Tóquio 2020. Desidratação dos atletas é um dos principais motivos de preocupação

Nutricionista da Missão de Portugal revelou que uma das suas principais ocupações na capital japonesa vai ser desenvolver estratégias para ajudar os atletas a recuperarem deste desequilíbrio.

Os resultados nos Jogos Olímpicos podem ser comprometidos pela desidratação provocada pelas altas temperaturas em Tóquio, palco dos Jogos Olímpicos, entre 23 de julho e 08 de gosto, sendo essa uma das preocupações da nutricionista da missão lusa.

Em entrevista à agência Lusa, a nutricionista da Missão de Portugal, Cláudia Minderico, revelou que uma das suas principais ocupações na capital japonesa vai ser desenvolver estratégias para ajudar os atletas a recuperarem deste desequilíbrio.

"Uma das questões mais prementes em Tóquio é a desidratação, que vamos ter controlar, devido às temperaturas elevadas. Só depois da aterragem e deslocação até ao local da Aldeia Olímpica, podem acontecer níveis de desidratação que rondam os 8%. Isso tem impacto no rendimento e é algo que temos de minimizar. Para isso, vamos estar constantemente a fazer a avaliação deste parâmetro. Vai ser um grande desafio", admitiu a especialista, que pela primeira vez vai integrar a missão olímpica.

Quanto à alimentação que os atletas vão fazer durante a competição, Cláudia Minderico explicou que nessa fase apenas se farão "pequenos ajustes".

"Em vésperas de provas não se experimentam alimentos novos, não se fazem alterações às rotinas, mas há sempre questões com que temos de lidar. Depois, em função dos níveis de ansiedade e stress, vamos ter de ir adaptando a alimentação, sempre com alimentos que são familiares ao atleta. O segredo é testar todas as possibilidades que temos para na altura atuarmos eficazmente", sublinhou.

Outra preocupação da nutrição em período competitivo é o que os atletas vão ter ao seu dispor. O Japão tem tradições e uma cultura muito distintas da ocidental, mas a especialista assegurou que tudo foi antecipado e que os atletas terão no prato as refeições a que estão habituados.

"Já sabemos de antemão o que vamos ter disponível na Aldeia Olímpica, quais serão as refeições quentes, as refeições rápidas, os alimentos nas zonas de competição, e todos os alimentos que a organização disponibiliza dentro da casa portuguesa. Levamos um contentor cheio de comida e são os alimentos que eles consomem aqui e que são também os seus pedidos diretos. Está tudo programado e a organização do Comité Olímpico Internacional disponibilizou todos os alimentos que fomos sugerindo. Vamos ter uma alimentação absolutamente internacional", assegurou Cláudia Minderico.

Mesmo tendo no menu tudo aquilo que os atletas precisam e estão habituados, a nutricionista lembrou que cada atleta e modalidade têm necessidades especificas que têm de ser adereçadas.

Embora com algumas particularidades, Cláudia Minderico realçou que tudo se pode resumir na necessidade de os atletas partirem para a competição com os níveis de energia no máximo.

"Quando chegamos aos Jogos, rendimento é sinónimo de hidratos de carbono. O que temos de fazer é carregar o organismo dos atletas com hidratos de carbono, com alimentos que contenham hidratos e proteína de qualidade, que forneçam energia durante os períodos de esforço. Se se tratar de um atleta que compete várias vezes, como no judo, temos de programar de forma a que a recuperação seja eficaz para o atleta voltar a competir. Nos casos de uma só prova, como uma maratona, isso não nos preocupa e depois da prova o atleta tem liberdade para desfrutar da alimentação e do resultado", conclui a especialista.

Os Jogos Olímpicos Tóquio 2020, adiados em um ano devido à pandemia de Covid-19, vão ser disputados entre sexta-feira e 08 de agosto.

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