Rui Bragança e o torneio de taekwondo onde "tudo pode acontecer"

Foi o primeiro atleta português a vencer um combate numa prova olímpica de Taekwondo. Rui Bragança espera deixar Tóquio com um resultado que ajude a modalidade a crescer em Portugal. Depois do nono lugar em 2016, o minhoto garante que tudo pode acontecer no torneio olímpico.

Os meses de incerteza, as horas de treino sozinho, muitas horas de treino, resultam na segunda participação olímpica para Rui Bragança. Já medalhado em europeus e mundiais, o atleta português de 29 anos prefere não prometer nada à partida para o Japão. Espera um dia bom no momento dos combates. Tudo pode acontecer no taekwondo.

"Prometo dar o máximo. O resto será consequência. O taekwondo é um desporto muito volátil. Temos os 16 melhores atletas do mundo e, tal como demonstraram nos últimos Jogos Olímpicos, nem sempre é o número um do mundo naquele momento que vence a prova", explica Rui Bragança.

O percurso até Tóquio foi mais longo do que o esperado. Os Jogos Olímpicos adiados e os meses de pandemia que obrigaram ao recolhimento, aos treinos só, levaram Rui Bragança a ter de adaptar planos. A terminar a formação em medicina, o atleta natural de Guimarães antecipou a estratégia. Tentou ajudar no apoio à linha de saúde 24 nas primeiras semanas de confinamento, logo depois de anunciada a pandemia. "Apesar de não ter conseguido, tentei. Senti que era um desperdício eu não ajudar."

Nova reformulação da estratégia. Antecipar a formação académica, voltar aos treinos. "Já tinha planeado iniciar o internato de formação geral após os Jogos, mas como foram adiados, decidi avançar. Com a ajuda dos tutores do hospital consegui manter sempre um bom ritmo, tanto de treinos como de trabalho, e por isso fiz tudo sem deixar nada para trás." Para depois fica a escolha da especialidade médica, uma decisão que, conta Rui Bragança. "Quando o tempo chegar, então trato disso."

E que têm em comum a medicina e o taekwondo? "Se consigo decorar um livro então também consigo decorar o que os meus adversários fazem ou já fizeram. Quando há lesões consigo perceber um pouco melhor o que está a acontecer. Ainda assim, tento deixar a medicina um pouco fora do taekwondo. Sei que o que fazemos não é saudável, das dietas aos treinos no limite, diariamente, durante quatro horas -, por isso deixo a parte médica de fora para não criar 'macaquinhos no cérebro'."

Tudo na modalidade é estratégico. "As pernas parecem voar na nossa direção", explica Rui Bragança. "Seria como um jogo de xadrez misturado com esgrima. Se só fizermos pontapé à sorte, então só acontecem duas coisas: ou há choque, e por isso vamo-nos aleijar, ou pelo contrário, o adversário vai ser mais inteligente, apanhar os sinais, e por isso vamos perder. Por isso, temos de pensar algumas jogadas mais à frente, provocar alguma técnica, para contra-atacar da forma certa e defender a iniciativa do adversário." Simplificando ainda mais, "cada pontapé no colete vale dois pontos, sendo que na cabeça vale três pontos. Se antes disto fizer uma rotação, então somamos dois pontos extra".

A mala para Tóquio foi preparada com antecedência. Nela não podem faltar as balanças. A balança para os alimentos e a balança para avaliar o peso corporal. Rui Bragança compete na categoria de -58kg. É esse o peso máximo que tem de surgir indicado no momento da pesagem. Também aqui entra a medicina. "Neste momento estou com 61,2 kg. O plano é manter este peso até lá e depois, entrar na fase de desidratação. Mas prefiro não entrar em detalhes, até porque é algo que não deve ser feito sem acompanhamento médico."

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