Quatro dias de festa da Taça

Três grandes, três viagens curtas na prova rainha do futebol português.

Benfica e Porto nas margens sul

Tanto Benfica e FC Porto têm viagens curtas (aliás como o Sporting teve, na quinta feira à noite) nesta terceira ronda da Taça de Portugal (a primeira com equipas primodivisionárias), em que os emblemas da liga principal jogam obrigatoriamente fora de casa (mas não podem defrontar-se entre si).

Águias e Dragões atravessam os rios Tejo e Douro para jogar em Almada (na Cova da Piedade, hoje, às 20h30) e em Vila Nova de Gaia (amanhã, às 18h45).

O Cova da Piedade está no 16º lugar da II Liga, sendo que esta é a quarta vez que defronta o Benfica, sempre na Taça, contando por derrotas as três vezes anteriores: 3-6 na Cova da Piedade, nos quartos de final, em 1972 (triunfo final do Benfica na prova), 0-4 na Luz, nos oitavos, em 1985 (mais um ano em que as águias conquistaram o troféu) e 0-9 na Luz, na segunda ronda, em 1989 (desta vez o Benfica perderia a final, perante o Belenenses).

Vale a pena salientar que o Cova da Piedade participou já em 44 edições da Taça de Portugal, atingindo por duas vezes os quartos de final (em 1972 eliminado pelo Benfica, depois de bater o Barreirense da primeira divisão; e em 2018, afastado pelo Sporting, após surpreender o primodivisionário Marítimo, no Funchal).

Os momentos mais altos na história do clube foram, até hoje, ganhar a III Divisão na época de estreia da prova (1947/48) e em 1970/71, e alcançar os campeonatos profissionais em 2015/16, nos quais se mantêm desde então.

Para eliminar o Benfica da Taça, o Cova teria que fazer mesmo história, uma vez que em toda a sua existência os encarnados apenas foram afastados da prova por adversários de escalões inferiores em três ocasiões: em 1960/61 pelo Vitória de Setúbal (II), em 2002/03 pelo Gondomar (III), na Luz, e em 2006/07 pelo Varzim (II).

Registo bem menos impressionante tem o FC Porto que já caiu aos pés de clubes de escalões inferiores por seis vezes: em 1942/43 (V. Setúbal, II); 1943/44 (Estoril, II), 1947/48 (Barreirense, II), 1969/70 (Tirsense, II), 1998/99 (em casa, pelo Torreense, III) e 2006/07 (em casa, Atlético, III).

Com certeza que o Sporting Clube de Coimbrões tudo fará para se tornar o terceiro clube do terceiro escalão a eliminar o FC Porto da Taça, no jogo de amanhã, mas além das óbvias e abissais diferenças entre as duas equipas há ainda dois fatores importantes a diminuir as já de si ínfimas hipóteses dos gaienses: jogam em casa emprestada, o Estádio Jorge Sampaio, em Pedroso; e o FC Porto (tal como os outros grandes) não deverá fazer grandes alterações no onze inicial mais utilizado uma vez que não compete há duas semanas.

Registe-se que o Coimbrões se encontra no 10º lugar da Série B do Campeonato de Portugal (com 3 vitórias, 1 empate e 3 derrotas), nesta que é a sua 10ª participação consecutiva nos "nacionais", depois de passar a maior parte da sua história nos "distritais". Isto depois de ter jogado várias vezes a segunda divisão nos longínquos anos 1940.

Não é, portanto, por acaso que os dois clubes nunca se defrontaram em competições de carácter nacional. Até porque o Coimbrões apenas disputou a Taça de Portugal em 13 ocasiões, tendo a sua melhor participação acontecido em 2010, quando atingiu a quarta eliminatória, afastando a Oliveirense, da II Liga.

O maior feito do emblema gaiense aconteceu fora do futebol, quando, em 1978, Belmiro Silva representando o SC Coimbrões venceu a 40ª edição da Volta a Portugal em bicicleta. Veremos agora que pedalada terá o popular Coimbrões para acompanhar o poderoso Dragão.

Jogos entre finalistas da Taça

Nesta terceira ronda da Taça de Portugal 2019/20, damos destaque também aos três encontros em que se defrontam clubes que já foram finalistas da competição.

Farense-D.Aves (sábado, 17h00)

Os algarvios (finalistas em 1989/90, derrotados na finalíssima pelo Estrela da Amadora) estão de regresso às ligas profissionais e até ocupam um auspicioso terceiro lugar na II liga. Já o Aves, que venceu a Taça na única final que disputou (perante o Sporting, em 2018), é último da liga principal e perdeu os últimos seis encontros que realizou, incluindo os três encontros disputados fora (foi mesmo duas vezes goleado por 5-1, em Guimarães e Vila do Conde).

O Farense é a 17.ª equipa com mais vitórias em jogos de Taça, enquanto o Aves é 37.º.

D.Chaves-Boavista (domingo, 16h00)

O Chaves, treinado por um vencedor da Taça, José Mota, exatamente ao serviço do Aves, tem igualmente uma presença numa final, em 2009/10, tendo então sido derrotado pelo FC Porto. Os flavienses são quintos na II Liga, tendo somado três vitórias nos três últimos jogos oficiais, enquanto o Boavista conta nesta altura com uma impressionante série de 11 jogos sem perder no campeonato (incluindo quatro da época passada). A tradição dos axadrezados na Taça é notável: são o quarto clube com mais conquistas: cinco, num total de seis finais, o que representa o melhor aproveitamento da prova, com a particularidade de terem vencido um dos grandes na final em quatro das cinco vezes que ganharam o troféu.

O Chaves é 31.º no ranking de jogos ganhos na Taça, enquanto o Boavista é 9.º.

Beira Mar-Marítimo (domingo, 17h00)

O clube de Aveiro está a viver uma segunda vida, com o regresso aos "nacionais", ocupando o segundo lugar da sua série do Campeonato de Portugal, sem derrotas, sob o comando técnico de Ricardo Sousa, o homem que marcou o golo que deu uma Taça de Portugal ao Beira-Mar, em 1999. Essa equipa era treinada pelo pai, António Sousa, e bateu o Campomaiorense na única final disputada pelos aveirenses. Mais finais (duas) tem o seu adversário de domingo, o Marítimo, mas perdeu ambas, para o Sporting em 1995 e para o FC Porto em 2001. A equipa de Nuno Manta Santos segue no 10º lugar do campeonato, mas os últimos encontros que realizou foram para a Taça da Liga: empate em Paços de Ferreira e derrota em Braga.

O Beira-Mar é 21.º no ranking de jogos ganhos na Taça, o Marítimo é 23.º.

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