"Não há melhor medalha do que seres aclamado pelo teu estilo"

Hendrik Johannes Cruijff nasceu na bela cidade de Amesterdão, a 25 de Abril de 1947. Aos 10 anos de idade, após um olheiro do Ajax ter notado a qualidade do pequeno Cruyff nos jogos com os amigos do bairro, é-lhe oferecido um lugar na formação do Ajax sem precisar de ir às captações. Aos 17 anos estreia-se na equipa principal, tendo marcado o único golo da sua equipa na derrota por 3-1. Nesse ano, o Ajax terminou o campeonato na décima terceira posição, a mais baixa de sempre do clube desde a fundação do futebol profissional.

Em 1965, o Ajax contratou para treinador Rinus Michels, que como jogador conheceu apenas a camisola do clube de Amesterdão. A partir dessa época Cruyff passou a ser escolha regular no 11 e é aqui que começa a era mais gloriosa do Ajax que culminou com a conquista de 3 Taças dos Clubes Campeões Europeus consecutivas no início da década de 70, era essa marcada pelo Futebol Total, do qual Cruyff foi o seu expoente máximo.

Após a glória máxima na Europa, Cruyff muda-se para a Cidade Condal para representar o Barcelona, que era treinado por Rinus Michels desde 1971. Pela transferência, o gigante catalão pagou 2 milhões de dólares, uma verba absolutamente astronómica para aquele tempo.

Na sua primeira época de "blaugrana", em 1973-1974, Cruyff haveria de resgatar o título para a cidade de Gaudi, após 14 anos de seca. Para a história fica ainda a goleada imposta ao Real Madrid por 5-0, em pleno Santiago Bernabéu.

Rinus Michels seria contratado pela federação holandesa para o Mundial da Alemanha em 1974, onde Cruyff seria mais uma vez o actor principal. Após eliminar a Argentina e o Brasil, campeão mundial em título, a Laranja Mecânica marcou encontro na final de Munique com a anfitriã, a República Federal Alemã. A partida não poderia começar melhor para a Holanda, que se adiantou no marcador aos 2 minutos, contudo os alemães deram a volta e arrebataram o ceptro mundial. No que diz respeito a mundiais seria o canto do cisne de Cruyff, que não participou no Mundial de 78, disputado no país das Pampas.

Em 1978, Cruyff pensou abandonar o futebol, contudo uma série de maus investimentos fizeram com que perdesse a maior parte da sua fortuna, e mudou-se para os Estados Unidos da América, onde assinou contratos lucrativos. Em 1980 voltou ao seu Ajax, onde venceu ainda um bi-campeonato, antes de fazer a sua última época no rival Feyenoord de Roterdão. Isto aconteceu porque no final da época de 1982/1983, o Ajax decidiu não renovar com o jogador de 36 anos. Irado, Cruyff assinou com o rival de Roterdão para fazer a última época da sua carreira. Ganhou a dobradinha...

Senhor de uma carreira absolutamente notável, Cruyff já tinha conquistado o direito a figurar lado a lado com os melhores de sempre. Mas a História haveria de continuar a ser escrita.

Em 1985, volta ao seu clube de menino para seguir os passos do seu mentor Rinus Michels. No comando do Ajax, Cruyff vence 2 Taças da Holanda, uma Taça das Taças e implementou o seu sistema favorito no clube, um 4-3-3 muito móvel em losango, que seria a base da conquista da Liga dos Campeões uma década mais tarde.

Em 1988, Johan volta onde foi feliz, à capital da Catalunha, Barcelona. Contudo o desafio adivinhava-se hercúleo. O Barça estava endividado, em crise e nos últimos 25 anos contava com 2 campeonatos no palmarés. Cruyff, qual toque de Midas, mudou completamente o paradigma do gigante catalão. Na primeira época vence a Taça das Taças, na segunda época a Taça do Rei e depois arranca para um fabuloso tetra campeonato, conquistando pelo meio a primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus do colosso catalão.

A influência de Cruyff estendia-se ainda a La Masia, a casa do futebol jovem do Barcelona. O holandês conseguiu convencer o clube a treinar as camadas jovens da mesma maneira que treina o plantel principal, de modo a favorecer a entrada dos jovens na primeira equipa. Convenceu ainda os responsáveis do clube a favorecer as virtudes técnicas dos jovens em relação ao físico.

Cruyff foi alguém muito mais avançado em relação ao seu tempo. O modo como interpretava o jogo, as suas ideias e a sua filosofia tornam o seu legado eterno. Jogador, treinador e pensador, é uma referência da escola do Ajax e da escola holandesa, e por outro lado foi o grande impulsionador da explosão do Barça na Europa e no Mundo. Tal como ele foi um discípulo de Rinus Michels, também Cruyff tem um aluno, Pep Guardiola. Tendo bebido da sabedoria do mestre, Pep criou um grande Barça que deixou Johan certamente orgulhoso. Grande Barça esse, que é a base da Espanha campeã mundial e europeia.

Tendo sido um dos melhores jogadores e um dos melhores treinadores de sempre, aliado ao legado que deixa, talvez não seja descabido afirmar que Cruyff é a maior personalidade futebolística da História.

Miguel Batista (A Economia do Golo)

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

* Nota do Editor: O autor opta por escrever ao abrigo do anterior acordo ortográfico.

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