Os eleitos do Olimpo. Balanço do atletismo português em Tóquio 2020 "é algo de extraordinário"

Esta é a melhor missão olímpica de sempre para Portugal, de acordo com a Federação Portuguesa de Atletismo. Depois da maratona olímpica feminina, o atletismo já fez as malas para abandonar Tóquio.

Foram os melhores Jogos Olímpicos de sempre para Portugal, com quatro medalhas, duas conquistadas pelo atletismo. O atletismo português despediu-se de Tóquio esta madrugada, depois da maratona olímpica feminina.

Para o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, o balanço é extraordinário. Jorge Vieira destacou, em declarações à TSF, a melhor competição de sempre para Portugal, "o desempenho mais positivo de sempre, quer ao nível das medalhas, quer ao nível do desempenho dos atletas que não chegaram ao pódio, mas ficaram muito perto, nos primeiros oito lugares".

O representante da Federação Portuguesa de Atletismo sublinhou que o "desempenho global foi muito positivo" e que "nunca houve uma missão olímpica tão bem-sucedida como esta", lembrando que o ponto alto da competição foi a medalha olímpica de Pedro Pablo Pichardo no triplo salto. "O ponto alto é sempre uma medalha de ouro. Ser campeão olímpico é ficar na História, de uma História longa, que vem desde a Grécia Antiga. O desporto é uma manifestação cultural das mais antigas na nossa História."

Este feito, constata Jorge Vieira, rejeitando velhas odes e narrativas antigas, "não é reservado aos deuses, mas a poucos eleitos", porque é "algo de extraordinário".

O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo admite que os atletas de maior estatuto recebem apoios suficientes, mas analisa que é preciso olhar para o futuro para chegar ao alto nível. "Os atletas de maior nível têm tido apoios suficientes. O problema está em todo o edifício por detrás, está a montante." Para Jorge Vieira, a prioridade deve ser "tratar de todo o percurso até chegarmos ao mais alto nível". E, se as "crianças precisam de mais educação física", há outros passos a dar: "Não são apenas questões de financiamento, mas também de boa vontade política."

Jorge Vieira, em entrevista à TSF, apelou ainda ao Governo para que olhe já para os Jogos Olímpicos de 2032, na Austrália.

Também o líder da comitiva, o vice-presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) Paulo Bernardo, em declarações à agência Lusa, avaliou como "extraordinário" o desempenho dos atletas portugueses nestes Jogos Olímpicos.

"O balanço é extraordinário. Tivemos uma prestação muito boa dos nossos atletas, conquistámos duas das quatro medalhas que Portugal ganhou. Foram uns Jogos muito especiais, com grande dificuldade na preparação dos atletas, um esforço enorme do país para receber a competição. Os nossos atletas portaram-se extraordinariamente bem", destacou, em declarações à Lusa.

Portugal conquistou dois pódios no atletismo, ambos no triplo salto: o ouro de Pedro Pichardo, quinto campeão olímpico português, e a prata de Patrícia Mamona.

Além dos 'metais', o 'vice' da FPA destaca também "vários finalistas mesmo à 'beirinha' da medalha", como o quarto lugar de Auriol Dongmo no lançamento do peso ou "o azar da Liliana Cá", que caiu na final do lançamento do disco e acabou no quinto lugar, mesmo posto de João Vieira nos 50 quilómetros marcha.

"Todos tiveram prestações muito boas. Aqui vêm os melhores atletas de todo o mundo. É muito, muito complicado atingir o sucesso no atletismo", acrescenta.

Quanto aos medalhados, o resultado de Mamona "é extraordinário", ao ultrapassar os 15 metros, um feito "simplesmente fabuloso", e de Pichardo é "muito o resultado do talento e do trabalho".

Paulo Bernardo não quis individualizar qualquer resultado abaixo do esperado entre os 20 participantes lusos na modalidade, até porque "mesmo quem ganhou a medalha de ouro não estava completamente satisfeito", depois de Pichardo ter manifestado esse sentimento.

"Há sempre uma luta enorme consigo próprios em terem o melhor resultado aqui. É onde todos estão atentos ao que é feito, passamos três ou quatro anos a treinar e competir e muitos resultados passam despercebidos. Nos Jogos, está cá toda a gente para avaliar. Alguns atletas podiam ter feito melhor, todos queriam, mas a nossa sensação é que os resultados são extraordinários", reforça.

Para Paris 2024, explica, a constante expectativa alta sobre o atletismo, de onde saíram os cinco campeões olímpicos do país, leva a que seja necessário deixar claro que "não é linear a participação e uma conquista de medalha".

Se no Rio 2016 "não correu tão bem", e desta vez houve casos de superação, nos próximos Jogos a expectativa "é que estes atletas se mantenham ao nível que apresentaram" e que muitos possam "melhorar". "Ambicionamos resultados muito bons", atira.

Sem promessa fica um regresso às provas de meio fundo e fundo no masculino, depois de a maratona ter apenas três portuguesas em Tóquio 2020, com Carla Salomé Rocha no melhor lugar, em 30.º.

"Temos trabalhado para inverter esta tendência que se tem verificado nos últimos anos. É um processo complicado, em Portugal temos milhares de praticantes de corrida informal, e é necessário trazer esses corredores informais para a modalidade, federar e dar as melhores condições para desenvolver as suas capacidades. Daí, há de surgir um talento e atletas que tenham capacidade e ambição para chegar ao topo mundial", comenta.

Nesta categoria, diz, "há muitos praticantes" em todo o mundo e o acesso às grandes competições "é mais restrito", pelo que Portugal tem tentado aumentar o número de atletas federados e apostado em formação específica para treinadores "que incide muito nas questões do meio fundo".

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