O Éder também já chegou a pedir um feriado
Crónica o meu mundial

O Éder também já chegou a pedir um feriado

O que faz Messi não estar em dia sim. Messi perdeu, ou melhor, a Argentina perdeu frente à Arábia Saudita. E o Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud decidiu festejar à séria e com um feriado desportivo. Vão agradecer ao Messi?

Também os adeptos da seleção nacional portuguesa agradeceram a um jogador de futebol a alegria da conquista de uma prova desportiva. No Euro2016 a equipa portuguesa trouxe para casa uma Taça na mala, com um golo de Éder ao minuto 109 do prolongamento. Um remate que repetia a toda hora, e que se tornou um tesouro nacional.

O herói português, Éderzito, chegou a pedir um feriado nacional em plena Praça da Alameda, em Lisboa, depois da seleção nacional portuguesa ter conquistado esse Europeu. Valeu pela piada. O pedido do Éder, entenda-se.

Agora numa fase inicial do Mundial do Qatar 2022, surgiu a vitória do maior país da península arábica, frente à Argentina. Uma Arábia Saudita que não pode comparar essa dimensão territorial com a dimensão futebolística do país. A vitória traduziu o desejo de um povo, a vontade de um Rei e o mérito de uma equipa. Ou podem agradecer ao selecionador da "La Albiceleste", Lionel Scaloni? Eu, agradecia.

Um "murro", um "golpe", um "abalo" e até um "funeral" (eu escolheria "justo") foram as expressões usadas pela imprensa argentina para descrever o que se sentia no final do encontro junto da comitiva dos campeões da Copa América. Lionel Scaloni prometeu amortecer este desastre desportivo, revelou esse desejo interno e o desejo de 45 milhões de argentinos. E o desejo de jogar melhor? Ajudava? Claro que sim.

Até porque no final de outubro, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, disse aos convocados da seleção que ninguém esperava que eles conquistassem algum ponto no Mundial. E contra todas as expectativas surgiu esta vitória frente a uma bicampeã do mundo? Então, Messi? Já falaste, ou, questionaste o outro Lionel?

Mesmo sendo o capitão, eu sei que não o deves fazer. Ele é o treinador. Ele decide. Mas aqui entre nós. Porque é que o Leandro Paredes, o Rodrigo De Paul, o Papu Gomez e o Cristiano Romero começaram no onze titular? O Enzo Fernandez, o Angel Correa, o Lisandro Martinez, ou, o Paulo Dybala não podiam ser melhores opções? Sem a exigência (também seria difícil) de todas as mudanças irem em frente ao mesmo tempo. Mas podia ajudar, acredito que sim.

Messi deu a cara, assumiu a responsabilidade de capitão no final do jogo e a reboque do selecionador lá foram assumindo que "é preciso mostrar que somos mais fortes", ou "caímos na armadilha da Arábia Saudita, já sabíamos que eles jogavam com as linhas altas e por isso tivemos lances de golos anulados". E mesmo assim a derrota encaixou de forma perfeita, mister Scaloni?

Não houve surpresa, por isso faltaram soluções. Certo? Ou seja, quem vai gozar o feriado na Arábia Saudita pode sentir a necessidade de agradecer ao sr. Scaloni de não ter tido a arte de colocar uma máquina a jogar futebol.

Os argentinos voltaram a depositar muita esperança no "ídolo", e isso é demasiado arriscado. Porque "às vezes o ídolo não cai inteiro. E às vezes quando se parte, as pessoas devoram os pedaços", já escreveu Eduardo Galeano no "Futebol ao Sol e à Sombra". Messi também pode ficar em pedaços se algo não mudar na seleção da Argentina.

Faltam dois jogos para o ídolo e companhia provarem que o feriado na Arábia Saudita, foi decretado cedo demais.

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