"Nunca me passou pela cabeça que houvesse uma invasão à Academia", diz segurança

Prossegue o julgamento do processo do ataque à Academia de futebol do Sporting, em Alcochete, com 44 arguidos, entre os quais o ex-presidente Bruno de Carvalho.

O responsável de segurança da Academia de Alcochete à época do ataque, Ricardo Gonçalves, garante que nunca equacionou a hipótese de uma invasão quando foi informado da visita da claque. As declarações foram prestadas esta manhã, durante o julgamento da invasão à academia leonina, que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

No testemunho de arranque do oitavo dia de julgamento, o segurança Ricardo Gonçalves admitiu que foi alertado pelo oficial de ligação com os adeptos Bruno Jacinto, cerca de "10 a 12 minutos" antes da chegada dos adeptos à academia.

"Nunca me passou pela cabeça que pudesse haver uma invasão", assegurou, perante o tribunal.

O antigo coordenador de segurança da Academia de Alcochete já tinha sido inquirido na segunda-feira, quando admitiu ter-se esquecido de alguns "detalhes", durante a fase de inquérito. Ricardo Gonçalves identifica agora mais agressões e agressores e um telefonema do arguido Bruno Jacinto, dos quais não tinha falado anteriormente.

O responsável de segurança relatou ameaças de morte, agressões e injúrias a futebolistas do então plantel do Sporting, acrescentando que Acuña e Battaglia foram os principais alvos dos adeptos, mas que o jogador Misic, o preparador físico Mário Monteiro, o treinador Jorge Jesus e o fisioterapeuta Ludovico Marques foram também agredidos. O segurança mencionou ainda que o ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, esteve reunido com o 'staff', no auditório do Estádio de Alvalade um dia antes do ataque.

A segunda testemunha a ser ouvida esta manhã foi Manuel Fernandes, antigo jogador e responsável pela prospeção do Sporting, que relatou ter visto, antes do incidente, vários indivíduos mascarados dentro da academia e disse que se percebeu do ataque após ter ouvido o estrondo de uma porta.

"Desvia-te Manuel, porque isto não tem nada que ver contigo", terá dito um dos encapuzados, que envergava um cinto na mão, a Manuel Fernandes, segundo o próprio.

O responsável pela prospeção do Sporting recordou, em tribunal, ter visto Bas Dost deitado no chão, com sangue na cabeça, mas não identificou quem agrediu o jogador. Manuel Fernandes garantiu que não assistiu às agressões e que não se recorda de ouvir insultos, mas, sim, adeptos a falar alto, "desgostosos com o que se passou no jogo da Madeira".

"Uma confusão muito grande, gritos. Nada de normal, bem pelo contrário. E muito fumo", descreveu, durante a audição no Tribunal de Monsanto.

Manuel Fernandes conta uma versão um pouco diferente da apresentada por Ricardo Gonçalves sobre as palavras de Bruno de Carvalho na véspera do ataque à Academia. Ricardo Gonçalves garantia que o ex-presidente do Sporting perguntou quem estava com ele (Bruno de Carvalho) "aconteça o que acontecer". Mas Manuel Fernandes recorda outra declaração.

O antigo capitão dos leões conta que esteve presente numa reunião, na véspera do ataque, em que Bruno de Carvalho a certa altura perguntou "Amanhã vamos estar todos na Academia às 16h00 e aconteça o que acontecer vocês estão todos comigo?" Recorda Manuel Fernandes acrescentando "pensei que ele iria dizer que o treinador se ia embora. Não associei as '16h00 na Academia' com a existência de algum treino".

Miguel Coutinho, advogado que representa a SAA do Sporting, pediu videoconferência para os jogadores da equipa que vão ser ouvidos. Se o requerimento se não for aceite, a defesa pede que os arguidos sejam retirados da sala quando dos depoimentos.

Para além de Ricardo Gonçalves e de Manuel Fernandes, também o responsável de comunicação do clube, Paulo Cintrão, é ouvido esta terça-feira. O antigo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, está presente na sessão.

A 15 de maio de 2018, durante um treino da equipa de futebol do Sporting, cerca de 40 adeptos 'leoninos' encapuzados invadiram a academia do clube, em Alcochete, e agrediram vários jogadores, o então treinador, Jorge Jesus, e outros membros da equipa técnica.

O atual líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes 'Mustafá', o antigo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do clube, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo. Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e 'Mustafá' também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo. Vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Notícia atualizada às 14h11

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