O que não aconteceu em Singapura? Sergio Pérez foge ao caos e termina série de vitórias de Verstappen

O vencedor mudou, mas o hino austríaco (da Red Bull) não saiu da playlist dos pódios de Fórmula 1. Sérgio Pérez ganhou a posição no arranque e, mesmo no meio de bastantes safety cars, incidentes e uma penalização, o mexicano manteve a calma e conseguiu arrancar a segunda vitória na época, e ambas em circuitos citadinos, pois a primeira tinha sido nas ruas do Mónaco.

Às 13h00, hora de Portugal Continental, os fãs de Fórmula 1 sentaram-se no sofá para assistir ao regresso das corridas após três semanas de ausência. Contudo, as expectativas de um começo a horas saíram goradas devido a um período de chuva intensa, que se fez de convidada na cidade-estado de Singapura durante todo o fim de semana.

Os cerca de 1600 focos de iluminação, prontos para uma corrida noturna, continuavam a dar sinais de alguma precipitação, mas cada vez menor. Mais de uma hora depois, houve sinal de carros em pista para as voltas de reconhecimento e, mais tarde, no momento da volta de formação. De pneus intermédios, 19 pilotos assumiram os seus lugares na grelha de partida. Dezanove, sim, porque George Russell trocou todas as componentes do seu motor e foi obrigado a partir da via das boxes.

Finalmente, o som característico da contagem decrescente, ao mesmo ritmo do apagar dos semáforos, preparavam os espetadores para o início da ação em pista. O barulho dos motores crescia, e no momento em que finalmente se estava a correr, os olhos estavam postos em Charles Leclerc, na pole position, que reagiu bem ao apagar das luzes vermelhas, mas Sergio Pérez, no segundo posto, conseguiu assumir a dianteira do pelotão com facilidade na reta da meta.

O asfalto de Singapura continuava bastante húmido em algumas zonas e a abordagem de alguns pilotos foi mais conservadora. Max Verstappen, que estava em condições de ser campeão no sudeste asiático, partia de oitavo e, no arranque, perdeu posições e ficou numa situação em que não se via há algumas corridas. Inclusive, o neerlandês não evitou um toque numa luta com Kevin Magnussen, num momento em que se temia um incidente que terminasse com a corrida de ambos bastante mais cedo.

Quem não evitou um embate que se verificou fatal para fugir a um regresso prematuro às boxes foi Zhou Guanyu. O chinês foi surpreendido por um fecho de trajetória menos prudente por parte de Nicholas Latifi e saiu pela trajetória com uma suspensão partida na roda dianteira do lado direito. O canadiano, por sua vez, ainda conseguiu continuar em pista, mas no momento da troca de um pneu furado, a equipa da Williams percebeu que a suspensão do FW44 também não estava em condições.

Entretanto, a direção de corrida decidiu chamar o safety car para a pista. Da volta oito até ao final da volta dez, os carros seguiram em comboio, sem poder acelerar e ultrapassar, à espera que existissem condições de se voltar a correr. Na frente, Sergio Pérez aproveitou para se distanciar desde cedo, para aproveitar uma desatenção dos adversários diretos e manteve-se na frente.

Mais atrás, Verstappen conseguiu, facilmente, ultrapassar Sebastian Vettel e Pierre Gasly e ascendeu à sétima posição, aproveitando o facto de o pelotão ter ficado mais compacto. A aparente facilidade terminou quando encontrou a traseira do Alpine de Fernando Alonso, que tornou a tarefa um pouco mais complicada, com uma boa defesa às investidas do neerlandês.

O que o espanhol não esperava era que, na volta 22, o seu monolugar, sem permissão, deu ordens imperativas para que Alonso encostasse e abandonasse a corrida em Singapura. Com safety car virtual ativo, começou o que se antecipava, mas que era difícil de prever: o primeiro piloto a arriscar uma troca de pneus intermédios para slicks.

George Russell, com uma prova bastante aquém do normal, deu o mote e calçou borracha de mistura média, mas rapidamente se percebeu que foi uma ideia mirabolante por parte da Mercedes. Na pista, Verstappen elogiou a coragem do britânico com o carro número 63, mas também agradeceu a informação de que ainda era cedo, de facto para abdicar dos pneus mais indicados para piso molhado.

