"Rádio Leão." "Ver" o Sporting num velho rádio de pilhas

Com o título ao virar da esquina, esta é a história de um sportinguista que foi buscar o rádio que, um dia, foi do pai, para acompanhar os últimos jogos do Sporting. "As mãos tremem, parece que o coração vai sair pela boca". Carlos Bezerra fala assim da emoção de ouvir um relato na rádio.

O rádio tem 19 anos, os mesmos que separam os leões do último título e os mesmos que passaram desde a morte do pai.

Faltavam poucos meses para o fim do campeonato e o Sporting já ia no bom caminho para o último título, em 2002. O pai de Carlos Bezerra, já no hospital pediu um rádio de pilhas para acompanhar a equipa. Dava-lhe "mais emoção". Os filhos, que, naquela altura, "faziam tudo por ele", lá compraram o rádio.

Desde pequenino que Carlos aprendeu com o pai a vibrar com os leões. Ainda hoje recorda aquela final da Taça de Portugal, no Jamor, entre o Sporting e o Porto, em que o pai apenas tinha um bilhete e eram dois a querer ver o jogo. Mas isso não o impediu de levar o filho, na altura, com 11 anos: "como eu era pequenito - e ainda sou, só tenho 1 metro e 67 -, ele avançou comigo ao colo, disse que eu tinha 5 anos. E lá entrámos assim!"

Na semana passada, em nome do Sporting, Carlos torceu pelo Benfica, no clássico da Luz, frente ao Futebol Clube do Porto. É o rival de sempre, mas não lhe custou. Durante anos, a família foi emigrante na Suíça e o pai "não nos deixava torcer pelos clubes estrangeiros, quando jogavam lá fora". Para uma criança pequena, não era fácil compreender. Isso só aconteceu mais tarde.

Há 19 anos, aos 49, o pai não viveu para ver o Sporting campeão pela última vez. Carlos guardou até hoje, o rádio e as emoções. "Acho que não vivia até aos 49, se ouvisse tantos relatos, aquilo é uma emoção! Parece que me vai sair o coração pela boca. E, por ser o rádio dele, tremem-me as mãos...arrepia-me, diferente....".

Mesmo assim, é no velho rádio de pilhas que Carlos Bezerra promete ver a caminhada dos leões, até ao fim do campeonato. "No jogo do título, vou ouvir o relato à beira da campa dele". Há muitos anos "que tinha isto na cabeça".

Tantos anos depois, não fosse a pandemia, a festa seria de arromba. Assim, Carlos promete apenas umas "buzinadelas" em família.

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