"Nem ele vai tirar uma selfie comigo, nem eu com ele"

Na visita de seis dias que o Presidente da República cumpre à China, estava marcado um encontro com Vítor Pereira, treinador do Xangai. Mas o calendário da Taça chinesa trocou as voltas aos dois.

Se houvesse um campeonato nacional de popularidade, seria bastante provável que dois nomes surgissem para disputar o título: o de Marcelo Rebelo de Sousa, evidentemente, mas também o de Vítor Pereira.

Antes de chegar à China, o treinador português já tinha no currículo dois campeonatos nacionais pelo Futebol Clube do Porto, uma supertaça Cândido Oliveira, um campeonato e uma taça da Grécia. Mas foi na China, mais propriamente em Xangai, que Vítor Pereira atingiu níveis de popularidade nunca antes vistos.

Neste caso, talvez o tamanho importe. Num dos maiores e mais populosos países do mundo, o treinador português conseguiu que os chineses lhe decorassem o nome e que os adeptos do Xangai o idolatrassem, o que, convenhamos, não é para qualquer um. Mas foi assim com Vítor Pereira, que no primeiro ano aos comandos do clube venceu o campeonato e a taça da China.

Por tudo isto, ou "apenas" porque se trata de mais um português que está a fazer sucesso fora de portas, Marcelo Rebelo de Sousa tinha colocado na agenda desta viagem a oriente, um encontro com Vítor Pereira. Nas 24 horas que passa em Xangai, chegou a estar prevista uma visita ao estádio onde treina o português e um encontro, que daria seguramente uma bela oportunidade para mais uma selfie.

"Nem ele vai poder tirar selfie comigo nem eu com ele", lamenta Vítor Pereira à TSF, admitindo, ao mesmo tempo, que caso o encontro se desse, "seria eu a pedir para tirar uma selfie com ele porque o admiro como Presidente e como pessoa". O treinador recusa, no entanto, qualquer comparação ao nível da popularidade: "Nem de longe nem de perto", atira assertivo Vítor Pereira, reconhecendo que "o nosso Presidente é muito mais conhecido", sobretudo, lembra, porque Marcelo "é conhecido em Portugal por toda a gente, e a China é um país enorme. O futebol é uma parte pequenina na China. Acredito que as pessoas que estão ligadas ao futebol me conheçam, mas longe da popularidade do nosso Presidente".

"Viver em Portugal, trabalhar no estrangeiro"

O calendário da taça da China driblou, literalmente, os planos de Marcelo e de Vítor Pereira para se encontrarem. No dia em que o Presidente da República está em Xangai, o clube tem jogo fora e, assim, o encontro já não pode acontecer. À TSF o treinador português lamenta, até porque "seria a primeira vez que teria a oportunidade de estar com o nosso Presidente".

Honrado, ainda assim, com o convite, Vítor Pereira sublinha que "é bom, quando trabalhamos fora, sentirmos que os portugueses e que o nosso Presidente também tem conhecimento disso".

As saudades de Portugal confessam-se e explicam-se facilmente: "Fundamentalmente do que sinto mais falta é da família, dos amigos, dos lugares, da comida", conta o treinador, que também tem saudades do futebol nacional e europeu, sobretudo "da liga dos campeões e dos grandes dérbis".

Mas se a saudade faz parte do estado de espírito de qualquer emigrante, o pragmatismo consegue ser igualmente importante: "Eu, em jeito de brincadeira, costumo dizer que Portugal é para viver, o estrangeiro é para trabalhar e ter o retorno financeiro que valha a pena".

A viver há dois anos na China, Vítor Pereira aponta as oportunidades deste país com "uma economia que cresceu muito nos últimos anos" e um país "com um potencial enorme para os portugueses explorarem".

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