O laboratório de Conceição dá a dobradinha ao Dragão

Dois livres deram a Mbemba a oportunidade de ser o homem do jogo. O congolês agarrou a oportunidade e a taça.

Recuperados todos os jogadores em dúvida no Porto, Sérgio Conceição sem surpresa apostou na dinâmica ofensiva que permitiu ao Dragão embalar para a conquista do título. Um tridente de meio campo com Danilo a ser a referência defensiva e Uribe e Otávio a ligarem bem, apesar de formas diferentes com os jogadores que iniciavam o ataque nas faixas, Diaz e Corona. Na direita, a liberdade era total para Corona que tinha esse lado como ponto de partida mas que não raras foram as vezes que criou superioridade numérica no centro e na esquerda. Essa libertinagem do mexicano convidada que Otávio e Manafá fossem ocupando em diferentes momentos esse lado do ataque. Onde também Marega optava por aparecer, predominantemente, entre Jardel e Nuno Tavares. No lado oposto a articulação Uribe/ Diaz visou muito mais arrastar os médios do Benfica para conquistar espaço nas suas costas.

Nelson Veríssimo manteve a titularidade de Seferovic a comandar o ataque das águias que teve papel importante para travar o início de ataque adversário com a boa articulação que conseguiu com Chiquinho a condicionar a ligação dos defesas com Danilo num primeiro momento. Gabriel e Weigl ficaram encarregues de sair na pressão dos dois médios contrários. Com bola a equipa encarnada sentiu muitas dificuldades não só pela boa pressão adversária que condicionou uma saída em ligação para quebrar linhas e chegar ao ataque bem como pela ineficácia de Seferovic em segurar jogo quando a equipa optava por uma via mais directa ao ataque.

Apesar do início frenético de jogo, onde Corona poderia ter inaugurado o marcador, com o acerto nas marcações e timings de pressão e com a ausência de criatividade e velocidade de circulação de bola, onde também o relvado não ajudou, o jogo foi ficando mais fechado e as oportunidades teimavam em não surgir.

O momento da primeira parte foi a expulsão de Diaz, decisão acertada de Artur Soares Dias, que foi muito contestada e contaminou a primeira parte até ao fim.

As contrariedades sucediam-se para o Dragão e também Sérgio Conceição foi expulso antes do intervalo.

O técnico portista optou ter uma linha de quatro no meio campo, se na primeira parte, Corona terminou na esquerda e Otávio na direita, no início do segundo tempo foi exactamente ao contrário.

E isso até foi o menos importante do jogo porque surgiu na segunda parte um Porto sólido, estável e seguro de si.

Recorreu ao laboratório do Olival e através de bola parada adiantou-se no marcador. Se no primeiro golo Vlachodimos não está isento de culpas, sem adversários junto de si desviou a bola para o 2ºposte, onde estava Mbemba solto. No segundo o guardião encarnado nada podia fazer para impedir Mbemba de bisar na partida, após este ter ganho a frente a Ruben Dias que foi traído pelo posicionamento mais recuado relativamente à linha defensiva encarnada de Seferovic que colocou o congolês em posição regular.

Dois cabeceamentos do defesa do Porto que aumentaram não só a confiança da equipa como também exaltaram as qualidades colectivas deste Dragão que estão muito além da dimensão tática ou estratégica do jogo.

A capacidade de trabalho, a entreajuda, a solidariedade, a humildade e o pragmatismo com que o Porto encarou o longo período de sofrimento que tinha pela frente foi o factor diferenciador para conquistar o troféu.

Aos 59 minutos o Porto marcou o segundo golo e ainda faltavam mais de trinta minutos para jogar com menos uma unidade.

Nelson Veríssimo nunca atirou a toalha ao chão, colocou dois homens na frente, Vinicius com Seferovic, mais tarde Dyego Sousa ao lado do brasileiro, refrescou o ataque com Jota, já que Rafa foi a primeira opção ao intervalo e ainda fazendo regressar Taarabt ao miolo da equipa.

Conceição por seu lado foi dando mais capacidade defensiva à sua equipa, com a inclusão de Diogo Leite, para fechar o centro esquerda defensivo e criar superioridade numérica perante os dois avançados adversários. Até à inclusão de Sérgio Oliveira e Loum, em detrimento de Corona e Uribe.

A velocidade com que o Benfica circulou a bola era impeditiva de criar dificuldades à boa organização defensiva portista que mesmo quando permitiu aos encarnados ter espaço e tempo para cruzar a bola para a área foi em larga maioria mais forte nos duelos.

Conseguindo reduzir o marcador, através de pontapé de penalti por Vinicius, e ainda a enviar uma bola ao poste, por Jota, já em tempo de compensação, o Benfica manteve a imprevisibilidade do vencedor até ao fim na partida.

O Porto venceu e não foram só aqueles que jogaram, seguramente, quão ilustrativo é da união de um grupo de trabalho quando num estádio vazio se ouvem cânticos de apoio a cada lançamento ganho ou a cada vez que alguém consegue levar a equipa 30 metros para a frente? Foram, essencialmente, estes ingredientes que deram ao Porto a dobradinha esta época.

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