"Portugal é favorito." A garantia de Júnior Moraes, ponta de lança da Ucrânia

Em entrevista exclusiva à TSF, durante o estágio da seleção, o jogador atribui favoritismo a Portugal para o jogo desta segunda-feira. Nascido no Brasil e naturalizado ucraniano o avançado fala da queixa contra a Ucrânia movido por Portugal e Luxemburgo, mas também de Luís Castro e do interesse de clubes portugueses.

Júnior Moraes tem sobre os ombros uma enorme responsabilidade num momento em que a seleção da Ucrânia gera uma grande onda de entusiasmo naquele país. O melhor marcador do campeonato ucraniano apontou nove golos em apenas dez jogos pelo Shakhtar na liga, mas ainda não conseguiu marcar pela seleção.

Apesar de liderar o grupo de qualificação para o Euro2020, a Ucrânia sacode a pressão para o lado de Portugal. O avançado garante que Portugal é favorito para o jogo desta segunda-feira.

"Penso que, tal como na primeira partida em Portugal, temos condições para fazer um bom jogo e discutir o resultado. Mas também sabemos que Portugal é favorito, está em grande, tem muitos jogadores em grandes clubes. Não será fácil para Portugal mas acredito que é favorito", afiança Júnior Moraes em entrevista à TSF, num momento em que está em estágio com a equipa, após o jogo com a Lituânia.

Júnior Moraes estreou-se pela seleção da Ucrânia a 22 de março deste ano, precisamente contra Portugal, no Estádio da Luz. Não marcou nesse jogo, um empate a zero. Não marcou nos quatro jogos seguintes pela equipa nacional, mas deixa água na boca aos adeptos com pormenores como o que no último encontro, frente à Lituânia, quando serviu de calcanhar Malinovskyi, para o primeiro golo da partida.

O percurso do jogador naturalizado ucraniano começou com polémica. Em março deste ano, a federação do Luxemburgo apresentou queixa à UEFA por alegada utilização irregular de Júnior Moraes pela seleção da Ucrânia. A federação portuguesa seguiu-lhe o exemplo e fez também uma queixa formal. As duas federações alegavam que Júnior Moraes não cumpria os requisitos para a naturalização, por não ter jogado de forma consecutiva cinco anos na Ucrânia.

"Foi uma situação chata, as duas Federações estarem contra a minha naturalização e querem ganhar pontos fora de campo, penso que foi abusivo da parte deles", comenta Júnior Moraes sobre o litígio. "A minha naturalização foi muito bem pensada pela Federação e por mim. Demoramos algum tempo até tomar a decisão, nada foi feito à pressa, foi tudo tratado por grandes profissionais."

Entusiasmo e uma lenda no banco

No estádio Olímpico de Kiev, a seleção portuguesa vai encontrar um público entusiasmado com as prestações da equipa nacional. O trabalho do antigo avançado Andriy Shevchenko - antiga lenda do futebol local -jogador de Milan, Chelsea e Dínamo de Kiev -, levou a equipa nacional ao primeiro posto do grupo de qualificação onde está a seleção campeã em título, Portugal.

"A equipa técnica é muito experiente. Trabalhou no Milan durante muitos anos, e prepara muito bem todos os jogos. Isso facilita muito a tarefa dos jogadores dentro de campo", aponta Júnior Moraes.

"A Ucrânia gosta de ter a bola, de jogar em ataque planeado, de tentar controlar o jogo, de segurar de saber a hora certa para atacar. Administrar o jogo é isso que temos feito em todos o jogos."

O encontro frente a Portugal pode garantir o apuramento para a Ucrânia e um regresso aos grandes palcos internacionais. Basta um empate para selar a classificação. "Há um grande burburinho à volta do jogo, os bilhetes já esgotaram há duas semanas, vai ser uma grande festa. Esta semana o tempo está bom, não vai estar frio e vai ser uma grande festa", explica.

Para Júnior Moraes, este jogo surge num momento de afirmação, mas o próprio admite que tem faltado o golo. "Penso sempre em poder ajudar a equipa com golos ou assistências, isso é muito importante para mim. Mas sério mais importante ganhar a Portugal ou pelo menos empatar, isso deixar-me-ia mais contente do que eu marcar mas perdemos o jogo".

O jogo decisivo

Portugal é o atual campeão da Europa e, também por isso, estes são dias de entusiasmo na Ucrânia em torno do futebol. "Portugal tem jogadores acima da média em todas as posições. É uma seleção muito equilibrada, tem jogadores com muita qualidade em todos os pontos do campo, por isso é muito versátil e uma defesa muito sólida".

Este jogo no estádio Olímpico - com capacidade para mais de 70 mil adeptos -, pode coroar um apuramento de sonho.

"A Ucrânia de Shevchenko é uma equipa muito forte, um grupo muito unido. Não há nenhum jogador que se destaque. Há grandes nomes como Yarmolenko, Yevhen Konoplyanka, Marlos ou Zinchenko, jogadores com grande nome. No último jogo o Malinovskyi fez dois golos e esteve em grande destaque, mas no jogo anterior o melhor em campo foi o Marlos e contra a Sérvia foi o Viktor Tsygankov", explica o avançado.

No último jogo foi Júnior Moraes a assistir no primeiro golo. De calcanhar ofereceu ao médio Malinovskyi um dos momentos do encontro. O jogador da Atalanta marcou ainda de livre direto.

"É um médio que tem um pé esquerdo especial. Tem uma qualidade técnica acima da média. Costumo brincar com ele a dizer que os remates de fora da área para ele é como se fossem penalties, pela facilidade que ele tem de finalizar e rematar. Evoluiu muito nos últimos anos e é um jogador muito interessante. Mas não diria que é o jogador em melhor forma".

Ligações a Portugal

Júnior Moraes nunca jogou em Portugal, mas o seu destino já se cruzou várias vezes com o futebol português, desde logo por uma relação familiar. "Para mim foi especial estrear-me pela seleção da Ucrânia contra Portugal. É um país de que gosto muito. O meu irmão [Bruno Moraes ex-FC Porto] vive em Portugal há mais de 16 anos e eu todos os anos o visito. Tenho muitos amigos e afinidades com Portugal, portanto, foi uma data muito especial para mim".

"Em 2007, o meu primeiro ano como profissional, estava a fazer uma grande época e houve uma abordagem do FC Porto, mas o Santos [onde jogava no Brasil] entendeu não continuar a conversa e rejeitou qualquer proposta para eu sair".

Essa foi apenas a primeira abordagem. "Em 2010 não estava a viver uma boa fase da minha carreira e queria sair do Brasil e surgiu uma proposta do Belenenses e uma da Roménia. Decidi ir para a Roménia porque a proposta era mais interessante".

Já consagrado no futebol ucraniano, Júnior Moraes cruzou-se com treinadores portugueses no Shakhtar.

"Na temporada passada fui treinado pelo Paulo Fonseca. Foi muito bom para mim, guardo boas recordações. Esta época estou a ter esta boa experiência de trabalhar com o Luís Castro. Antes de tudo, destaco que é uma pessoa incrível, tem-nos passado muitas coisas positivas. Como treinador os números falam por ele. No campeonato 10 vitórias em 10 jogos e na Liga dos Campeões estamos jogar bem com bons resultados. No Shakhtar estão todos contentes com ele e eu também".

Os golos não têm faltado: nove em dez jogos no campeonato. Falta marcar pela seleção.

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