Luís Filipe Vieira suspenso por 90 dias. Benfica fala em castigo "provocador"

Em causa estão as críticas ao árbitro do encontro entre o Benfica e FC Porto nas meias-finais da Taça da Liga.

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, foi suspenso esta terça-feira por 90 dias pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, confirmou a TSF.

Em causa estão as declarações do presidente encarnados após o jogo contra o FC Porto, em janeiro, a contar para as meias-finais da Taça da Liga.

Os dragões venceram por 3-1. No final do jogo, Vieira contestou a prestação de Fábio Veríssimo, videoárbitro da partida. "Este senhor não deve apitar mais", disse o líder encarnado.

Castigo "perturbador e provocador"

O Benfica já reagiu à suspensão aplicada ao presidente Luís Filipe Vieira, considerando o castigo "provocador". Num longo comunicado, às águias confirmam que irão recorrer de imediato da sanção para o Tribunal Arbitral do Desporto, argumentando que o próprio Conselho de Arbitragem "reconheceu os erros do VAR" na partida com o FC Porto, que ditou o afastamento das águias da Taça da Liga.

Os líderes do campeonato falam ainda numa "óbvia dualidade de critérios", numa comparação a outros processos que envolvem o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques. Nas críticas ao Conselho de Disciplina, o Benfica atira-se ainda ao organismo da FPF, falando de inação perante as declarações do oficial de adeptos dos dragões, que terá dito que tinha "chegado o momento para se fazer justiça pelas próprias mãos".

Leia o comunicado na íntegra

"Confrontados com o castigo inqualificável aplicado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a Luís Filipe Vieira, o Sport Lisboa e Benfica informa:

1. Irá de imediato recorrer desta decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) por considerar totalmente injustificável este castigo, que, recorde-se, surge na sequência de declarações proferidas após o jogo da meia-final da Taça da Liga entre o SL Benfica e o FC Porto e tendo em conta uma arbitragem com erros reconhecidos pelo próprio Conselho de Arbitragem, que levou ao próprio pedido de paragem de atividade por parte do árbitro e VAR daquela partida, perante tamanho escândalo que ocorreu.

2. Denunciamos a óbvia dualidade de critérios desta decisão comparativamente a outros processos, nomeadamente no que se refere a dois recentes processos em que estiveram em causa declarações do Diretor de Comunicação do FCP, que, face a idênticas exposições nos termos legais, foi objeto de diferente apreciação por parte dos relatores daquele órgão.

3. Também denunciamos a permanente omissão de posições do Conselho de Disciplina da FPF face às constantes declarações de responsáveis do FCP como no recente exemplo do Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA) do clube, que considerou que tinha chegado o momento "para se fazer justiça pelas próprias mãos". Reiterando uma postura daquele órgão de fingir que não ouve, lê ou sabe o que é dito nas mais diversas plataformas por responsáveis do nosso clube rival, ao contrário da perseguição oficiosa e constante de toda e qualquer pessoa ligada ao Sport Lisboa e Benfica.

4. Esta decisão, nesta altura, fase decisiva das competições, tem claramente um carácter provocador e perturbador, por parte de um órgão (Conselho de Disciplina) pertencente à Federação Portuguesa de Futebol, completamente desnecessário e ao qual saberemos responder com a serenidade exigível, deixando a garantia a todos os milhões de Sócios, adeptos e simpatizantes do Sport Lisboa e Benfica que nada nem ninguém nos fará desviar do nosso foco, que é a luta pela conquista do Campeonato.

5. O total descontrolo com que o Conselho de Disciplina tem sido dirigido, com peças processuais que recorrem a argumentos absurdos, erróneos e sem qualquer tipo de sustentação, mas, mais grave, com permanente dualidade de critérios, e em que idênticas situações têm decisões contrárias, é o mais nefasto dos contributos para uma entidade que devia pautar a sua conduta pelo mais escrupuloso rigor e não pela ânsia permanente de ter um protagonismo de todo desajustado.

6. Por último, o Sport Lisboa e Benfica remete para posterior reunião dos seus órgãos sociais a eventual tomada de outras posições que se considerem adequadas.

Lisboa, 30 de abril de 2019"

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