Carlos Alcaraz
ténis

"Tem ingredientes de grande campeão." A ascensão meteórica de "Carlitos" Alcaraz

2022 viu nascer uma nova estrela no ténis. Carlos Alcaraz, de 19 anos, é o tenista do momento após vencer Rafael Nadal e Novak Djokovic no mesmo torneio. Na semana em que arrancou o Roland Garros, a TSF leva-o a conhecer as origens da nova coqueluche do desporto mundial.

​"Viva El Palmar y Viva Múrcia!". Em Madrid, Carlos Alcaraz assinou em letras garrafais uma série de exibições que vieram confirmar aquilo que o mundo do ténis já antecipava. Era uma questão de tempo até que o jovem de 19 anos chegasse às finais dos grandes palcos, um jogo de paciência até que alcançasse os maiores do ranking.

Em Madrid, a duas semanas de Roland Garros, Alcaraz venceu Rafael Nadal, Novak Djokovic e Alexander Zverev. Na final festejou com o público e rubricou a lente da câmara de transmissão televisiva com uma palavra de ordem que remete para as suas origens, em Múrcia.

Além da admiração do público, Alcaraz também é elogiado pelos seus pares. Na entrevista, logo após ter perdido, o alemão Zverev brincou com o novo campeão: "Agora, és o melhor do Mundo. É muito bom ver isto no ténis por ter uma superestrela que vai ganhar tantos Grand Slams e ser número um. Vais ganhar este torneio muitas mais vezes", aludia o germânico numa homenagem a Alcaraz pós-final.

Às palavras de Zverev, Alcaraz respondeu com um gesto terreno. "Eu sei que acabei de ganhar a três dos quatro melhores do Mundo, venci em Barcelona e Madrid", apontou, "mas ainda tenho pelo menos cinco jogadores à frente (...) Djokovic é o número um do Mundo". A luta pelo primeiro lugar do ranking mundial tem um novo concorrente.

O comentador de ténis da TSF, Pedro Couto, considera que a vitória em Madrid sobre Rafael Nadal significa "uma passagem de testemunho", mas lembra que "agora é preciso consolidar".

Quando pisou e venceu na quadra do Oeiras Open, em maio de 2021, Alcaraz estava posicionado no 114.º lugar da lista de melhores tenistas do mundo. Pedro Couto recorda a conversa que teve com Alcaraz e com o seu treinador, Juan Carlos Ferrero - El mosquito, antigo número 1 do mundo. "Já se percebia que tinha uma aura em torno dele", explica, "pela humildade, é um tenista que tem tudo para dar certo".

Oriundo de uma família de quatro irmãos, filho de um antigo tenista que esteve entre a elite do ténis espanhol. O irmão mais novo, Jaime, dá nas vistas aos dez anos de idade. Com o mestre Juan Carlos Ferrero, Alcaraz partilha um percurso que conheceu também em Portugal paralelo, com a conquista dos torneios jovens na Maia. "Parece-me bastante focado naquilo que tem em mente. Um ano depois daquela entrevista, é número seis do mundo", sublinha Pedro Couto.

Este domingo, o espanhol irá pisar a terra batida de Roland Garros pela primeira vez. O adversário será o argentino Juan Ignacio Londero, um dos lucky-losers da classificação para o quadro principal da competição em solo parisiense.

Alcaraz tem "ingredientes de grande campeão"

Juan Viguera, da Federação Real Espanhola de Ténis, já conhece Carlos Alcaraz e a família há muitos anos - viu-o crescer em torneios e nos treinos na academia Juan Carlos Navarro, onde foi diretor. Por isso, considera que o jovem de 19 anos, natural de El Palmar, em Múrcia, "tem todas as características" para marcar uma geração de tenistas.

"As suas pancadas, com a direita e os vóleis", descreve mas também destacando algumas características que o diferenciam dos demais tenistas da mesma nacionalidade, porque "vai jogar perto da rede", um hábito estimulado pelo pai durante os treinos, conta Juan Viguera. O responsável da federação espanhola, nota ainda uma "agressividade" pouco habitual no ténis espanhol, uma atitude pró-ativa, de quem procura o protagonismo e a iniciativa.

"É muito trabalhador. Nos últimos anos, basta ver a evolução que teve a nível físico, com a força e a resistência que ganhou", recorda Juan Viguera. São "ingredientes de um grande campeão", nota. "Existem grandes jogadores, mas que não têm grande paixão pelo seu desporto, mas o Carlos está todos os dias a ver jogos e a analisar os seus rivais", revela, e, por isso, "todos gostam de o ver jogar porque transmite alegria, paixão e muita emoção quando se empolga, quando grita 'vamos!'. É por isso que toda a gente fala dele".

"Passo a passo". Quando questionado sobre uma possível vitória em Roland Garros, Juan Viguera recordou as palavras de Alcaraz, porque "ele sabe que, se não estiver a 100% pode perder em qualquer momento, mas ele tem muita confiança nas suas capacidades".

Muita da confiança advém de um dos seus ídolos. "Ele inspira-se muito em Rafa Nadal, na carreira dele e na forma como comunica, com a ideia de que no ténis há sempre possibilidade perder quando estás ao mais alto nível, o que já aconteceu, perdeu em Monte Carlo com o [Sebastian] Korda. Ele sabe que pode sempre perder", conclui.

Em França com tempo para uma sesta

O comentador de ténis da TSF, Pedro Couto, considera que Alcaraz tem "um potencial enorme, mas agora precisa da consolidação" e vencer mais jogos e troféus, porque o sucesso na modalidade pode ser "bastante efémero".

"Muitos jogadores apareceram e desapareceram com a mesma rapidez com que surgiram", mas, na opinião do comentador, "não parece ser o caso" com o espanhol de Múrcia. A sustentabilidade, humildade, vontade de vencer, o juízo e alguma sorte são algumas das qualidades que enumera para ter um futuro risonho.

Em entrevista à Marca, Carlos Alcaraz revela que tem hábitos que não quer perder. Revelou que faz de tudo para ter horários, só dessa forma pode "ter tempo para dormir uma sesta". Os hábitos fazem parte da preparação.

"Fisicamente sou um touro. Não tenho medo de jogar cinco sets contra os melhores, estou preparado", revela o tenista de 19 anos. "Sou um rapaz de família, gosto de estar em Múrcia, também com os meus amigos. Nunca vou perder esta forma de ser, sei de onde venho, de Palmar, da aldeia onde fui criado".

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