Lyon. Apesar da época desportiva menos conseguida, o caminho alternativo merece aplausos...

O Olympique Lyon não vive dias felizes na Liga francesa. A ocupar os lugares baixos da tabela, o clube, actualmente dirigido por Rudy Garcia, viverá, provavelmente, o período mais negro dos últimos vinte anos.

Aliás, poder-se-á dizer que o século XXI é o século dos "Les Gones", que, graças à argúcia e à capacidade de gestão de Jean-Michel Aulas conseguiram passar da mediania para a excelência, ao ponto de serem considerados como um dos clubes melhor administrados da Europa.

Tal, não se aterá, exclusivamente, nos sete títulos conquistados de modo consecutivo entre as temporadas 2001/02 e 2007/08, nem nas meias-finais da Liga dos Campeões alcançadas na temporada de 2009/10, nem nas outras prestações desportivas de realce. O êxito do clube francês vai para além do campo...aliás, esse será o grande mérito do clube, que percebeu não ter como competir com os petrodólares que são injectados nos rivais do Paris Saint-Germain e resolveu encetar um caminho alternativo... e com êxito!

Assim, após o êxito desportivo, a aposta num segundo momento passou por rentabilizar ao máximo os seus activos e, de modo simultâneo, fortalecer a sua estrutura.

Por esta razão, ao invés de investir, para procurar obter, de modo exclusivo, o sucesso desportivo, passou a procurar apresentar balanços que permitissem ao clube olhar para o futuro com solvência e tranquilidade. Por essa razão, é habitual os emblemas mais endinheirados da Europa olharem para a equipa francesa como um local a ter em conta no que tange a reforçar as suas equipas. O defeso deste ano é mais uma prova disso, com o Lyon a realizar 127,5 milhões de euros em transferências, graças às transacções de Ndombéle para o Tottenham por 60 milhões, Mendy para o Real Madrid por 48 milhões e Fekir para o Betis por 19,5. Porém, nos melhores negócios efectuados por Aulas, conhecido por ser um hábil e tenaz negociante, constam nomes como Lacazette, vendido em 2017/18 para o Arsenal por 53 milhões de euros, Tolisso no mesmo ano para o Bayern Munique por 41,5 milhões. Ou então, na época seguinte Mariano para o Real Madrid por 21,5 milhões de euros, Geubbels (com 16 anos!) por 20 milhões de euros para o Monaco ou o argentino Mammana por 16 milhões de euros para os russos do Zenit. Acrescente-se, ainda, que a venda de Karim Benzema para o Real Madrid, na já longínqua temporada de 2009/10, por 35 milhões de euros é, ainda, a quinta venda mais cara da história do clube.

Graças a esta capacidade de comprar bem para vender melhor ou de valorizar ao máximo os pupilos formados nas suas academias, o clube apresenta receitas em vendas que poderão causar inveja na maioria dos emblemas europeus. Deste modo, na presente temporada apresentou uma receita de 133 milhões de euros, sendo que na anterior chegou aos 50 milhões de euros de lucros e na anterior a esta 58 milhões.

Esta filosofia levou a que a equipa francesa se projectasse, estruturadamente, em toda a sua magnitude.

Assim, inaugurou o seu novo estádio, que substituiu o velhinho Gerland, em 2016. Um recinto moderníssimo com lotação para perto de 60 mil adeptos, que no ano subsequente ao da sua inauguração, viu os seus naming rights serem vendidos ao grupo de seguros Groupama, que pagará 21 milhões de euros por um contrato de 3 anos, à razão de 7 milhões por temporada.

O Groupama Stadium é, para além da casa da equipa, um espaço multifuncional, rentabilizado para permitir ao clube receitas, mas, também, para satisfazer as necessidades dos adeptos em particular e da comunidade em geral. Assim, desde jogos de labirinto no seio do estádio, ao arrendamento de espaços para a realização de conferências onde o Lyon ganhou quase 5 milhões de euros na pretérita época, a restaurantes, a escritórios para as empresas poderem criar a sua sede, tudo é realizado em função de um binómio: o lucro em conjunto com a possibilidade de dar a possibilidade à comunidade um conjunto de serviços que sejam uma mais-valia. A título de exemplo, até uma agência de viagens foi criada numa das salas exteriores, para possibilitar, principalmente, que os adeptos organizem as suas viagens para apoiar o emblema da sua paixão, a preços que tenham em consideração esse amor.

Não obstante, para manter a sustentabilidade do emblema a que preside, Aulas resolveu ir mais além. Assim, resolveu admitir um parceiro na sociedade desportiva do clube, vendendo 20% do seu pacote accionário ao grupo chinês IDG por 100 milhões de euros.

O resultado desta política de sustentabilidade merece todos os elogios.

Nos primeiros nove meses da anterior temporada, o Lyon apresentou um lucro record de 223,8 milhões de euros, um aumento de 19% em relação ao exercício da temporada anterior no período homólogo.

A equipa principal é, sempre, alimentada por jogadores provenientes dos escalões de formação ou recrutados por um departamento de scouting atento e conhecedor. As boas condições possibilitadas à equipa masculina de futebol são, também, possibilitadas à feminina, que é, somente, hexacampeã europeia.

Tal factor de atracção fez com que o clube realizasse contratos de patrocínio altamente vantajosos, inclusivamente com a fornecedora de equipamentos, a Adidas, que possibilitou o recebimento de 23,2 milhões de euros.

As receitas extraordinárias realizadas com o novo estádio são outra mais-valias, graças a convenções, concertos e...jogos de rugby!

Com uma administração tão cuidada, alguém poderá questionar uma temporada desportiva menos conseguida, como a presente?

Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)*

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

* Nota do Editor: O autor opta por escrever ao abrigo do anterior acordo ortográfico.

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