Levaram-no ao topo e deixaram-no cair. Os homens que abandonaram Bruno de Carvalho

No dia em que Bruno de Carvalho é ouvido pela Justiça, a TSF recorda as vozes que já não gritam pela honra do nome do ex-presidente leonino.

O ano de 2016 estava a chegar ao fim quando Bruno de Carvalho anunciou os notáveis que faziam parte da sua comissão de honra para as eleições à presidência do Sporting. A lista ainda não estava fechada, mas já contava com mais de 60 nomes.

Com a ajuda deles, Bruno de Carvalho acabou por ser reeleito em março de 2017, com 86,13% dos votos, mas - quase dois anos (e várias polémicas) depois - a maior parte dessas figuras que posaram ao lado do ex-presidente leonino, já desapareceram da fotografia.

É o caso de Dias Ferreira, ex-dirigente do Sporting, que chegou mesmo a concorrer às últimas eleições para a presidência do clube. Esta segunda-feira, um dia depois de Bruno de Carvalho ser detido por suspeitas de estar implicado nas agressões aos jogadores na Academia do clube em Alcochete, Dias Ferreira adiantou à TSF que nunca teve dúvidas do envolvimento de Bruno de Carvalho nos acontecimentos de 15 de maio.

"Desde o princípio, nunca tive muitas dúvidas acerca do envolvimento de Bruno de Carvalho (...). Era uma situação mais ou menos evidente", sublinhou o sportinguista.

O ex-dirigente sublinhou, contudo, que julgava que esse envolvimento "passaria apenas pelo encobrimento dos responsáveis no caso, não pela ordem expressa do ataque".

Outro dos que passou de apoiante a opositor foi o banqueiro José Maria Ricciardi, que defendeu que Bruno de Carvalho não tinha condições para se recandidatar à liderança do Sporting.

"[Bruno de Carvalho] foi destituído por mais de 71%, numa das Assembleias Gerais mais concorridas. Bruno de Carvalho é passado e eu penso no futuro", defendeu, em julho, numa entrevista à SIC Notícias. Ricciardi candidatou-se às eleições deste ano e reuniu 14,55% dos votos.

Poucos dias depois da invasão da Academia de Alcochete, Sousa Cintra levantou a voz para pedir a demissão de Bruno de Carvalho. Para o antigo presidente do Sporting, o principal problema do clube era o presidente da altura: "O clube está de rastos. O presidente tem de entender que tem de sair, para a realização de novas eleições.", disse à TSF.

Por considerar que Bruno de Carvalho não tinha condições para continuar no cargo, Sousa Cintra pediu mesmo a realização de eleições antecipadas e manifestou apoio a um potencial candidato: o advogado Rogério Alves.

O psiquiatra Daniel Sampaio foi uma das primeiras figuras a defender que Bruno de Carvalho se devia afastar do clube, imediatamente após as agressões de 15 de maio.

"Defendi até há muito pouco tempo a continuidade de Bruno de Carvalho, atendendo ao excelente trabalho que fez no Sporting, mas neste momento não vejo outra saída que não seja eleições. Não é possível que tudo fique na mesma depois destes acontecimentos gravíssimos. Acho que deve haver uma demissão coletiva de todos os órgãos sociais, sem exceção, já que todos têm a sua quota-parte de responsabilidade", sublinhou um dia depois da invasão da Academia.

De costas voltadas para Bruno de Carvalho está também Augusto Baganha, antigo presidente do conselho diretivo do Instituto Português do Desporto e da Juventude.

Os motivos do afastamento, no entanto, são diferentes das razões da maioria dos notáveis que se quiseram desvincular da imagem de Bruno de Carvalho.

Em causa estão as declarações de Augusto Baganha à Sport TV, em que o ex-presidente do IPDJ defendeu que os "grupos de adeptos organizados" do Benfica deviam "registar-se para ficarem como os outros," mas que, até ao momento, "isso não tem sido um problema para o IPDJ nem para a polícia".

Bruno de Carvalho repudiou estas declarações através de uma publicação no Facebook e sugeriu que Baganha mudasse de postura: "Mude o disco e faça-se homem de vez, criticando e condenando de forma firme estas atitudes, afastando estes criminosos dos estádios e pavilhões e obrigando as suas claques a legalizarem-se."

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