Luís Filipe Vieira detido. Negócios de mais de 100 milhões de euros investigados

O líder do Benfica e o empresário José António Santos foram alvo de buscas esta quarta-feira. A TSF sabe que Vieira não será ouvido esta quarta-feira.

O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, e o empresário José António Santos foram detidos esta quarta-feira para interrogatório, sabe a TSF. O líder encarnado e o empresário conhecido por "O Rei dos Frangos" foram alvo de buscas por suspeitas de crimes de burla qualificada ao fundo de resolução bancária, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O DCIAP refere, em comunicado (veja em baixo na íntegra), que foram detidas, no total, quatro pessoas: "Dois empresários, um agente desportivo e um dirigente desportivo."

As detenções foram efetuadas com o objetivo de "acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas em curso". A TSF sabe que Luís Filipe Vieira está no Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, em Moscavide, onde vai aguardar até ser ouvido, em tribunal, por um juiz, o que acontecerá "previsivelmente no decurso do dia de amanhã", com vista a a aplicar as medidas de coação além do já aplicado termo de identidade e residência. Segundo o jornal O Jogo, o juiz em causa é Carlos Alexandre.

Estão sob investigação "negócios e financiamentos" num valor total superior a 100 milhões de euros, que podem ter dado origem a prejuízos "elevados " para o Estado e algumas sociedades. Os factos, explica o DCIAP, decorreram "essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e são suscetíveis de integrar "a prática, entre outros, de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

De acordo com informação da RTP, a direção do Benfica reúne-se de emergência ainda esta quarta-feira. Por outro lado, a SAD encarnada já está reunida. O Estádio da Luz também foi alvo de buscas, com vários pontos do recinto encarnado encerrados.

O cumprimento dos 45 mandados de busca abrangeu "instalações de sociedades, domicílios, escritórios de advogados e uma instituição bancária" em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Estiveram envolvidos "66 Inspetores Tributários, sendo 25 da Direção de Finanças de Braga, 8 da Direção de Finanças do Porto, 26 da Direção de Finanças de Lisboa e 2 da Direção de Serviços de Investigação da Fraude e de Ações Especiais (DSIFAE), para além de 9 elementos do Núcleo de Informática Forense desta Direção. Participaram ainda 4 magistrados do Ministério Público, 3 Juízes de Instrução Criminal e 74 polícias da PSP, 9 dos quais a exercerem funções no DCIAP". A estes, juntaram-se "ainda 4 magistrados do Ministério Público, 3 Juízes de Instrução Criminal e 74 polícias da PSP, 9 dos quais a exercerem funções no DCIAP".

Segundo avançava o jornal SOL esta manhã, o presidente dos encarnados é também suspeito do crime de abuso de confiança referente a ganhos milionários que obteve na venda de 25% do capital da Benfica SAD a um empresário estrangeiro. A investigação tem origem no processo Monte Branco, a conhecida rede suíça de fraude fiscal e branqueamento de capitais que operava em Portugal e foi desmantelada em 2011.

Esta operação acontece três dias depois de o clube da Luz ter lançado uma nova emissão obrigacionista para arrecadar 35 milhões de euros.

Churrasqueira Rei dos Frangos demarca-se

Já na tarde desta quarta-feira, a cadeia de restaurantes "Rei dos Frangos" veio a público garantir que "em nada tem a ver com o circo metafórico 'do rei dos frangos', nem com nenhuma das pessoas envolvidas".

Em comunicado, a gerência dos restaurantes esclarece que "o Grupo Valouro SGPS, SA. tem como administrador o Sr. José António dos Santos, o tal apelidado de "rei dos frangos" por parte dos órgãos de comunicação", enquanto "um dos gerente da empresa Churrasqueiras Rei dos Frangos, Lda. chama-se João Carlos Paiva Santos".

"Como nota final, até explicamos mais: os nossos gerentes até são simpatizantes do Sporting", concluem os responsáveis pelos restaurantes.

Movimento quer Vieira afastado e eleições antecipadas

No Facebook, o "Servir o Benfica" exige o "afastamento total entre Luís Filipe Vieira e o Sport Lisboa e Benfica". Embora lembre o "direito à presunção de inocência", o movimento defende também a "demissão de todos os elementos dos Órgãos Sociais do Clube", acompanhada da marcação "urgente de eleições antecipadas".

