João Félix. A história do miúdo que passou despercebido no Porto e empatou o dérbi

João Félix entrou no jogo entre Benfica e Sporting e em 15 minutos fez o empate. Há alguns anos, o FC Porto não reparou nele.

Entrou aos 71 minutos no dérbi de Lisboa e foi da cabeça dele que saiu o golo do empate final. João Félix é o "miúdo" de quem se tem falado nos últimos dias. O jovem médio do Benfica, de apenas 18 anos, foi lançado no Benfica-Sporting e precisou de apenas 15 minutos para deixar a sua marca.

Começou a jogar futebol no Pestinhas, de Tondela, mas foi no FC Porto que fez grande parte da sua formação. Esteve nas camadas jovens dos dragões até aos sub-17 mas lá pelo meio, aos 14 anos, passou pelo Padroense, clube do concelho de Matosinhos. A TSF quis saber mais acerca do percurso do jovem e ouviu o que Germano Pinho, presidente do clube, tem a dizer sobre o jogador. Ao início, confessa, recebeu o atleta mas não imaginava o que iria sair dali. "Tinha elevada capacidade técnica, era muito virtuoso e denotava já algumas características acima da média para a idade dele. Tinha pouca robustez física mas compensava isso com o enorme talento", começa por revelar o presidente do clube.

O Padroense tem um protocolo com o FC Porto graças ao qual a sua equipa do escalão de juvenis recebe uma grande quantidade de atletas da formação portista, mas Germano Pinho salienta que "quem faz o acompanhamento mais profundo da evolução dos atletas" é a casa-mãe, o que fez com que João Félix acabasse por passar despercebido. "Não previa o aparecimento do João Félix num nível tão elevado num prazo tão curto. A nível nacional, vemos que estamos na presença de um talento que vai ter muito sucesso", garante o presidente do Padroense.

Quem também pareceu não estar à espera do sucesso de João Félix foi FC Porto, que acabou por deixar sair o jovem atleta para o Benfica, algo que causa alguma mágoa a Germano Pinto. O presidente do Padroense confessa que é portista de "coração, afeto, sentimento e paixão" e que fica triste por ver os dragões desperdiçarem um talento como o de João Felix. "Fico com mágoa que ele não esteja no meu FC Porto", começa por lamentar, embora reconheça que nem sempre é fácil detetar e reter todos os bons jovens atletas. "Ao contrário do que algumas pessoas pensam, às vezes no meio de tantos miúdos, é difícil. Há vários casos de atletas que não tiveram sucesso, por exemplo, no Benfica ou no Sporting e acabam por ter noutros clubes, incluíndo o FC Porto", relembra. Quanto à qualidade da formação dos dragões, Germano Pinho considera que este caso não "invalida nem diminui em nada o enorme portencial que o FC Porto tem nas suas camadas jovens".

No futebol, o dinheiro é cada vez mais importante e o Padroense "naturalmente" não recusaria um encaixe financeiro, fruto dos anos que João Félix passou no clube. Os mecanismos de solidariedade da FIFA preveem a atribuição de uma percentagem da transferência de um jogador a cada um dos clubes nos quais fez formação. Germano Pinho garante que, no Padroense, todos estão "atentos" e espera que o clube possa acabar por colher alguma "compensação" pelo papel que teve na formação do jovem jogador.

João Félix está no Benfica desde 2015/2016 e soma até ao momento três jogos pela equipa principal da formação encarnada.

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