Tamila Holub e o sonho de colocar Portugal numa final da natação 37 anos depois

A presença nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, com 17 anos, foi algo inesperado, admite Tamila Holub. Agora, cinco anos depois, a nadadora acredita que pode colocar Portugal novamente numa final. E já lá vão 37 anos desde a primeira - e única - presença.

Na preparação para Tóquio, Tamila Holub passou por um período irrepetível na carreira. A pandemia obrigou-a a deixar de treinar, afastou-a das piscinas por alguns meses, algo que não acontecia desde a infância. Mas a nadadora bracarense acredita que esse período de pausa forçada a ajudou.

"Não podes pensar em coisas que não podes controlar", explica Tamila Holub sobre a decisão de adiamento dos jogos para 2021. "Estive dois meses sem treinar, algo que não acontecia, sei lá, desde os oito anos de idade. Para ser sincera, foi bom", recorda. Esse período ajudou-a a limpar a cabeça, foi dedicado à família.

Difícil foi o regresso à piscina. "O corpo não quer, habituou-se a uma vida boa e descansada, não quer voltar a sofrer. A natação, e o desporto em geral, é algo muito bonito. Mas quando chega treino, a fase de competição, quando tens de ter "os pulmões a arder", já não é tão engraçado. Mas somos atletas de alta competição, sabemos que temos de abdicar do descanso para ser mais competitivos", explica a atleta portuguesa.

Os objetivos para Tóquio estão bem definidos. A participar nas provas de 800 e 1.500 metros, Tamila quer fazer história. "O grande objetivo é o top oito, estar numa final, para mim, seria, neste momento, como vencer uma medalha. A natação portuguesa só esteve numa final por uma vez, aconteceu com Alexandre Yokoshi, já lá vão quase 40 anos." Essa marca, conseguida em 1984, em Los Angeles, não mais foi repetida por nadadores nacionais.

"A natação portuguesa evoluiu muito nestes últimos anos. Os resultados dos últimos campeonatos do mundo e da Europa mostram isso", afirma Tamila Holub. Para ela, estes são os primeiros Jogos preparados exclusivamente a pensar nesta prova. Em 2016, chegou ao Rio de Janeiro, com 17 anos, quase por acidente, explica. Queria uma medalha nos Europeus desse ano, e conseguiu.

Chegou o momento de travar um pouco. "Esta é a fase mais engraçada do treino. Estamos na reta final, o trabalho mais duro já está feito. Há que ter cuidado com as lesões, com a alimentação." Ficaram para trás os meses de treino no limite das seis horas de trabalho, dentro e fora de água. "Agora são quatro ou cinco horas", aponta.

Para além dos estágios em altitude, a federação preparou um outro momento para os atletas antes da presença em Tóquio. O estágio em Tenerife, com piscina aberta, sem teto, finalmente. Isso já foi para trabalhar o aspeto psicológico, porque a natação é uma modalidade monótona. Mudar de ambiente é importante.

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