Belenenses quer vencer o Sporting, mas "é preciso gerir as expectativas"

A TSF esteve no estádio do Restelo à conversa com o presidente do Belenenses, Patrick Morais de Carvalho, que fala num "ar mais respirável do que nunca" em Belém e "num relvado de Liga dos Campeões" para receber o campeão nacional.

As semanas são sempre agitadas junto ao Estádio do Restelo. Todos os dias, entre as 18h00 e as 22h00, centenas de pessoas, de atletas a funcionários, passam pela cancela junto à Capela de Santo Cristo. Carros entram e saem do clube a cada minuto, em cada esquina há uma criança equipada à Belém ou adeptos mais antigos da equipa azul. É um clube com muita vida, mas esta semana ganha ainda mais vida com o regresso dos grandes jogos ao recinto do Clube Futebol "Os Belenenses".

"Para comprar os bilhetes é aqui?" - pergunta uma mulher, adepta do Belenenses, ainda com a esperança de poder voltar a ver o seu clube ao vivo frente a um grande do futebol português. Estão, de resto, vários adeptos junto à loja azul, a famosa loja do Belenenses. Ainda com o mesmo aspeto. Está tudo como era antigamente. Antigamente - digo quando o Belenenses esteve pela última vez na I Liga. A única diferença é que, em frente ao estádio, onde era um dos parques de estacionamento e a entrada dos autocarros, está tudo em obras, para construção de uma superfície comercial, a mais recente obra do clube.

A entrada para o gabinete do presidente do clube fica na porta ao lado da loja azul. É lá que Patrick Morais de Carvalho recebe a TSF. Antes de entrarmos no escritório, passamos por uma longa sala de reuniões. Tem alguns troféus e galhardetes, que recordam os velhos tempos do Belenenses, entre eles estão algumas ofertas do Sporting, que reencontra esta sexta-feira a equipa da Cruz de Cristo. Caminhamos mais um pouco até ao escritório. Aqui, há mais umas fotografias, que até podem servir de inspiração para o jogo de mais logo. Uma delas representa a conquista da Taça de Portugal de 1988/89. Tem as figuras de Chico Faria e Juanito, os homens que marcaram os dois golos no triunfo por 2-1 frente ao Benfica. Outra das fotografias tem em destaque Manuel Andrade, o homem que marcou o golo do título em 1946, ano em que o Belenenses foi campeão nacional de futebol.

Este não é mais um derby. Para o Belenenses, este é um jogo de grande importância, sublinha Patrick Morais de Carvalho: "Vai ser um jogo de carga emotiva grande para o Belenenses e vai ser, de certeza, para afirmarmos a nossa identidade única", que recorda que o Belenenses "é provavelmente o único clube em Portugal que, se chegarmos à Primeira Liga, conforme esperamos, passou por todas as divisões. E acho que quando chegarmos novamente à I Liga, vamos merecer, mais do que nunca, ser considerados o quarto grande do futebol português."

E qual é a identidade hoje do Belenenses? "Voltou a alegria e o ar voltou a ser respirável no Restelo. A última época em que estivemos na I Liga, que foi em 2017/18, o ar era irrespirável no Restelo. Hoje em dia o Belenenses é um clube muito mais saudável", afirma Patrick Morais de Carvalho. O Restelo parece um "mar de rosas", a confiança está em alta, mas é preciso controlar as expectativas dos sócios neste regresso aos grandes derbies, avisa o presidente: "Os sócios do Belenenses querem ganhar ao Sporting [risos]. Querem ganhar ao Sporting! Mas é preciso fazer um pouco a gestão das expectativas. Eu também quero ganhar ao Sporting, se calhar ninguém mais do que eu quer ganhar ao Sporting, mas é preciso perceber que talvez nem 1% de possibilidades temos".

E nem o relvado ajuda a equipa de Belém: "Está espetacular... o que favorece o Sporting! Ainda por cima temos esse problema [risos]. É que normalmente as equipas do Campeonato de Portugal que fazem uma gracinha contra as equipas da I Liga têm o fator casa e às vezes têm campo que prejudicam as equipas mais fortes. Mas nós temos aqui um relvado de Liga dos Campeões e, portanto, nem nesse ponto de vista vamos ter vantagem", admite o líder do emblema lisboeta.

É altura de fechar a porta do escritório. Subir as escadas até às bancadas do estádio e ver, com o rio Tejo em plano de fundo, as camisolas azuis, com a Cruz de Cristo, novamente contra as camisolas das riscas verdes e brancas. O regresso dos grandes jogos ao Restelo.

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