Na perseguição do campeão

O Benfica já olha para baixo, isolado na liderança pela primeira vez neste campeonato, lançando aos seus principais rivais um desafio claro: quem agarrará agora a águia no seu objetivo de manter a hegemonia interna dos últimos anos?

1. BENFICA - RIO AVE (sábado, 18h00)

À nona jornada, o campeão voltou à liderança, pela primeira vez depois de fechar o título 37, goleando o Portimonense (4-0) e voltando a apresentar um futebol (mais) à imagem do Benfica de Lage da época passada.

Os números refletem este "regresso" do campeão, traduzindo-se numa melhoria ofensiva clara relativamente aos últimos jogos: maior número de ocasiões (8), mais remates efetuados (17), mais no alvo (6) e mais remates na área (14). O resultado foi uma vitória tranquila, apesar do Portimonense ter protagonizado a primeira (e a sua única em todo o jogo) oportunidade de golo. E já agora diga-se que o Benfica começou a resolver o problema usando a mesma arma que garantira os três pontos em Tondela (a bola parada), tanto no primeiro como no segundo golos na Luz.

Igualmente fundamental no momento do Benfica é a consistência defensiva, a dimensão em que a equipa mais terá crescido nos últimos meses: apenas três golos sofridos em nove jornadas de campeonato, atingindo uma média de golos por jogo (0.33) ao nível da melhor defesa de sempre das águias na liga, a do Benfica 1990/91, treinado por Eriksson. E como o Benfica sofreu 2 golos perante o Porto na terceira jornada, isso significa que manteve a sua baliza a zeros em 7 dos 9 jogos do campeonato.

Na receção ao Rio Ave perceberemos se as alterações promovidas por Bruno Lage perante o Portimonense, mudando quase meia equipa, foram simples rotação de jogadores ou uma reformulação de fundo. A verdade é que Chiquinho e Vinicius mostraram bom entendimento (um golo a meias) e o ex-Moreirense parece ser até agora o jogador que melhor cumpre o papel de segundo-avançado de que tanto se tem falado. Já Vinicius atingiu os 4 golos na Liga, a uma impressionante cadência de um golo a cada 35 minuto, enquanto Seferovic (2 golos) precisa de 364 minutos para marcar um golo e De Tomás ainda não faturou na Liga.

Quanto ao Rio Ave, de Carlos Carvalhal, lembre-se que já ganhou em Alvalade para a Taça da Liga e fez a vida negra ao Porto em Vila do Conde. Está neste momento com saldo equilibrado na liga, 3 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, e até tem melhor registo forasteiro: 2 vitórias, contra 1 em casa. No entanto, os vilacondenses só venceram 1 dos últimos 6 encontros (no Estádio Nacional, perante o Belenenses SAD). De qualquer forma, o Rio Ave é uma das equipas que melhor joga na liga, e possui um ataque de respeito: Taremi (4 golos), Bruno Moreira (3 golos e 1 assistência), servidos

por dois extremos que atravessam um bom momento: Mané, com 3 assistências, e Nuno Santos, com 1 golo e 2 assistências.

Historicamente, o Rio Ave não tem por hábito incomodar o Benfica na Luz: a última vez que conseguiu evitar a derrota foi em 2005, ou seja, soma 12 derrotas consecutivas no reduto da águia, incluindo 5 goleadas e 40 golos sofridos...

PROBABILIDADES NR: 85% Benfica; 9% empate; 6% Rio Ave

2. TONDELA - SPORTING (Domingo, 17h00)

Tal como se podia dizer em relação ao jogo em Paços de Ferreira, onde o Sporting venceu sem rematar mais ou criar mais ocasiões do que a equipa da casa, este é um jogo importantíssimo para a equipa de Silas. Com 7 pontos de desvantagem para o primeiro, o Benfica, qualquer percalço pode praticamente retirar os leões da luta pelo título. Se o fosso aumentar para 9 ou 10 pontos, com quase um terço do campeonato cumprido, a tarefa leonina torna-se quase impossível, com a agravante de estar já fora da Taça de Portugal e com um pé e meio fora da Taça da Liga (após perder em casa com o Rio Ave).

