Paulo Estrela e a construção de um médio em Portimão numa temporada histórica

A realizar o melhor arranque de sempre na Liga, o Portimonense encontrou no médio Paulo Estrela um novo ponto de equilíbrio. Na TSF, o jogador de 23 anos, formado no Futebol Clube do Porto, assume que sempre se sentiu confortável com bola, mas é nos momentos em que não tem contacto com ela que mais tem melhorado em Portimão.

Há no discurso de Paulo Estrela uma serenidade semelhante à demonstra em campo. Os bons resultados da equipa do Portimonense, a renovação de contrato até 2026 assinada esta semana, o primeiro golo na Liga Portugal - de grande penalidade, sinal de confiança inequívoca do treinador -, dão ao médio de 23 anos motivos para acreditar que fez a escolha certa ao aceitar deixar o Olival, onde se formou, para representar o Portimonense. Mesmo que tenha começado pelos sub-23, e que tenha esperado por oportunidades na equipa de Paulo Sérgio.

"Desde cedo mostrei que, com bola, tenho uma qualidade muito grande a nível do passe e da leitura de jogo. Faltava-me um pouco de intensidade nos duelos. Desde a minha chegada a Portimão que procurei ser mais capaz nesse momento do jogo", explica à TSF, Paulo Estrela. As estatísticas indicam que o médio nascido em 1999 é um dos jogadores com mais ações defensivas na Liga. "De ano para ano, sinto que estou a acrescentar coisas ao meu futebol".

Com 15 pontos amealhados nas primeiras sete jornadas do campeonato, o Portimonense confirma o melhor arranque de sempre no principal escalão do futebol português. O médio Paulo Estrela, do Portimonense, renovou até 2026 e passou a ter uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros. "Tal como para mim, o arranque da equipa está a ser muito positivo, mas há que continuar a trabalhar". O período de pausa para as seleções ajuda a retemperar as forças, mas também a corrigir alguns erros. "Há que aproveitar este tempo para crescer como equipa e individualmente", assume Paulo Estrela.

O médio encontra na ritmo assumido na pré-temporada parte da explicação para o arranque positivo - cinco vitórias e duas derrotas, incluindo o jogo em Alvalade com o Sporting. "Foi uma pré-temporada muito complicada, com grandes testes. Desde o primeiro jogo com o Mónaco que sentiamos que tinhamos um grupo que podia fazer algo bonito pelo clube. Estamos a conseguir, é um arranque histórico para o clube. Mas o campeonato é longo, agora vamos jogo a jogo no nosso caminho".

Do Olival para Portimão

Paulo Estrela chegou a Portimão em 2019. Deixava para trás um percurso na formação do Futebol Clube do Porto numa geração que conquistou, entre outros, os títulos da Liga dos Campeões jovem, a Youth League (2018/2019) ou a Premier League Internacional Cup. Naquela equipa emergiram nomes como Vitinha, Fábio Vieira ou João Mário. Para Paulo Estrela, a porta de entrada na elite estava em Portimão. "Tenho de agradecer aos meus colegas, porque me senti sempre muito bem em Portimão", explica.

Foram 75 os jogos oficiais pela equipa de sub-23 do Portimonense. O primeiro jogo pela equipa principal apenas surgiu na última temporada. Nesta transição, o médio encontrou alguns desafios. "Mudou a intensidade, a qualidade dos adversários. Mas com o tempo vou-me habituando, sinto-me cada vez mais adaptado à Primeira Liga".

"Com bola sou um jogador muito sereno, com qualidade. Sei que com o passar do tempo de jogo as coisas vão acontecer. Agora, na minha posição, o que o mister me diz é que não posso perder a intensidade, essa concentração nos duelo. Tenho de me manter focado nesses capítulos do jogo", explica Paulo Estrela sobre as mensagens que recebe da equipa técnica de Paulo Sérgio.

Seja como médio mais recuado ou como interior, Paulo Estrela assume a preocupação com o sentido posicional, a interpretação do jogo."Não posso dizer que tente copiar alguém, mas há jogadores que gosto mais de ver do que outros, isso é normal. Na posição onde jogo, jogadores como Busquets e Pirlo sempre me chamaram muito à atenção. Se tivesse de escolher, diria que são os jogadores que mais gosto de ver naquela posição".

O médio está agora entre as opções regulares da primeira equipa e estreou-se a marca com o Desportivo de Chaves, de grande penalidade. No final do jogo, Paulo Sérgio anunciou que Estrela assumiu a cobrança porque é o melhor do plantel nesse momento do jogo. "É uma questão de trabalho. Cada vez mais as bolas paradas são importantes no jogo. Sempre tive muita atenção a esse aspeto, e com o passar dos anos fui tentando evoluir. Tento bater de formas diferentes na bola, dependendo da zona do terreno".

No calendário, após a pausa para as seleções, o Portimonense aponta agora para os jogos com Vizela, FC Porto e Rio Ave. Para Paulo Estrela, a possibilidade de reencontro com o antigo clube, agora na elite. "É mais um jogo. Claro que é um clube que me diz muito, fiz toda a minha formação no FC Porto. Mas tal como quero jogar com o Porto, quero jogar com o Vizela, e depois quero jogar com o Rio Ave".

Seja no Dragão, em Vila do Conde ou Portimão, os jogadores do Portimonense sentem a necessidade de manter uma matriz. "É a mensagem que o mister nos passa. Queremos ser protagonistas no jogo, ter bola, realizar o nosso jogo e criar oportunidades. Tudo isso sem nunca descurar o que temos de fazer sem bola. Este misto, estas ideias que o treinador nos passa tem sido o segredo para as coisas estarem a correr bem".

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