Um dragão em tarde de bruxas

O dragão colocou três ciclistas na perseguição à fuga. Uma prova de força na Serra do Larouco, numa subida íngreme, que assusta logo após a primeira curva, porque a linha do horizonte parece ficar desenhada numa diagonal alongada, que segue a estrada que vai dar ao cabeço da serra. E neste dia era possível ver o cimo. Menos mal.

Diz-se em Montalegre que a última sexta-feira 13 do ano é dia de sorte e por isso também de festa. Luís Pedreira confirma-o mal vê passar os ciclistas. Montealegrense, festivo por isso, explica, veste um traje que destoa no verão quente barrosão. Tem um longo fato negro, preenchido por fitas brancas que simulam um esqueleto. No rosto, troca a máscara de proteção pandémica por uma de caveira - ou de uma figura de filme de terror série B.

A música que alegra o centro da vila só tocou à passagem das camisolas coloridas. À saída de Montalegre, na primeira subida que conduz à aldeia do sopé da serra, Padornelos, os ciclistas avistam o que têm pela frente na longa e escarpada subida até ao alto da Serra do Larouco. Por esse caminho íngreme, onde só passa um carro de cada vez, há bandeiras de Portugal e Espanha, e a Movistar deixa de ser apenas uma equipa de ciclismo para passar a estar presente em todas as telecomunicações, mais difíceis a cada metro que passa.

Nos corredores da volta contam-se histórias da última passagem por aquele alto. A chuva intensa que coroou a vitória de Luís Gomes em 2019 ficou para trás. Com uma pandemia pelo caminho, a vitória de Kyle Murphy - ainda sem aparar a barba desde a primeira etapa conquistada em Castelo Branco -, foi apenas antecâmara para a discussão que vinha metros atrás.

As camisolas azuis dominaram nos últimos quilómetros de perseguição à fuga. Com o relógio a contar contra Rafael Reis (Efapel), Amaro Antunes, Joni Brandão, João Rodrigues e Ricardo Vilela carregaram o ataque dos dragões estrada acima. A amarela regressa ao corpo de Amaro Antunes, ele, dragão, que já vestiu a dourada em Lisboa, como sinal de vitória na edição do ano passado da Volta, em formato especial por causa da pandemia - um formato mais curto, sem Serra do Larouco.

Amaro Antunes quer experimentar por isso a festa rija de consagração. E talvez não precise de regressar a Montalegre numa sexta-feira 13, numa que seja a última do ano, para voltar a vestir de amarelo. Nova romaria no sábado até à Senhora da Graça. Depois, Viseu.

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