Num momento em que se começava a aproximar o período que marcava metade da corrida, a palavra virtual safety car ainda surgiu nos ecrãs mais duas vezes. Alex Albon, após uma colisão com um dos muros de cimento, apercebeu-se que a sua asa dianteira ficou presa e, apesar de regressar com o Williams à box, também teve de abandonar.

Ainda mal se tinha conseguido correr um par de voltas em bandeira verde quando o pelotão foi novamente neutralizado. Mais um Alpine, desta feita com o monolugar de Esteban Ocon, foi obrigado a parar, e foi bastante visível no ar o fumo, indicativo de que algo não estava bem com o motor do carro número 31, com o abandono número cinco na corrida.

A pista de Singapura esteve três anos sem fazer parte do calendário do campeonato do mundo de Fórmula 1, mas não podia voltar sem dar aos fãs uma corrida para recordar durante algum tempo. Na volta 33, Lewis Hamilton tocou na barreira, mas conseguiu voltar à pista e intrometeu-se na luta entre Max Verstappen e Lando Norris.

Não existe, mas os desportos motorizados podiam criar uma Romaria à Nossa Senhora das Boxes. A primeira edição ocorreu na volta 35, inaugurada pelo peregrino Leclerc, que trocou para pneus médios, mas a paragem foi manifestamente lenta. Pelo contrário, Sergio Pérez também cruzou a linha das boxes, mas ganhou cerca de três segundos com a rapidez do staff da Red Bull.

Mas... o safety car voltou a dizer presente a mais uma chamada. Yuki Tsunoda embateu nas barreiras de tecpro e foi obrigado a abandonar, deixando o pelotão com apenas 14 carros em competição. Quando terminou mais um período de neutralização da corrida, a contagem de voltas foi substituída por um relógio em contagem decrescente para o final.

Se já era difícil, a tarefa de Max Verstappen se sagrar campeão dentro das fronteiras da cidade-estado terminou após uma tentativa de ultrapassagem falhada a Lando Norris, com o neerlandês a precisar de recorrer a uma das escapatórias. Um pião de 180 graus depois, e o neerlandês regressou no final da classificação, numa luta para conquistar algum ponto para a Red Bull, conseguindo mesmo o sétimo posto, na volta final.

Finalmente, após tantas interrupções forçadas, a corrida assentou sem incidentes. O foco da realização apontava em direção ao Red Bull de Sergio Pérez e o Ferrari de Leclerc. Ambos, em certos momentos, falharam a abordagem a algumas das muitas curvas do circuito de Marina Bay, e o líder mantinha-se o mesmo.

No final da corrida, surgiu nos ecrãs a possibilidade de Pérez ser penalizado por infrações durante os vários períodos de safety car. A decisão apenas se soube cerca de três horas depois, com Checo a levar a vitória com a confirmaçao de que apenas foi penalizado com cinco segundos e dois pontos retirados na superlicença.

Felizmente para o piloto mexicano, o procedimento de festa não lhe foi retirado das mãos, até porque conquistou vantagem suficiente para respirar, com mais de sete segundos de vantagem na altura em que passou na bandeira de xadrez. Charles Leclerc, que fez alguns erros no final da corrida, terminou no segundo lugar e Carlos Sainz, o seu colega de equipa, fechou o pódio.

No campeonato de pilotos, Max Verstappen continua a liderar confortavelmente. O monegasco Charles Leclerc segue afastado com 237 e Sergio Pérez, com a vitória deste domingo, voltou a colar em relação ao piloto da Ferrari e fecha a classificação geral com 235 pontos somados em 17 rondas disputadas.

As malas da Fórmula 1 continuam no Oriente, mas voltam ao hemisfério norte para a 18.ª ronda do campeonato do mundo. O mítico circuito de Suzuka volta a ser palco de um Grande Prémio e Verstappen, se vencer e conquistar o ponto extra de volta mais rápida, pode selar o seu bicampeonato em terras nipónicas. Será mais um de muitos match points possíveis do neerlandês.

Notícia atualizada às 19h10

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