Rio Ave-Porto: risco elevado no regresso ao local do "crime"

Na época passada, foi em Vila do Conde que o Porto deixou uma parte importante das suas últimas esperanças de renovar o título e o regresso deste domingo (20.00) poderá ser também complicado, perante uma das equipas que melhor joga em Portugal

O Porto até se costuma dar bem em Vila do Conde. A última vez que aí perdeu foi em 2004 (numa fase do campeonato em que, com o título assegurado, já só pensava na Liga dos Campeões, que viria a conquistar) e desde então venceu 10 vezes e empatou duas.

No entanto, um desses empates aconteceu na época passada e marcou o fim das reais esperanças de passar o Benfica na classificação. Pior ainda foi a forma como aconteceu o empate, dada a recuperação vila-condense, com dois golos nos últimos cinco minutos do encontro, o que provocou a ira dos adeptos portistas no estádio, nomeadamente dos Super Dragões.

Igualmente importante é perceber que este Rio Ave é um clube que tem vindo a solidificar a sua posição entre os projetos mais consistentes do atual futebol nacional: nas últimas quatro temporadas a pior classificação obtida no campeonato foi um sétimo lugar

Duas equipas em alta - jogo renhido em perspetiva

A favor do Porto está a evolução muito positiva da equipa após o desconsolo provocado pelo afastamento da Liga dos Campeões. Os azuis e brancos levam cinco vitórias consecutivas no campeonato (sete em todas as competições), sendo até ao momento a formação com melhores números ofensivos da liga, em média por jogo: é a que marca mais golos (2.5), a que cria mais ocasiões (7.5), remata mais (17.8), a que acerta mais no alvo (7,2) e que tem mais remates na área adversária (9.7). Lidera ainda na posse de bola (58%) e no número de dribles bem sucedidos (12.5).

O Porto possui ainda o melhor marcador do campeonato (a par de Pizzi), com seis golos em seis partidas. Falamos de Zé Luís, que apresenta um bom aproveitamento das ocasiões: em 12 situações marcou metade. Marega, por exemplo, continua neste aspeto, fiel ao seu padrão recente: necessita de três oportunidades para marcar um golo. Também em termos da relação remates-golo, Zé Luís supera o maliano: precisa de 3,3 tentativas para marcar um golo, enquanto Marega necessita de seis. Já este último destaca-se mais no capítulo das assistências (duas na Liga, contra zero do cabo-verdiano). Referência ainda para o facto dos melhores assistentes do Porto no campeonato têm todos dois passes para golo (Marega, Octávio e Corona).

Este é um dado que não surge por acaso, uma vez que o flanco direito do dragão tem sido o grande "fornecedor" de golos à equipa: cinco dos sete tentos obtidos em jogadas de bola corrida. Igualmente impressionante, ainda que recorrente desde a chegada de Conceição ao Porto é a importância determinante das bolas paradas na concretização: mais de metade dos golos na liga foram apontados desta forma - quatro de canto, dois de livre lateral e dois de penalti.

Pese o bom momento portista, não terá sido por mero "bluff" que Sérgio Conceição afirmou que o jogo deste domingo era dos mais complicados do campeonato. Em Vila de Conde, o Porto vai defrontar uma das equipas com números ofensivos mais interessantes da liga: o Rio Ave é o terceiro melhor ataque (13 golos) e dos que mais remates consegue na área adversária (8.7 por encontro, quarto melhor registo, à frente do de Benfica e Sporting).

A equipa de Carlos Carvalhal é mesmo uma das que pratica um futebol mais atrativo na liga portuguesa, a par do Vitória de Guimarães e do Famalicão. Não tem medo de ter a bola, circula-a bem por todo o campo, com a devida paciência (sexta equipa com mais passes totalizados), variando muitas vezes o flanco e explorando muito bem as costas da defesa contrária. Ou seja, o Rio Ave atual não só quer a bola, como tem muita qualidade na sua posse, sabendo muito bem o que fazer com ela. Para isso é fundamental a presença de dois médios-centro de enorme versatilidade, fortes a defender mas também a construir: o experiente Tarantini (o jogador em atividade com mais encontros na liga, 293, tendo marcado nas últimas 10 edições da prova) e Filipe Augusto, que não se impôs no Benfica.

Os riavistas têm como melhores marcadores Bruno Moreira e Filipe Augusto (três golos cada um) enquanto Carlos Mané e Nuno Santos lideram nas assistências (duas cada um). Mas a grande figura da equipa é neste momento o esquerdino Nuno Santos (também já marcou um golo), que funcionando como extremo direito, desequilibra facilmente, tanto no drible como passe: é um dos dois jogadores do campeonato que faz mais passes para finalização (3.2 por jogo, a par de Bruno Fernandes).

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