Universidade do Algarve leva deficientes a praticar desportos náuticos

Cerca de 120 pessoas fizeram canoagem, vela, padle, bodyboard e surf. " Um espetáculo", dizem algumas.

Primeiro é preciso que toda a gente se equipe." Vamos vestir os coletes", diz o monitor. Depois surge uma pergunta essencial: " Toda a gente sabe nadar?", questiona. Uns sabem, outros não, mas pouco importa. Está ali muita gente, muitos voluntários que irão ajudar a colocar pessoas com deficiência a fazer desportos náuticos.

Hoje o dia tem sol, e é uma jornada muito especial para cerca de 120 a 140 utentes, de várias associações do Algarve. Desde há 4 anos que o curso de Desporto da Universidade do Algarve organiza esta iniciativa.

Elsa Pereira, coordenadora do curso, lembra que, no primeiro ano, começaram apenas com cerca de 30 utentes, e, nesta altura, já é difícil aceitar toda a gente que quer participar.

O Centro Náutico da Praia de Faro é outra das entidades organizadoras, e, durante a jornada na Ria Formosa, pessoas com deficiência física ou cognitiva experimentam diferentes desportos. "Podem fazer padle, canoagem, vela, bodyboard e surf. Há 5 modalidades", esclarece a professora Elsa.

Para conseguir organizar tudo, há vários clubes e muitas empresas que se associam a este evento. Os alunos da Universidade do Algarve são voluntários neste dia, e são eles que acompanham e apoiam os utentes.

Já no 4º. ano do curso, Filipe está a estagiar no Centro Náutico, e teve em mãos a organização do evento." Foi um pouco de trabalho, algumas noites sem dormir e stress", admite. Mas agora o estudante já está mais relaxado, depois de ver que está tudo a correr sobre rodas.

Diogo, aluno do 2º. ano do curso de Desporto, já o ano passado foi também voluntário. Conta que há pessoas que têm algum medo de entrar na água, mas há outros que, quando entram, já não querem sair e"é uma trabalheira" convencê-los a vir cá para fora.

Pela manhã, alguns utentes foram andar de barco, e, no final, a sua felicidade era enorme." Até agora um espetáculo", admite um jovem.

Paulo Dias, do Centro Náutico da Praia de Faro, acredita que vale a pena levar estas pessoas, algumas que nunca vão à praia, a participar nestas atividades. E desvaloriza todo o trabalho que dá organizar esta iniciativa." Se gostarmos daquilo que fazemos, é fácil, e dá-nos prazer ver estas pessoas dentro de água", afirma.

A professora Elsa Pereira garante que este dia é para replicar nos próximos anos e que é exequível levar pessoas com deficiência a fazer aquilo que se julgava impossível. "Acreditem que conseguimos fazer tudo com eles", conclui.

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