"Jogadores a vomitar sangue." Seleção da Guiné-Bissau sofre intoxicação alimentar

Praticamente todos os jogadores e os elementos da equipa técnica - em que se incluem três portugueses - estão com vómitos e diarreia desde o jantar de terça-feira.

O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, Carlos Teixeira, disse esta quarta-feira à Lusa que a seleção de futebol do país, que deveria defrontar Marrocos esta noite, sofreu uma intoxicação alimentar e poderá faltar ao jogo.

"Nestas condições, não vou mandar os jogadores para o campo, seria um ato criminoso da minha parte", afirmou Carlos Teixeira, num contacto telefónico a partir de Marrocos.

Segundo o presidente da Federação guineense, praticamente todos os jogadores e os elementos da equipa técnica - em que se incluem três portugueses - estão com vómitos e diarreia desde o jantar de terça-feira.

Alguns jogadores foram assistidos no hospital, onde, disse Carlos Teixeira, receberam soro e outros tratamentos.

"Tirando Alfa Semedo e um ou outro, todos os jogadores estão com diarreia e vómitos. Assim não dá", observou o presidente da Federação guineense de futebol.

Carlos Teixeira disse ainda que está a tentar contactar o comissário do jogo, de nacionalidade serra-leonesa, mas ainda não conseguiu, para lhe comunicar a situação.

O presidente da Federação guineense de futebol já informou as autoridades do país. A Guiné-Bissau deveria defrontar Marrocos esta quarta-feira à noite em jogo da terceira jornada do Grupo I para o apuramento para o Mundial de Qatar, que se realiza no próximo ano.

João Moreira Silva, da equipa técnica da Guiné-Bissau, descreveu à TSF o início deste drama.

"Fomos jantar e mesmo no decorrer do jantar já existiam alguns jogadores que não se estavam a sentir bem, estavam a sentir-se estranhos. No final do jantar houve jogadores que começaram a vomitar. Entretanto viemos para os quartos, fazer o recolher normal, e todos, sem exceção, estávamos com o estômago muito inchado, os jogadores a vomitar, alguns sangue, e com diarreias brutais", explicou João Moreira Silva.

O técnico, também antigo preparador físico do FC Porto e Braga, acha estranho que este problema tenha surgido apenas na sala onde decorreu a refeição da comitiva da Guiné-Bissau.

"Não sei o que se passou, não quero estar a atirar culpas para A ou B, mas é um facto que isto nos aconteceu depois do jantar. A comitiva tem jornalistas, convidados e estão perfeitamente normais. Algo se passou aqui na nossa sala. Perante este cenário, se os jogadores da Guiné-Bissau entrarem em campo é um ato heróico", afirmou o membro da equipa técnica da Guiné-Bissau.

Não é a primeira vez que João Moreira da Silva treina uma seleção africana e lamenta que situações destas continuem a acontecer.

"Isto é inacreditável, não pode acontecer. Já treinei uma seleção africana, a de Angola, em 2012, e ouvimos sempre relatos de que isto acontece, mas nunca me tinha acontecido, é a primeira vez. É uma cena absolutamente lamentável, sinto-me envergonhado por participar numa cena destas. Os jogadores neste momento não estão a 100% nem a 50% para defender a sua bandeira, o seu país", acrescentou João Moreira da Silva.

O jogo, inicialmente, era para ser realizado na Guiné-Bissau, mas, dadas as más condições do estádio nacional 24 de setembro em Bissau, a Confederação Africana de Futebol (CAF) marcou-o em Marrocos.

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