Nadador de Myanmar decide não ir aos jogos olímpicos Tóquio2020 para protestar contra regime

O nadador considera que não participar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020 é uma forma de se associar ao vasto movimento de desobediência civil que exige o regresso da democracia, e que tem praticamente paralisado o país.

O nadador Win Htet Oo, de Myanmar (antiga Birmânia), decidiu não participar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020 como forma de protesto contra o regime militar que governa o país, que classificou como "assassino".

Win Htet Oo entende que a sua presença na competição pode ser vista "como uma propaganda" para a atual junta militar que lidera o país, desde que os militares derrubaram o governo eleito de Aung San Suu Kyi, a 1 de fevereiro passado.

"Nas cerimónias olímpicas não andarei com uma bandeira encharcada com o sangue do meu povo", referiu o nadador na rede social Facebook, acrescentando: "Aceitar a atual administração do comité olímpico nacional é reconhecer a legitimidade de um regime assassino."

O nadador considera que não participar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020 é uma forma de se associar ao vasto movimento de desobediência civil que exige o regresso da democracia, e que tem praticamente paralisado o país.

"Quero mostrar que os atletas também podem participar no movimento de desobediência", disse o atleta, à agência noticiosa AFP, em Melbourne, na Austrália, onde reside.

"Imaginar-me a caminhar sorridente atrás da minha bandeira, fingindo que está tudo bem no país, francamente enojou-me. Seria uma manobra de propaganda", disse.

Em março, Win Htet Oo pediu ao Comité Olímpico Internacional (COI) para competir como atleta independente, mas viu o seu pedido ser recusado.

Em 01 de fevereiro, os militares tomaram o poder à força, contestando a vitória do partido de Aung Sang Suu Kyi nas eleições de novembro de 2020 e alegando irregularidades no processo eleitoral.

Desde o golpe de estado que os birmaneses têm organizado protestos diários em todo o país contra os militares e para exigir a libertação dos mais de 3.000 detidos pela Junta, incluindo a líder governamental deposta, Suu Kyi.

De acordo com a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP), pelo menos 748 pessoas foram mortas pela repressão da junta militar.

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