Buscas no SC Braga, Vitória de Guimarães e Deco. MP investiga negócios de 15 milhões

O Ministério Público adianta que estão em curso cerca de duas dezenas de buscas domiciliária e não domiciliárias.

Há novas buscas para investigar os negócios do futebol. A Autoridade Tributária, o Ministério Público e o juiz Carlos Alexandre estão, esta quarta-feira, a realizar buscas às instalações do Sporting de Braga, confirmou a TSF.

De acordo com o Correio da Manhã, as buscas decorrem no âmbito da operação Fora de Jogo e em causa estarão suspeitas de fraude fiscal. As buscas estão a ser feitas nas instalações do clube, que tem grande parte da estrutura diretiva na Dinamarca, onde esta quinta-feira os arsenalistas vão jogar com o Midtjylland para a Liga Europa.

Também o estádio do Vitória Sport Clube em Guimarães está a ser alvo de buscas. A informação foi adiantada pelo Correio da Manhã e confirmada pela TSF. A TSF sabe que estão a ser investigados negócios de transferências de jogadores entre 2010 e 2020, bem como o contrato feito com a Altice no âmbito de direitos televisivos em 2016.

Além do SC Braga e do Vitória SC, o antigo futebolista Deco também está a ser alvo de buscas por parte do Ministério Público e da Autoridade Tributária, avança a CNN Portugal.

Em comunicado, o Departamento Centra Investigação Ação Penal (DCIAP) avança que estão em curso cerca de duas dezenas de buscas domiciliária e não domiciliárias, "designadamente em instalações de Sociedades Anónimas Desportivas, em empresas e em escritório de advogados".

Fonte da Polícia de Segurança Pública avançou à Lusa que a PSP está neste momento a realizar buscas, juntamente com a Autoridade Tributária, na SAD do Braga e do Guimarães, bem como nas instalações da Gestifute de Lisboa e Porto, empresa de gestão de carreiras de profissionais desportivos liderada pelo agente Jorge Mendes.

"Em causa estão suspeitas de negócios simulados, celebrados entre clubes de futebol e terceiros, que tiveram em vista a ocultação de rendimentos do trabalho dependente, sujeitos a declaração e a retenção na fonte, em sede de IRS, envolvendo jogadores de futebol profissional. Os valores envolvidos rondarão os 15 milhões de euros", acrescenta o DCIAP.

O MP adianta ainda que estas diligências foram ordenadas na sequência da análise do material apreendido no decurso das buscas realizadas em março de 2020, na operação então designada de 'Fora de Jogo', e que "os factos em investigação são suscetíveis de integrarem crimes de fraude fiscal, fraude à segurança social e branqueamento de capitais".

A mesma fonte acrescentou que participam nas diligências um magistrado judicial, cinco magistrados do MP, quatro dezenas de efetivos da Autoridade Tributária (AT) e cerca de meia centena de militares da Unidade de Ação Fiscal da Guarda Nacional Republicana (GNR).

A operação Fora de Jogo levou, a 04 de março de 2020, à constituição de 47 arguidos, 24 pessoas coletivas e 23 pessoas singulares, após buscas em várias entidades ligadas ao universo do futebol.

Entre os arguidos contam-se "jogadores de futebol, agentes ou intermediários, advogados e dirigentes desportivos", especificou, então, a Procuradoria-Geral da República (PGR), sublinhando que "em causa estão suspeitas da prática de factos suscetíveis de integrarem crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais".

E acrescentou: "No inquérito investigam-se negócios do futebol profissional, efetuados a partir do ano de 2015, e que terão envolvido atuações destinadas a evitar o pagamento das prestações tributárias devidas ao Estado português, através da ocultação ou alteração de valores e outros atos inerentes a esses negócios com reflexo na determinação das mesmas prestações".

Na altura, as SAD de Benfica, FC Porto, Sporting, Sporting de Braga e Vitória de Guimarães confirmaram a realização de buscas, atestando a disponibilidade para colaborarem com as autoridades.

A operação desta quarta-feira acontece dois dias depois da Inspeção Tributária e Ministério Público terem realizado buscas no Estádio do Dragão. O alvo da equipa do procurador Rosário Teixeira foi a SAD do FC Porto e, em causa, estavam suspeitas relativas a contratos de direitos televisivos e de venda de jogadores, bem como crimes de fraude fiscal, abuso de confiança, burla qualificada e branqueamento de capitais.

* Atualizado às 14h05

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