Na Suécia há um clube que é um gigante da formação e é treinado por portugueses

Gonçalo Pereira treina o Brommapojkarna, o maior clube de formação da Europa, que acabou de chegar à primeira divisão sueca. É o convidado desta semana da rubrica "Treinadores portugueses pelo mundo".

Quando recebeu a chamada da TSF, Gonçalo Pereira estava a caminho da Segurança Social. Acabado de chegar à Suécia, o treinador português está a tratar da papelada para poder trabalhar no país. Após passagens pela escolas do Sporting, Benfica, Manchester United, Estoril, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e Sacavenense, Gonçalo Pereira decidiu aventurar-se no estrangeiro, começando pela Noruega.

Esteve quase dois anos no Kongsvinger, onde conseguiu levar a equipa, logo no primeiro ano, para a segunda divisão. No ano seguinte falhou nova subida apenas no playoff, mas saltou para a ribalta, juntamente com Luís Pimenta, treinador principal da equipa, e Hélio Pinto, depois de chegarem à final da Taça, que perderiam para o Rosenborg. Após este trabalho, surgiu um convite vindo da Suécia, do Brommapojkarna. "As coisas na Noruega correram bastante bem, melhor do que o esperado talvez e surgiu este convite que aceitámos e decidimos dar o passo em frente porque é muito bom desportivamente e para as nossas carreiras."

E como é que se pronuncia o nome do clube? "Broma-poi-karna. É o maior clube da Europa em termos de número de equipas e equipas de formação. É um clube com 4 mil atletas na formação e 250 equipas. Temos um projeto para tentar estabelecer a equipa na primeira divisão sueca e para tentar potenciar os valores que vêm da formação para tentar colocar os jogadores nos melhores clubes da Europa, mas que passem antes pela equipa principal."

Para lidar com uma estrutura desta envergadura, Gonçalo explica que são poucas as equipas do clube que utilizam o estádio. "A ala profissional trabalha no estádio, com escritórios por baixo da bancada, mas a maioria das equipas nem chega a passar pelo estádio. Há tantos campos espalhados por Estocolmo que pertencem ao clube que só mesmo nós, os sub-21, juniores e a equipa feminina frequentam o estádio."

Quanto à ideia que temos dos nórdicos, de serem um povo frio, numa zona da Europa já de si gelada, Gonçalo Pereira explica as diferenças, e conta a sorte que tem neste aspeto, pela profissão que escolheu. "A temperatura é muito melhor do que na Noruega. Estocolmo está perto do mar, então é melhor. Os nórdicos são um povo frio, mas acabo por não sentir isso tanto na pele pela posição que desempenhei nos clubes. Há sempre alguma curiosidade das pessoas que passam na rua, sentimos esse carinho e calor humano, que outras pessoas não sentem porque não têm visibilidade naquilo que fazem. Aqui na Suécia ainda não sou abordado, mas na Noruega sim. Aqui a competição ainda não aconteceu."

E não é por trabalhar na Noruega que este treinador português tem uma vida de rei, porque o futebol nos países nórdicos não é como em Portugal. "Eu só posso dar o meu exemplo. Ganho o suficiente para viver e pouco mais. A vida não é cor de rosa. Trabalhamos mais, não temos fins de semana, dias de folga contam-se pelos dedos das mãos. O futebol nórdico não tem tanto poder económico como tem o futebol português. Na Suécia um pouco mais agora, mas quando cheguei à Noruega o futebol nem sequer era o desporto rei. Em termos profissionais foi muito bom, mas o que me deu mais foi o desenvolvimento pessoal, de conhecer outra cultura, outras pessoas."

Com uma vida regrada, em que todas as folgas eram aproveitadas para ir a Portugal, Gonçalo Pereira diz que a única aventura era ir a pé para o trabalho na Noruega, com -25 graus. "Sempre com muita roupa, mas até o ranho congela dentro do nariz."

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