Ricardo Pacheco: "O Bolt era um franzino que ninguém conhecia"

Numa altura em que Usain Bolt está prestes a dizer adeus, a TSF recupera o aparecimento de uma das maiores lendas do desporto mundial. Tudo aconteceu em 2002, num Mundial de Juniores, em Kingston.

A história do homem mais veloz do mundo não pode ser narrada em capítulos como qualquer livro que se preze. O que separa cada momento na vida do jamaicano são os triunfos, as medalhas e os recordes. E não há medalha nem história como a primeira para se perceber de que é feito Usain Bolt.

Em 2002, o jamaicano era um rapaz de 15 anos, meio desengonçado que se divertia a correr rápido. O que lhe faltava em técnica, sobrava em talento. E foi por isso que ganhou por mérito próprio a presença nos Mundiais de Juniores de Atletismo desse ano, que decorriam no seu país natal.

Ricardo Pacheco, três anos mais velho, era também um especialista nos 200 metros, e uma esperança do atletismo português. Os dois encontraram-se em Kingston, capital jamaicana, para disputar as eliminatórias dos 200 metros, e Ricardo Pacheco lembra-se bem daquele jovem desconhecido por quem o público puxava incessantemente.

"O Bolt era um desconhecido. Ninguém sabia quem ele era. Para nós, era um franzino, magrinho, um franguinho como nós chamávamos na altura - Não é normal vermos um miúdo de 15 anos num campeonato de juniores", começou por relembrar à TSF.

Mas o anonimato durou pouco, aproximadamente 20,58s, o tempo que Bolt demorou a percorrer a distância, acabando em primeiro, e batendo o seu recorde pessoal. "Ele entra em prova e faz um recorde pessoal de 20,58 logo na primeira eliminatória. Claro que passou de desconhecido ao centro das atenções".

Nas meias-finais, o antigo velocista português correu a três pistas do jamaicano, mas depressa o perdeu de vista, e só se voltaram a encontrar na meta. "Só o vi de costas", confessa entre risos. De seguida veio a final e a primeira medalha de Bolt a nível mundial.

"Recordo-me dos festejos no estádio. Para se ter uma ideia, nós ao caminharmos dentro do estádio parecia que estávamos num festival de verão. Nós andávamos aos encontrões uns aos outros. A festa foi enorme: tambores, cachecóis e muita música", finaliza por entre memórias o português, que já se retirou da modalidade.

Depois desta história, veio a era dourada do jamaicano que todos nós conhecemos e terá o seu epílogo agora em Londres nos Mundiais de Atletismo, onde correrá pela última vez os 100 e os 4x100 metros.

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