Tiago Barbosa, o Ronaldo da investigação cientifica desportiva mundial
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Tiago Barbosa, o Ronaldo da investigação cientifica desportiva mundial

É o Cristiano Ronaldo da investigação mundial desportiva para atletas de alta competição. É do Porto e dá aulas no Politécnico de Bragança. Desde 2012 que integrou os quadros da maior universidade de investigação de Singapura. Foi lá que trabalhou e averiguou técnicas de vanguarda para ajudar a otimizar os resultados desportivos em atletas de alta competição.

Em Singapura foi também consultor do Ministério da Educação e do Ministério do Desporto. Este ano viu distinguido o seu trabalho como o mais completo e o mais abrangente para os desportos de alto rendimento.

Depois de 14 anos em Bragança como docente de Ciências do desporto, fez o doutoramento na área e em 2012 partiu para a Nanyang Technologic Universyti em Singapura. "O meu trabalho era dar aulas, licenciaturas, mestrados e doutoramentos e fazer investigação. Publicava artigos e dava também apoio e consultoria ao Ministério da Educação de Singapura e ao Ministério do Desporto através do Instituto de Ciência e Desporto de Singapura".

Na bagagem já levava investigação feita em Portugal mas foi no oriente que se destacou na investigação de aplicação prática ao alto rendimento dos atletas. " E quando falamos no desporto de alto rendimento são as modalidades em que nós podemos medir tudo a partir dum cronómetro. Falamos da natação, o atletismo, a canoagem, remo, etc.".

O que na prática é "criar soluções para resolver problemas, angústias ou dificuldades que os atletas tenham, predominantemente atletas de alto rendimento, aqueles que têm por objetivo competir em campeonatos da Europa ou da Ásia, campeonatos do mundo e jogos olímpicos".

Trabalho que Tiago Barbosa fazia na Ásia e à distância, também com Portugal. "Fazia colaborações com a Federação Portuguesa de Natação e também com atletas Paraolímpicos".

E o acompanhamento mais visível na área do desporto adaptado foi com o atleta paraolímpico vila-realense Mário Trindade. "Que competiu nos jogos Paraolímpicos de 2016, na final e ficámos muito orgulhosos cm o desempenho dele".

Mas tem sido na natação que Tiago Barbosa mais contributos tem dado. Uma ajuda coreográfica diz o investigador. "Toda a estratégia que temos ao dar-lhes apoio é ver que é a melhor coreografia para eles, o que é que eles devem fazer, será que devem fazer mais uma respiração ou menos uma respiração? Será que devem fazer mais pernadas ou menos, debaixo de água? Ou seja, qual é a melhor estratégia para terem o melhor rendimento desportivo".

E sempre com uma estratégia adequada a cada atleta, salienta o investigador, "há um conjunto de análises científicas, um conjunto de técnicas que temos, com vista a isso: determinar qual é a melhor solução porque as soluções têm de ser personalizadas".

Um processo "que é feito com regularidade" acrescenta Tiago Barbosa.

Para demonstrar a importância destes contributos para o sucesso, o investigador fala do exemplo da equipa de natação da Austrália.

"Em alguns jogos Olímpicos eles levam aproximadamente 40 nadadores e levam como staff de apoio mais de 20 pessoas. São os treinadores mas também é mais gente como o fisiologista, o nutricionista, o psicólogo, o fisioterapeuta, etc. É uma máquina montada que tem em vista a maximização do atleta. Estou a dar o exemplo da Austrália mas podia dar o exemplo de muitos mais países que o fazem".

E fazem-no baseados em muita investigação feita em Portugal e por portugueses, salienta Tiago Barbosa. "Portugal é uma potência em termos das Ciências do Desporto. Eu viajei muito pelo mundo e não era raro ver ser utilizado conhecimento científico, tecnologia portuguesa, por alguns países como a Austrália, os Estados Unidos e outras grandes potências. Eles estão a utilizar e a maximizar tecnologia e conhecimento portugueses que são realizados em Portugal."

Durante os últimos dez anos trabalhou com centenas de atletas portugueses e estrangeiros de alta competição e foi neste período que a sua investigação o atirou para o primeiro lugar mundial na criação científica. Aceita-o com a humildade dos grandes. "Não me considero o melhor, de todo. O que posso garantir é que sou tão esforçado como o melhor", conclui.

Em Singapura foi eleito o melhor investigador do ano. Entre outros, em Portugal, nos últimos três foi distinguido pelo Comité Olímpico. Agora de volta ao Politécnico de Bragança deixa a promessa de continuar, ao perto ou ao longe, a trabalhar para ajudar os melhores a serem ainda melhores.

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