Substituição de Vieira? Rui Costa é "parte do problema e não uma solução"

Rui Gomes da Silva defende a demissão de Luís Filipe Vieira.

Rui Gomes da Silva, ex-dirigente do Benfica e antigo candidato à presidência do clube que integrou também as direções de Luís Filipe Vieira, defende a demissão do presidente, mas lembra que há responsáveis na SAD pela atual situação.

"Pode haver um conjunto de decisões que foram tomadas e executadas pelo Luís Filipe Vieira, mas algumas tiveram de ter a assinatura de alguém, nomeadamente das pessoas que, dentro da SAD, assinaram ou, de alguma maneira, foram coniventes com o silêncio em relação a questões que todos sabiam que eram estas. Aquilo que pergunto é: essas pessoas têm condições para continuar? Já o mesmo não se passa em relação à direção do Sport Lisboa e Benfica, aquelas pessoas que não têm interferência na SAD. Têm de decidir, em função dos estatutos, se têm condições e legitimidade para continuar", explicou Rui Gomes da Silva no Fórum TSF.

Para o ex-dirigente do Benfica, Rui Costa não é solução.

"Rui Costa vai ser parte do problema do Benfica e não uma solução, mas também acho que a tentação vai ser uma fuga para a frente, ganhar tempo. Arranjar o Rui Costa ou outro para tentar compor o ramalhete e, de alguma maneira, tentarem salvar-se de algumas coisas que todos cá fora viam e eles próprios não", acrescentou o antigo candidato à presidência do clube.

O presidente do Benfica deverá ser ouvido esta quinta-feira em primeiro interrogatório judicial na sequência da sua detenção, na quarta-feira, no âmbito de uma investigação a alegados crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento.

Luís Filipe Vieira é uma das quatro pessoas detidas que, segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), são suspeitas de estarem envolvidas em "negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Está previsto que os quatro detidos sejam presentes esta quinta-feira a primeiro interrogatório judicial, do qual poderá resultar a aplicação de medidas coação, "com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas".

O DCIAP informou na quarta-feira que foram detidos um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol e realizados cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária, em Lisboa, Torres Vedras e Braga.

Em causa estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de configurarem "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

O Benfica reagiu ainda na quarta-feira à detenção de Luís Filipe Vieira e a direção disse estar "firmemente determinada" a defender os interesses do clube lisboeta, pouco tempo depois de a SAD encarnada ter indicado que as funções do presidente serão "asseguradas nos termos previstos na lei e nos estatutos" da sociedade.

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