Costa não confude drama da Amazónia com acordo do Mercosul

Primeiro-ministro rejeita a ideia lançada pelo Presidente francês, que ameaçou bloquear o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, por causa dos incidentes na Amazónia.

O primeiro-ministro está solidário com o povo brasileiro que sofre pela Amazónia, mas considera que a tragédia não dever utilizada para pedir o fim do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Questionado pelos jornalistas no Algarve sobre os incêndios que estão a devastar a maior floresta tropical do mundo, António Costa deixou claro que, nesta altura, o Brasil precisa de solidariedade.

"Queria expressar a nossa total solidariedade com o povo brasileiro pela situação dramática que se está a viver. Acho que devemos expressar toda a solidariedade, toda a disponibilidade de apoio que o Brasil entenda que necessita para enfrentar esta situação, que nos tem que preocupar a todos. Agora, não devemos confundir o drama que está a ser vivido na Amazónia, com aquilo que é um acordo comercial muito importante, que levou mais de 20 anos a ser negociado", disse o chefe do executivo português.

António Costa respondia às ameaças do Presidente francês e de outros líderes europeus. O primeiro-ministro, não entende as razões que levaram Macron a colocar em cima da mesa a possibilidade de romper o acordo do Mercosul com a União Europeia.

"A oposição da França e da Irlanda ao acordo do Mercosul é conhecido desde sempre. A França e a Irlanda, com toda a legitimidade, querem proteger a sua produção bovina da produção da América Latina, e o acordo político que chegou permitiu uma solução equilibrada para todas as partes", sublinhou.

Em Portugal, o PAN escreveu ao Presidente da República e ao primeiro-ministro para que intervenham na crise ambiental que paira sobre a Amazónia. O partido instou o chefe de estado e o primeiro-ministro a chamarem os embaixadores do Brasil, Paraguai e Bolívia.

UE coloca experiência ao serviço do combate aos incêndios

A União Europeia (UE) disponibilizou hoje a sua experiência no combate aos incêndios, colocando-se ao serviço dos países que compõe a região da Amazónia, numa declaração da chefe da diplomacia, Federica Mogherini.

"A Amazónia é o coração do nosso planeta, um recurso vital para a humanidade, fundamental no combate às alterações climáticas. Protegê-la e combater os incêndios é uma responsabilidade comum. A União Europeia está pronta a fazer a sua parte e colocar a sua experiência ao serviço de nossos parceiros da bacia amazónica", escreveu Mogherini na rede social Twitter.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (INPE) informou que o número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, grupo dos países mais industrializados do mundo, que se realiza este fim de semana, em Biarritz, sudoeste de França, por se tratar de uma "crise internacional".

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