Marta Paço, a atleta de alta competição cega que é uma estrela no mar

Atleta do Surf Clube de Viana (SCV) regressa em dezembro à competição no Campeonato Mundial de Surf Adaptado, na Califórnia (EUA), após ter conquistado bronze em 2018.

Aluna com boas notas na escola, toca piano e cavaquinho e estuda inglês, mas é no mar que se destaca e se sente plena. A praticar surf de alta competição demonstra que a cegueira não é limitação para ninguém. Tornou-se um exemplo de superação e motivo de inspiração para muitos.

Marta Paço, 16 anos, cega de nascença é atleta do Surf Clube de Viana (SCV), e vai voltar a participar no Campeonato Mundial de Surf Adaptado, que decorrerá em Pismo Beach, na Califórnia (EUA), de 7 a 11 de dezembro. Em 2018 conquistou a medalha de bronze.

A sua vida decorre entre terra, onde se ocupa com estudos no 11º ano, numa escola de música e também na aprendizagem de Inglês, e a praia do Cabedelo em Viana do Castelo, a apanhar ondas (quase todos os dias). "O mar manda em nós. Temos de nos reger pelas marés. Tenho de ser muito flexível com os horários", comenta.

A primeira vez que tomou contacto com o surf foi num evento "Euromeet" de surf adaptado em Viana do Castelo, que juntou várias equipas de Portugal, França e Itália. "Foi super especial porque tinha mais gente de outros países dos surf adaptado que já surfavam e deram-me uma motivação extra", recorda, lembrando também o que sentiu quando pela primeira vez conseguiu ficar de pé numa prancha. "Foi uma sensação muito boa sentir a força da onda, o mar à minha volta, a espuma", diz.

Desde aí nunca mais deixou o surf. Tiago Prieto do SCV é o seu treinador. Em 2018 saltou para a ribalta ao conquistar o 3º lugar numa prova mundial. A história da menina cega que enfrenta o mar sem medo, mediatizou-se. Marta confessa que nunca sonhou com o que lhe está a acontecer.

"Nunca imaginei que isto fosse possível. Nem sequer tinha intenção de competir. Foi uma coisa que foi acontecendo. Começaram a falar-me nas possibilidades, que havia alguns campeonatos em que podia participar e como sou muito competitiva, fui", afirma, referindo que lida com o mediatismo que a envolve "com normalidade".

"Faz parte do processo e do reconhecimento pelo nosso trabalho, mas é algo secundário. O principal é surfar e divertir-me", comenta, reconhecendo que há quem a encare como "um exemplo de superação". "Recebo várias mensagens de pessoas que dizem que se sentem inspiradas a fazer coisas e a seguir com os seus objetivos. Isso é muito importante. Algo que tento sempre promover em todas as minhas aparições públicas, é mostrar às pessoas que é mesmo possível", conta, acrescentando: "Os obstáculos existem, mas são transponíveis". E, sem pruridos, afirma que "a melhor forma de tratar" o indivíduo sem visão é por "cego". "As pessoas acham que é algo muito duro de se dizer, mas é a forma que eu prefiro e a que a maior parte prefere, pelo menos, as que aceitam a cequeira como natural. Não nos ofende, pelo contrário, é algo que faz parte de nós", defende.

Determinada, Marta segue agora para o mar da Califórnia, para enfrentar novos desafios. E se ficar em 1º lugar? "Se tiver que acontecer vai acontecer, mas não é isso que me vai parar. Ainda tenho muita margem de progressão e para poder evoluir", responde.

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