Casa renovada para a visita do Benfica
Futebol

"Marquês do Norte" à espera da visita do Benfica

Momento inédito. A única vez que a equipa de Paredes jogou com o Benfica foi para a Taça de Portugal, em 84/85, mas não o fez em casa - teve de ser em Penafiel. Agora é diferente para a formação que milita no Campeonato de Portugal, com um plantel de jogadores da terra, assim como o treinador.

A receção ao Benfica tem como palco a Cidade Desportiva de Paredes, local afastado do centro da cidade, sujeita a recolher obrigatório a partir das 13h00 durante o próximo fim de semana. Desta vez a tradicional festa da Taça não terá público nas bancadas, as ruas estarão desertas, cafés e restaurantes com as portas fechadas.

O mesmo vai acontecer com a Casa do Benfica de Paredes, um autêntico bastião encarnado na região nortenha. "Temos uma dimensão muito grande, somos apelidados, em alturas festivas, como o 'Marquês do Norte', só por isso dá para perceber a nossa grandeza, trabalhamos muito em prol do Benfica, temos um papel importante na vida do clube, é com este cartão-de-visita que Miguel Couto, presidente da Casa do Benfica de Paredes, apresenta este núcleo benfiquista em Paredes.

Os tempos inquietos que se vivem por causa da pandemia, e em particular neste concelho de Paredes que é um dos mais preocupantes, leva a que não seja possível pensar em fazer o que quer que seja, "temos pena, não é possível fazer nada, nem ver o jogo no estádio ou na nossa Casa, cada um tem que fazer a festa em sua casa", lamenta o responsável pela Casa das águias na cidade.

Tem que ser diferente, mas a data não se apaga, "é especial para nós, como benfiquistas e habitantes de Paredes, também faço parte da direção do clube... são dois amores", refere Miguel Couto, que ainda apresenta outro argumento para que os sentimentos estejam divididos: "até o treinador, Eurico Couto, é meu irmão, vai ser difícil estar a torcer por alguém em especial".

A meia dúzia de quilómetros da Casa do Benfica de Paredes, logo à entrada da cidade, a reportagem da TSF seguiu as placas cor de laranja que indicam o caminho para a Cidade Desportiva, onde é notória a azáfama de muitos trabalhadores.

Cuidados especiais com o relvado, que ninguém pisou nas duas últimas semanas, reforço de iluminação, montagem de estruturas de apoio e os últimos acabamentos nos balneários, quase prontos para a estreia este sábado.

Enquanto prepara o plano para um jogo "único", Eurico Pinto Couto, o técnico que lidera a equipa principal do Paredes há sete temporadas, e que viu crescer muitos dos jovens que agora treina, quando também passou pela formação no início da sua carreira como treinador, dá conta que "a motivação extra com que a equipa está vem ajudar na preparação". Mais dificuldade tem tido em lidar com tudo o que rodeia um jogo deste tipo. "Tenho que dizer que não tem sido fácil gerir esta semana, não estamos habituados a este tipo de jogos, nem sequer das solicitações da imprensa, provoca sempre mais ansiedade, mas por outro lado traz mais protagonismo, ficamos a ter uma pequena ideia do que é noutro patamar profissional, o que nos traz muita satisfação... Mas a semana não tem sido complicada de gerir", confessa Eurico Couto.

Sobre a tarefa que a equipa do União Sport Clube de Paredes tem pela frente, Eurico Couto, "espera de um grande Benfica, apesar do momento não ser o melhor, esta equipa nunca está em crise. Tem uma grande equipa e um grande treinador, apresenta muita qualidade, espero um adversário na máxima força e que nos vai criar imensas dificuldades. Tenho muita informação para passar aos meus jogadores, foram muitas horas de análise ao Benfica."

Em relação ao que o Paredes pode fazer nesta eliminatória, "da nossa parte podem contar com uma equipa muito dedicada, organizada, sendo que queremos jogar da mesma forma como vimos fazendo. Sabemos o que queremos, somos uma equipa com capacidade de construção", garante o técnico do Paredes.

Quanto ao que seria uma noite ideal, Eurico Couto é rápido na resposta: "perfeito seria ganhar". No entanto o técnico apresenta outras ideias para que a oportunidade seja positiva, "o que queremos é que nos fiquem a conhecer, por isso a nossa vontade em defrontar uma equipa grande. Estamos demasiadamente esquecidos, nunca atingimos patamares profissionais. O grande objetivo é jogar para saberem quem somos, que os jogadores aproveitem esta oportunidade. Disputar este jogo é já um grande prémio para todos. Espero que a minha equipa saiba aproveitar este momento para se valorizarem. Um momento destes é único e especial".

Casa renovada para a visita do Benfica, um balneário ansioso e um treinador à espera que o momento possa distinguir alguns dos jogadores com que trabalha há vários anos.

Venha a festa da Taça, num estádio sem adeptos e com uma cidade em recolher obrigatório.

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