Um ano na Juventus: o pior Ronaldo dos últimos dez anos?

Completa-se esta terça-feira um ano sobre a apresentação de Cristiano Ronaldo como jogador da Juventus. O português cumpriu os mínimos (foi campeão de Itália, o que lhe garantiu um registo histórico único), mas ficou muito longe daquilo que fez no Real Madrid entre 2009 e 2018, nomeadamente em termos de golos.

Com Ronaldo, a Juventus de Turim assegurou o seu oitavo título italiano consecutivo , permitindo que o madeirense se tornasse o primeiro jogador a ser campeão nas três ligas mais importantes do futebol europeu (Itália, Espanha e Inglaterra).

No entanto, em termos coletivos, os objetivos de Ronaldo não foram realmente cumpridos, já que falhou a sua meta principal: a conquista da Liga dos Campeões. Ao mesmo tempo, o registo goleador de CR7 foi o pior das últimas temporadas.

Primeira Champions perdida em quatro temporadas

Começando pela Liga dos Campeões, a prova milionária já passou de objetivo prioritário a quase obsessão para a Juventus (não vence a competição desde 1996) e essa foi a principal razão para a contratação de Cristiano Ronaldo ao Real Madrid, uma vez que o português é um dos maiores especialistas de sempre desta competição. De resto, a Juventus é a campeã das finais perdidas na Taça/Liga dos Campeões, sete (1973, 1983, 1997, 1998, 2003, 2015 e 2017), contra somente duas ganhas (1984 e 1996).

Ronaldo queria vencer a sua sexta Liga dos Campeões - igualando o único jogador a consegui-lo, o espanhol Paco Gento, do Real Madrid (em 1966) -, o que lhe garantiria também, com certeza, a sexta Bola de Ouro, ultrapassando Messi e tornando-se recordista também neste particular. Ora recorde-se que ao serviço do Real, CR7 conquistou quatro Champions, das quais três consecutivas (exatamente nas últimas três temporadas com a camisola blanca).

Ainda para mais, CR7 até fez a sua parte, marcando todos os cinco golos que a Juventus apontou nos quartos e nas meias-finais da Champions: os três golos que permitiram a reviravolta frente ao Atlético de Madrid nos quartos e os dois frente ao Ajax, um em cada jogo, nas meias-finais. Mas não chegou.

Pior registo goleador dos últimos 10 anos

Igualmente muito distante ficou o objetivo de Ronaldo bater o recorde de golos apontados na liga italiana numa temporada, pertencente a Gonzalo Higuain (36 golos marcados pelo Nápoles, em 2015/16). No entanto, esta meta seria sempre muito difícil de alcançar dada a grande dificuldade em marcar na Série A (não é por acaso que nos últimos 50 anos apenas por duas vezes o "artilheiro" da liga transalpina passou os 30 golos) e ainda a gestão de esforço que Ronaldo tem posto em prática, também na Juventus, nos últimos anos. O madeirense participou em 31 dos 38 encontros do campeonato italiano, tendo apontado 21 golos.

O português não conseguiu sequer ser o principal goleador da prova (e tornar-se assim o primeiro a ser melhor marcador das três grandes ligas atrás referidas). Ora ao serviço do Real Madrid, fora três vezes o melhor marcador da liga espanhola e outras tantas vezes vencedor da Bota de Ouro, prémio para o melhor marcador das ligas europeias.

Viu assim Messi afastar-se na luta pelo maior número de Botas de Ouro, uma vez que o argentino apontou 34 golos na liga espanhola, garantindo a sua sexta Bota de Ouro.

Deve aliás dizer-se que, no conjunto dos jogos da temporada de clubes, Ronaldo apontou somente 28 golos, o seu pior registo desde 2008/09, quando marcou 26 vezes ao serviço do Manchester United. Já no Real Madrid, nunca baixou dos 30 tentos por temporada, sendo que só em 2009-10 (quando apontou 33), é que ficou abaixo dos 40 golos. Na equipa espanhola conseguiu seis temporadas com mais de 50 golos e somente em duas épocas ficou na casa dos 40.

O mesmo aconteceu na Liga dos Campeões 2018/19, na qual Ronaldo apontou apenas seis golos: desde a edição 2010/11 que não baixava dos dois dígitos, sempre ao serviço do Real Madrid.

Fica a consolação para o português desta ter sido a sua melhor temporada de sempre em termos de assistências, demonstrando estar a evoluir de forma constante enquanto jogador de equipa. Realizou 11 assistências na liga italiana, que lhe permitiram assumir-se como o segundo jogador mais influente da prova (atrás de Fabio Quagliarella, da Sampdoria, que foi igualmente o melhor marcador da competição), com participação decisiva em 32 golos da Juventus na Série A (36% do total da equipa).

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