Nelson Évora sai triste e sentido com lesão na despedida olímpica

O já campeão olímpico em 2008 foi operado ao joelho esquerdo há três meses. Nelson Évora não foi além de 15,39 e dois saltos nulos, falhando a qualificação para a final.

Nelson Évora admitiu sair triste dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, "um bocado sentido", por se ter lesionado no primeiro salto do concurso do triplo, que venceu em Pequim 2008.

"Foi um bocado sentido, não esperava que fosse saltar a virilha no primeiro ensaio, nem tive tempo de saltar. Estas coisas acontecem. Saio triste, mas de cabeça erguida", frisou Nelson Évora, em declarações aos jornalistas, ainda no Estádio Olímpico.

Aos 37 anos, e três meses depois de ter sido operado ao joelho esquerdo, Nelson Évora não foi além de 15,39 e dois saltos nulos, falhando a qualificação para a final, reservada para quem saltou pelo menos 17,05 metros ou para os 12 melhores.

"Eu tentei saltar pelos portugueses, muita gente esteve a acompanhar e me acompanha. Aguentei as dores. Tentei, na vida temos de lutar até ao fim. Tentei até ao fim, infelizmente o corpo não permitiu. Estou cheio de dores", explicou.

Depois do ouro em Pequim 2008, do sexto lugar no Rio 2016 e do 40.º posto em Atenas 2004, Évora encerrou o seu capítulo olímpico com o 27.º e último lugar no concurso, mas nunca pensou desistir, porque "um dia com dores não é nada".

"A vida é mesmo assim, temos que... Parar porquê? Há que tentar, eu tentei. Fi-lo pensando em todos os que me acompanham e acreditam em mim. Mesmo os que não acreditavam acho que a mensagem está lá", sublinhou.

Enquanto descrevia a emoção sentida após o primeiro salto, que o levaram às lágrimas ainda no tartã nipónico, não conseguia esconder a tristeza: "Foi a dor de dececionar quem me acompanha. Por isso chorei. [e volta a chorar frente aos jornalistas] Queria fazê-lo bem, não pude, e lamento, mas...".

"Por incrível que pareça, o joelho [esquerdo, ao qual foi operado ao menisco] respondeu bem. A virilha é que me apanhou desprevenido, fiz muito bons treinos nos últimos dias. Fisicamente estou bem neste momento, não esperava", lamentou.

Feita a despedida dos palcos olímpicos, retirando Paris 2024 do horizonte, mas sem colocar a hipótese de terminar a carreira, o campeão do mundo, em 2007, e da Europa em pista coberta, em 2015 e 2017, e ao ar livre, em 2018, quer voltar a 'voar' mas ainda não escolheu o 'palco'.

"Tenho de fazer um bom período de recuperação. Lesionei-me em março e não estive na pista coberta, tive de recuperar super-rápido, queimar muitas etapas. Tenho de respeitar o meu corpo, dar-lhe o devido descanso, regenerar bem. Sinto-me capaz e estava bem, não esperava era que a virilha me fosse saltar naquele momento. Senti-me frustrado, mas agora o que me compete é recuperar-me bem e começar a próxima temporada com calma, tentar fazer o melhor de mim nas próximas competições, e dignificar a nossa camisola", concluiu.

No concurso do triplo salto, além de Évora, participaram ainda os portugueses Pedro Pablo Pichardo, que assegurou o primeiro lugar da qualificação, com 17,71, e Tiago Pereira, que não foi além do 16.º lugar, com 16,71, a 12 centímetros do último repescado.

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