Rali de Portugal. Engenheiro português do vencedor Elfyn Evans concretiza "sonho de criança"

Rui Soares trabalha na equipa da marca nipónica desde 2019. Elfyn Evans fez questão de agradecer e partilhar o sucesso com o seu engenheiro português.

A vitória de Elfyn Evans e da equipa Toyota no Rali de Portugal foi celebrada de forma especial por Rui Soares, o engenheiro português responsável pelo carro do piloto britânico, que disse ter concretizado "um sonho de criança".

"Há ralis especiais, mas este era, sem dúvida, o 'meu' rali, que sempre quis ter o privilégio de ganhar. Dez anos depois de estar a trabalhar no Mundial, aconteceu. No final, mandei uma mensagem ao Elfyn a agradecer por me ter concretizado um sonho de criança", partilhou Rui Soares à agência Lusa.

O técnico, de 35 anos, que desde 2019 trabalha na equipa da marca nipónica, mereceu uma especial menção de Elfyn Evans durante a consagração como vencedor do rali, com o britânico a fazer questão de agradecer e partilhar o sucesso com o seu engenheiro português.

"Não estava à espera que o mencionasse. Temos uma relação muito boa e fiquei muito contente por ter ganho em Portugal, mas não havia necessidade de me dar crédito. Fiz apenas o meu trabalho e ele também. Fiquei lisonjeado e até um pouco envergonhado por ele ter trazido esse assunto a público", confessou Rui Soares.

Segundo o engenheiro, a chave do sucesso de Elfyn Evans neste rali esteve na "consistência" que o piloto britânico apresentou, mas confessou que, para algumas partes do percurso, lhe deu algumas 'dicas'.

"Havia troços que eu conhecia particularmente bem e que consegui apoiá-lo ainda mais do que em outros ralis. Acho que isso revelou-se um ponto positivo, pois passou-lhe mais alguma confiança", partilhou.

Rui Soares reconheceu que, tal como em outras modalidades desportivas, também no automobilismo "é preciso ter alguma sorte, mas também saber criá-la", lembrando que a Toyota e os seus pilotos conseguiram superar as dificuldades sentidas nos primeiros dias deste Rali de Portugal

"Tínhamos a noção que, ao sermos os primeiros carros a sair para a estrada, estaríamos numa posição difícil para poder lutar por uma boa classificação. Mas, quando os erros dos outros [pilotos rivais] começaram a acontecer, acabámos por os capitalizar para poder fazer a diferença. Estivemos no sítio certo, à hora certa", analisou o engenheiro.

Partilhando que o maior feito da sua carreira no desporto automóvel foi ter sido recrutado para trabalhar na equipa Toyota, Rui Soares também confessou que "estar envolvido nesta vitória no Rali de Portugal foi o ponto mais alto a nível competitivo".

Natural de Aguiar da Beira, e formado em engenharia mecânica na Universidade de Coimbra, que complementou com um mestrado em Espanha, Rui Soares começou a trabalhar nos automóveis na equipa portuguesa ARC Sport, que lhe deu as bases para abraçar, mais tarde, uma experiência numa formação belga.

Nessa equipa, o engenheiro conheceu o piloto neozelandês Hayden Paddon, ajudando-o a vencer o campeonato do mundo de produção em 2011, e, quando Paddon foi recrutado para a equipa oficial da Hyundai, não hesitou em recomendar, em 2015, a contração de Rui Soares.

O técnico lembra que esse percurso ascendente na modalidade foi feito com "muito trabalho e espírito de aventura", deixando como conselho aos jovens engenheiros que aspiram chegar, por exemplo, à categoria máxima dos ralis, que "não tenham medo de se lançar aos desafios".

"Fui para o estrangeiro assim que pude para ganhar experiência e acho que o maior trunfo que nós, portugueses, temos é não ter medo de enfrentar novos desafios. Se alguém quiser seguir este caminho, o melhor que podem fazer é trabalhar, acreditar em si e entregar-se um pouco à sorte", concluiu.

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