"Não será de forma alguma tolerada uma solução de continuidade personificada em quem, por ser integrante dos Órgãos Sociais, tenha activa ou passivamente pactuado com actos que de acordo com a investigação em curso possam ter lesado o Sport Lisboa e Benfica", conclui a comunicação.

Bruno Costa Carvalho pede eleições antecipadas

O antigo candidato à presidência do SL Benfica, Bruno Costa Carvalho, defende também que a atual direção do clube deixou de ter condições para continuar na liderança.

"A conclusão principal é clara e óbvia para mim: independentemente do grau de culpabilidade de Luís Filipe Vieira - que pode ser nenhum, tem direito a ser presumido inocente -, foi detido. Ninguém imagina que o presidente da Galp ou da EDP, se fossem detidos, no dia seguinte pudessem continuar a ser presidentes dessas empresas", defende Bruno Costa Carvalho, que realça que a Benfica SAD "é uma empresa cotada em bolsa".

"Não há qualquer condição para o presidente do Benfica poder continuar a sê-lo", considera também o antigo candidato, que diz só ver um caminho: "Luís Filipe Vieira e toda a direção sair e haver novas eleições."

Em declarações à TSF, Bruno Costa Carvalho defendeu também que a detenção de Luís Filipe Vieira pode prejudicar gravemente o planeamento da época desportiva encarnada.

António Simões "zangado"

António Simões, histórico do clube encarnado e diretor desportivo na presidência de Vale e Azevedo, recorda na TSF que, quando o antigo líder encarnado foi apanhado pela justiça, aconselhou um dos vice-presidentes da época, no caso José Manuel Capristano, a demitir-se em tempo útil e enquanto não era envolvido no caso.

"Disse-lhe pessoalmente: 'José, vamos embora, sai daqui. Não sejas cúmplice, porque isto ainda vai para a frente'", recorda Simões. José Manuel Capristano "acabou por ser muito prejudicado por ter continuado", apesar de ser "um bom homem e um grande benfiquista".

"Deixou-se entusiasmar de tal forma que foi arrastado para uma situação extremamente desagradável", lamenta o antigo jogador encarnado sobre o episódio vivivo há cerca de 20 anos, assumindo-se "zangado e com dor" face ao que acontece neste momento no Benfica.

Leia o comunicado do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) na íntegra:

"NEGÓCIOS DO FUTEBOL. DILIGÊNCIAS

Ao abrigo do disposto no art.º 86.º, n.º 13, alínea b), do Código de Processo Penal, informa-se:

No âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal cuja investigação se encontra a cargo da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e conta com a estreita colaboração da Polícia de Segurança Pública (PSP), foram cumpridos cerca de 45 mandados de busca, abrangendo instalações de sociedades, domicílios, escritórios de advogados e uma instituição bancária. Estas buscas decorrem nas áreas de Lisboa, Torres Vedras e Braga.

No decurso das diligências foram detidas quatro pessoas, dois empresários, um agente desportivo e um dirigente desportivo. Detenções efetuadas atendendo aos indícios já recolhidos, com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e a prevenir a consumação de atuações suspeitas em curso.

Os detidos serão presentes, previsivelmente no decurso do dia de amanhã, a primeiro interrogatório judicial com vista à aplicação, considerando a gravidade dos crimes e as exigências cautelares, de medidas coação diferentes do termo de identidade e residência.

No processo investigam-se negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades.

Em causa estão factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente e suscetíveis de integrarem a prática, entre outros, de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento.

No cumprimento dos mandados participaram 66 Inspetores Tributários, sendo 25 da Direção de Finanças de Braga, 8 da Direção de Finanças do Porto, 26 da Direção de Finanças de Lisboa e 2 da Direção de Serviços de Investigação da Fraude e de Ações Especiais (DSIFAE), para além de 9 elementos do Núcleo de Informática Forense desta Direção.

Participaram ainda 4 magistrados do Ministério Público, 3 Juízes de Instrução Criminal e 74 polícias da PSP, 9 dos quais a exercerem funções no DCIAP.

O inquérito encontra-se em segredo de justiça."

(Notícia atualizada às 17h29)

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