Clube náutico
Tempestade Leslie

Naval Remo da Figueira da Foz: a "fénix renascida" dos escombros da tempestade

Dois anos depois de ter sido completamente arrasado pela tempestade Leslie, o posto náutico da Naval Remo na Figueira da Foz, junto ao leito do rio Mondego, foi reconstruído e ampliado, mas por causa da pandemia continua ainda por inaugurar.

Construído de raiz, há de novo um hangar, balneários e um espaço de treino em terra, que continua praticamente vazio porque a maior parte dos atletas está em casa.

O custo total de reconstrução foi de 165 mil euros, dos quais 135 mil vieram do fundo de apoio criado para cobrir os estragos da passagem da tempestade Leslie e 30 mil euros de capitais próprios do clube, conseguidos com "o esforço das famílias e da direção do clube".

As instalações estão a ser utilizadas apenas pelos atletas que estão a tentar o acesso à seleção nacional. Nelson Silva, o presidente da Naval Remo, diz que o clube aproveitou o momento para mudar também o logótipo para uma fénix renascida. "Fruto do que passámos ao longo do tempo, pois caímos várias vezes e renascemos sempre das cinzas", afirma.

A Naval Remo da Figueira da Foz renasceu dos escombros em que a tempestade Leslie deixou as instalações há pouco mais de dois anos e de uma temporada "nada fácil que foi quase como a travessia do deserto", dando como exemplo as deslocações para Montemor-o-Velho, sempre que os atletas precisavam de treinar na água. Agora que as instalações estão reconstruídas e aptas para utilizar, o edifício não foi sequer inaugurado por causa do contexto de pandemia. "Já temos a placa e agora nem sabemos que data lá havemos de meter, mas seria um marco para nós porque é um motivo de orgulho do nosso esforço", diz.

Com a pandemia, as portas estão apenas entreabertas e o clube está a remar a meio gás. "Só estamos a ir para a água em skiff, que são barcos de apenas um remador, mas mesmo internamente tomámos medidas muito restritivas". E mesmo pouco abertas, estão, "graças a uma exceção da lei que permite praticar desporto ao ar livre e de forma individual", o que não impediu o clube de tomar "medidas muito apertadas" para salvaguardar o bem-estar e a saúde de todos.

Para continuar com os treinos, mantendo o espírito de equipa e a ligação ao clube, foi criada uma estratégia tripartida: "Temos atletas que vêm aqui regularmente porque estão num trajeto de acesso à seleção nacional, temos outros atletas que vão fazendo os treinos, acima de tudo, em casa, e temos os atletas das camadas jovens que fazem os treinos online", explica. Nelson Silva acrescenta ainda que têm mantido o número de atletas e que não tem havido desistências, mas reconhece que "é muito difícil". "Se estivermos muito tempo assim, a tendência é afastarem-se, e isso pode acontecer", alerta.

Nesta fase, o foco está em manter os atletas que o clube já tinha, uma vez que captar novos talentos é complicado. "Gostaríamos, mas sabemos que é muito difícil. Eu sendo pai, também não iria de ânimo leve colocar um filho a treinar num clube numa altura de pandemia e de confinamento", refere.

Para o treinador José Canhola, motivar os atletas tem sido o maior desafio. "Como é que vamos mantê-los a treinar, sabendo que as competições estão suspensas, mas que podemos começar a competir de um momento para o outro e eles têm de estar minimamente preparados?", questiona. O treinador refere também que a motivação está mais fácil para aqueles que estão a treinar para tentar fazer parte da equipa da seleção nacional. "Como têm testes periódicos que têm de prestar à federação, estes têm a sua própria motivação, o querer vestir o maillot de Portugal", garante.

Desde a tempestade Leslie que a Naval Remo da Figueira da Foz não consegue funcionar em pleno. Primeiro, porque, em outubro de 2018, ficou com as instalações por terra completamente destruídas, depois, porque as cheias do ano seguinte submergiram as suas embarcações em Montemor-o-Velho. E, agora, com novas instalações, a pandemia não permite que os atletas usufruam delas na totalidade para treinar.

A secção de Remo da Associação Naval 1º de Maio surgiu em 1893. A Associação Desportiva Naval Remo (ADNR), ex-Núcleo de Antigos Remadores da Associação Naval 1º de Maio, foi constituída em 17 de março de 2017. Atualmente tem 122 sócios, dos quais 88 são praticantes, entre eles 46 federados.

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