Os sul-coreanos que jogam em Lisboa no primeiro clube de Paulo Bento

O primeiro clube de Paulo Bento tem nesta temporada três jogadores sul coreanos, mas no clube garantem que é mera coincidência. No Sport Futebol Palmense, os atletas sul-coreanos dividem o tempo entre os treinos e as aulas. Querem ser treinadores de futebol e já trabalham com as crianças da formação. Talvez descubram ali um novo talento, no clube que viu nascer para o futebol o antigo internacional português, agora feito selecionador sul-coreano.

Lay e Cho chegam cedo para o treino do final da tarde. Faltam ainda 45 minutos a vez da equipa principal no sobrelotado (e único) relvado do Sport Futebol Palmense. Há ainda dezenas de crianças a treinar a esta hora. Os dois jogadores sul-coreanos do Sport Futebol Palmense vão espreitando os mais novos. São jogadores da equipa principal deste emblema centenário, mas também olham para o jogo sob o olhar de treinadores de futebol.

Em Portugal e no primeiro clube de Paulo Bento como jogador, tanto Lay como Cho procuram uma oportunidade de conciliar o percurso como futebolistas com a formação que lhes pode manter abertas as portas do futebol no futuro, o caminho de treinador. No plantel deste clube do bairro da Palma de Baixo, ao lado da estrada das Laranjeiras, Lisboa, há três sul-coreanos.

Cho tem 22 anos e está há cinco temporadas a jogar em Portugal. "É muito interessante estar no [primeiro] clube de Paulo Bento (risos). Mas só fiquei a saber quando ele veio cá", explica o jovem jogador. Quando o clube completou 110 anos, o selecionador da Coreia do Sul esteve no estádio onde deu os primeiros pontapés na bola para gravar um vídeo. Cho Geun-ho já era jogador do Palmense, depois de passagens pelo Alta de Lisboa e pelo Sintra Football.

O português ainda é uma barreira difícil de superar. "É muito difícil aprender o português. Na verdade, ainda estou a aprender". Solta-se a língua para falar de futebol "Eu jogo na ala direita, faço todo o corredor porque jogamos em 3x5x2". Fora de campo, Cho já definiu que quer uma vida ligada ao futebol. Estuda na Faculdade de Motricidade Humana, está já no último ano do curso de Ciências do Desporto. "Já treino os infantis A, miúdos de 12 ou 13 anos".

Esta sexta-feira Cho já marcou na agenda algum tempo para acompanhar o Coreia do Sul-Portugal do mundial de futebol de 2022, jogo às 15h00, hora de Lisboa. "Espero que a Coreia [do Sul] ganhe", explica. Já sobre Paulo Bento, o selecionador que, tal como Cho, vestiu as cores do Palmense, acredita que o português reforçou neste campeonato mundial a sua posição. "Deixa uma boa imagem", depois dos primeiros dois jogos.

Son Heung-min é o nome mais reconhecido da seleção sul-coreana. Mas Cho acredita que há na seleção de Paulo Bento outros jogadores de qualidade e que são uma ameaça para Portugal. "No meu campo, Hwang In-beom, jogador do Olympiakos. Não digo que seja perigoso (faltam-lhe os golos), mas é um jogador que tem qualidade, que sabe ter a bola". Um médio, como era Paulo Bento. "Mas como jogador não o conheci" (risos), reconhece Cho.

Hyeongoh Lay chegou apenas há quatro meses a Portugal mas mantém uma conversa na nova língua, que ainda está a aprender, com facilidade. No bairro da Palma de Baixo encontrou o lugar para continuar a carreira de jogar e espreitar uma chance como treinador de futebol. "Vim para jogar futebol, mas também para o curso de treinador da associação [AF Lisboa]. Estou também a fazer um curso de língua portuguesa", explica Lay.

"Eu já conhecia Cho - o meu amigo coreano. Vi que existia a possibilidade de jogar, o clube gostou de mim. Os meus colegas são muito simpáticos, temos um balneário com bom ambiente". A língua não é um entrave. "Estava há cinco anos em Espanha e por isso não foi assim tão difícil. A cultura também parecida".

A jogar na segunda divisão distrital de Lisboa, Lay mede os passos a dar em Portugal "O Sonho? Agora estou a aprender sobre futebol no curso de treinador. Cada ano que passa sinto algo diferente. Aprendo mais, estou melhor, tenho uma perspetiva diferente sobre o futebol a cada ano. Para já quero estar assim, depois logo se vê se posso jogar num outro nível. Digo isto como jogador mas também como treinador".

Talvez Lay ajude o Palmense a descobrir um talento como Paulo Bento. "Treino miúdos com nove a dez anos. Já em Espanha trabalhava com crianças. Gosto de ver como crescem ao longo de um ano é algo muito interessante. Logo quando cheguei o meu amigo Cho disse-me que este era o clube do selecionador coreano, Paulo Bento", explica.

"É interessante estar em Portugal e saber que a Coreia do Sul vai jogar com a seleção de cá. Vou a um bar com amigos ver o jogo, alguns portugueses, outros coreanos que estão cá para aprender a língua. Vamos ver o jogo todos juntos", explica.

Lay vai estar atento às duas seleções, mas conhece bem os nomes sul-coreanos. "Há bons jogadores no ataque. Talvez seja mais fraca na defesa. Tirando do Son [Heung-min], destaco um jogador que se chama Lee Kang-in, que está a jogar em Espanha. Além da idade, tem um potencial grande. Acredito que pode ajudar a equipa, isto apesar de não estar a ter muitos minutos. É algo que não entendo, mas respeito".

Respeito é a palavra que Lay repete sobre Paulo Bento. Mesmo que não concorde com todas as opções do selecionador. "Não vi muitos jogos da seleção, mas acho que tem uma ideia bastante clara, não gosta de mudar muito. É um treinador com uma ideia fixa. Por isso, posso dizer que o respeito".

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