferramentas para isso. Mas mantê-los, perante a pressão de outros clubes, que apresentam propostas aos pais e aos jovens, logo desde jovens, grandes somas de dinheiro. O nosso desafio é conseguir manter os jovens pelo menos até à transição para o futebol sénior, mantendo-os oferecendo-lhes algo mais do que dinheiro", explica o diretor geral do Sevilha, José Maria Cruz.

Lopetegui e um fiel português como capitão

Sentado ao lado do diretor geral, José Castro Carmona, o presidente do Sevilha, tenta explicar qual é o modelo do Sevilha. "Estamos há muitos anos a tentar fazer a mesma coisa: comprar barato e vender caro; mas não é apenas isso. É necessário ter instalações, ter um clube capaz de fazer crescer os jogadores jovens, para que crescem gerando rendimento rendimento económico e desporto; E assim seguir crescendo, continuar a comprar, tentar ter a melhor equipa possível para ir mais longe", explica o presidente do clube.

Julen Lopetegui representa uma aposta consistente. "Estamos muito satisfeitos com Julen Lopetegui, entendemos que é um treinador com muito futuro. Começamos bem a temporada, também porque criamos um plantel forte, fizemos um esforço económico importante para poder aspirar à Liga dos Campeões. Por isso, entendo que estamos no caminho correto".

O treinador conta com um capitão de equipa português, figura de proa, uma voz no balneário. "Daniel Carriço é um profissional extraordinário. E por isso estamos preparados para renovar com ele. É um jogador com grande peso no campo de jogo mas também no vestuário. Sobretudo, é um jogador que sempre deu tudo, inclusive quando esteve lesionado, quando não estava bem, sempre quis jogar. É um profissional íntegro e com o qual estamos contentes."

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