Reportagem TSF. No deserto do Catar há outro campeonato: o dos camelos
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Reportagem TSF. No deserto do Catar há outro campeonato: o dos camelos

Todos os dias os jogadores de Portugal treinam a cinco quilómetros de uma pista de corrida de camelos, uma das maiores atrações do Catar.

É longa a fila de carros. Há uma placa de aviso que indica que só carros SUV podem passar. À direita, há uma longa pista de terra, paralela à estrada onde estamos. Por lá, os camelos vão caminhando em diante, guiados pelos treinadores. Mais à frente, atravessam o quente asfalto à frente dos carros e reúnem-se numa zona larga, num descampado todo em terra.

Há centenas de camelos. Com eles, estão os treinadores a prepará-los para as corridas. Cada camelo, só faz uma corrida por dia. Uma corrida de seis quilómetros, sendo que os animais são divididos por categorias, desde o peso às idades.

Perto de um dos camelos, está Umar, um dos treinadores. Ele não domina o inglês, mas tenta explicar como são preparados para as corridas: "Fazem exercício. Andam entre uma a duas horas e depois também correm um pouco. Têm também de comer e descansar. É quase como um jogador de futebol", atira este árabe, não estivéssemos a cinco quilómetros do centro de treinos do Al Shahaniya, onde trabalham todos os dias os jogadores da seleção portuguesa de futebol.

Agora, os camelos estão precisamente a descansar. Estamos no meio deles... Estão quase todos sentados. É uma das partes importantes da preparação. Preparação que começa desde bem cedo, ainda antes de nascer o sol. As corridas acontecem todos os dias, até ao final da tarde e são interrompidas caso as temperaturas sejam muito altas.

Antes de seguirem para a pista, cada treinador, com um spray, marca o camelo com um número na zona do pescoço. Em cima de cada um, é colocado um jockey robot, que simula as orientações de jockeys humanos. Isto permite aos treinadores incitá-los, à distância, com um comando, que controla o robot. O jockey dá umas palmadinhas nas costas do animal, de forma a guiá-lo durante a corrida, mas também para a evitar que os camelos tenham de correr com um homem às costas, algo que acontecia antigamente.

A corrida vai começar

Os treinadores posicionam os camelos no início da pista de terra, atrás de uma cancela. É dada a ordem de partida. A cancela ergue-se. Os camelos correm desalmadamente ao longo da pista. Estão centenas de pessoas, que vão acompanhando o relato difundido em vários altifalantes colocados ao longo da pista.

As corridas funcionam em sistema de campeonato e têm prémios milionários. Não há apostas, pois são proibidas no Catar. Paralelas à pista onde correm os camelos, há duas estradas que se enchem de automóveis. O dono de cada camelo acompanha, às buzinadelas, o percurso de cada um.

Estamos dentro de um desses carros, nos bancos de trás. Nos bancos da frente estão os cataris a ouvir o relato e a comunicar com o treinador do camelo. Através de walkie talkies, falam com o treinador do camelo para que ele use da melhor forma o jockey robot.

Na chegada à meta, o camelo deles não ganhou, mas é fácil perceber quem venceu. Há uma criança de braços no ar, aos berros, debruçada da janela de outro carro.

Está a celebrar uma saborosa vitória do camelo mais rápido naqueles seis quilómetros.

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