No entanto, uma coisa é certa: com Silas no comando o Sporting vai já nas 3 vitórias consecutivas na Liga. Mesmo que nos jogos em que venceu (nas Aves e em Paços de Ferreira, e em casa perante o Vitória de Guimarães), não tenha convencido nem criado mais situações de golo do que os seus adversários, a verdade é que somou 9 pontos que mantêm o leão na luta pelos primeiros lugares, ocupando a quarta posição da geral.

Na quinta-feira, em Paços de Ferreira, regressou à ribalta Bruno Fernandes (que não estivera em qualquer dos 3 golos marcados ao Vitória minhoto, algo inédito nesta temporada), com um golo e uma assistência. Fernandes alcança assim o seu quinto golo e a sua quinta assistência na liga, assumindo-se como o jogador mais influente da prova (deixando para trás Fábio Martins e Pizzi).

Em Tondela, o Sporting e o seu omnipresente "capitão" terão pela frente uma equipa que está tranquila na classificação - é 7º classificado à 10ª jornada, depois de ter vencido nas Aves (ronda anterior) e ter vendido cara a derrota perante o campeão na 8ª jornada. E na história recente, o Tondela tem sido incómodo para o Sporting: venceu em casa os leões na época passada (criando as primeiras dúvidas sobre Marcel Keizer) e empatou 3 vezes em Alvalade nos últimos anos.

PROBABILIDADES NR: 12% Tondela / 20 % empate / 68% Sporting

3. PORTO - AVES (Domingo, 20h00)

O Porto ainda estará a lamber as feridas da desilusão madeirense da passada quarta-feira. O empate no Funchal, frente ao Marítimo, significou a interrupção de uma sequência de sete vitórias seguidas no campeonato, e a perda de 2 pontos que custaram a liderança.

Ora, é muito provável que seja o Aves a pagar a fatura. Primeiro, porque o conjunto agora treinado por Leandro Pires, é o último da classificação, tendo perdido os cinco jogos que disputou na condição de visitante (incluindo duas goleadas por 1-5), seguindo com apenas 3 pontos, conquistados à 2ª jornada, pelo que soma 7 derrotas consecutivas no campeonato, com 23 golos sofridos. Segundo, porque o Aves nunca somou qualquer ponto no reduto do Porto na sua história: 7 jogos, 7 derrotas (incluindo 4 goleadas), 24-1 em golos. E finalmente, porque o Porto tem sido implacável em casa no campeonato: 4 jogos, 4 vitórias (12-0 em golos). Se tivermos em conta, a época passada, a sequência vai já nos 9 jogos consecutivos a ganhar no Dragão para a Liga (num total de 18 vitórias em 19 jogos caseiros na prova).

Aquilo que preocupará mais os adeptos do Porto, neste momento, será a dificuldade que a sua equipa demonstra em fazer dois bons jogos seguidos. À boa exibição face ao Famalicão (3-0, com 10 ocasiões claras de golo dos portistas), sucedeu-se o tropeção na Madeira, com pouca capacidade de criar ocasiões de golo (praticamente limitadas às situações de bola parada, quase sempre através do jogo aéreo).

Aliás, todos sabemos que este Porto tem nas bolas paradas ofensivas uma arma fundamental, mas às vezes a arma parece quase uma dependência: 10 dos 20 golos portistas no campeonato surgiram na sequência de lances de bola parada, incluindo 5 cantos. E neste sentido, deve dizer-se que a equipa perde muito com a ausência de Alex Telles, batedor de excelência nestas jogadas. Uma realidade visível no jogo da Madeira, em que o Porto criou a maioria das oportunidades (e marcou) apenas depois da entrada do brasileiro, aos 80 minutos.

A propósito, deve dizer-se que o campeonato português está a ser dominado, mais do que nunca, pelos golos de bola parada, praticamente na casa dos 50% do número total de golos da prova.

Para terminar, apenas uma nota: este Porto parece estar de novo a demonstrar dificuldades nas deslocações a casa de equipas que lutam para não descer: perdeu já cinco pontos assim, em cinco jogos fora (Barcelos e Funchal), podendo muito bem começar a ver o Benfica distanciar-se no primeiro lugar, já que as águias costumam ser especialmente competentes neste tipo de jogos.

PROBABILIDADES NR: 90% Porto / 8% empate / 2% Aves

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