O "Big Five" do futebol português

Todos os países têm as suas lendas futebolísticas, feiticeiros que encantaram os seus compatriotas e o mundo, jogadores que elevaram o nome do país além-fronteiras. O poder do desporto-rei foi e é, como não podia deixar de ser, suportado nos seus... reis.

Portugal sendo um país de futebol, não é, claro está, exceção! Tantos foram e são os bons futebolistas lusitanos que difícil é escolher, entre tanto talento, posições diferentes e especificidades muito próprias de cada atleta.

Pode, porém, encontrar-se uma espécie de "Big Five", quinteto ou, como nos famosos livros de Enid Blyton, "Os Cinco" maiores do futebol nacional, sendo eles Eusébio, Chalana, Futre, Figo e Ronaldo. Cinco gerações distintas, cinco passagens de testemunho, como nas corridas de estafetas de atletismo, de década para década, para garantirem o bom nome do futebol português lá fora.

"Os Cinco mais geniais" podia ser o nome da obra, iniciada por Eusébio da Silva Ferreira, na década de 60. Como se de uma monarquia se tratasse, o "King" do futebol luso iniciou uma dinastia recheada de troféus, especialmente pelo "seu" Benfica, no qual se incluiu uma Taça dos Clubes Campeões Europeus, mas também pontuada por troféus individuais de alto gabarito, como foram exemplo as duas botas de ouro e o famoso galardão Ballon d"Or da não menos famosa France Football. Passou, a meio da década de 70, a tremenda, pesada e honrosa missão a também um dos mais espetaculares: Fernando Chalana.

Chalanix que fechou o seu condado no final dos anos 80. Um Europeu 84 de estalo, uma Ligue 1 pelo Bordéus e seis campeonatos pelo seu clube do coração Benfica pontuaram uma carreira que foi muito além desses troféus coletivos. A classe e magia saídas de ambos os pés foram poesia em movimento.

O brilhantismo do Pequeno Genial, como ficou eternamente conhecido, acabou por se misturar com o de Paulo Futre, que despontou em meados da década de 80. El Portugués foi mesmo, porventura, o maior ídolo da afición colchonera. O artista do Montijo projetou o Atlético de Madrid, historicamente um clube à sombra do seu grande rival e colosso Real Madrid, já antes de ter ajudado à projeção internacional do FC Porto, quando venceu a primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus da sua história, em 1987. Em Viena, cidade que popularizou Mozart, Futre, com o seu futebol irreverente, descomplexado e pleno de feitiçaria, bem condizentes com a sua personalidade, compôs uma das mais belas obras da sua carreira.

E a Paulo Jorge dos Santos Futre seguiu-se Luís Figo. Um extremo puro, como já quase não existe, que deu a conhecer a sua portentosa forma de jogar ao mundo. Tanto deu que em 2000 recebeu, tal como Eusébio, o Ballon d"Or da France Football e, no ano seguinte, o galardão da própria FIFA (atualmente denominado The Best).

Figo, também tal como Futre formado no Sporting, foi, assim, o jogador mais marcante a nível mundial na viragem do milénio, tendo sido famosa, além dos muitos troféus coletivos e individuais, nos quais se destacam, entre outras, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental, quatro Ligas Espanholas e outras tantas Italianas, a transferência mais tumultuosa da história do futebol espanhol, quando trocou o Barcelona pelo Real Madrid. As ondas de choque provocadas só estão, claro está, à altura dos mais predestinados. Como Figo foi...

A última passagem de testemunho prosseguiu pelo reino do leão. De Figo para Cristiano Ronaldo, que ainda coincidiram no sensaborão Euro 2004 e, dois anos depois, no Mundial da Alemanha. Ronaldo é... Ronaldo. Uma carreira que ainda persiste, aos 35 anos, como a mais recheada a todos os níveis que os seus antecessores. Troféus e recordes individuais a perder de vista, com destaque para os de cinco de melhor do mundo FIFA e quatro Ballon d"Or da France Football, mas também coletivos, com seis Ligas Nacionais (de três países diferentes), inimagináveis cinco Ligas dos Campeões conquistadas por dois clubes diferentes, Manchester United e Real Madrid, e ainda quatro mundiais de clubes, fora o que foi, para ele, o mais especial, correspondente diretamente ao maior título da história do futebol português: o Euro 2016.

A fasquia está, por isso, a níveis estratosféricos no país do extremo sudoeste europeu, o que não deixa de ser curioso atendendo às posições que os cinco ocuparam em campo (embora Eusébio e Ronaldo derivassem, com o decorrer da carreira, para o miolo ofensivo). Camões testemunhou, n"Os Lusíadas, o Consílio dos Deuses no Olimpo. Cristiano Ronaldo, Eusébio, Figo, Futre e Chalana fizeram o seu próprio consílio pelos estádios de todo o mundo, num legado pesado, pleno de brilhantismo e muita glória!

* André Rodrigues

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