Vicente Moura diz que há "falta de vontade política" para investir no desporto escolar

O antigo presidente do Comité Olímpico de Portugal afirma à TSF que apenas 20% dos jovens pratica desporto na escola e faz um apelo ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

O antigo presidente do Comité Olímpico de Portugal considerou, esta quinta-feira, que há falta de vontade política em Portugal para apostar no desporto escolar. Em declarações à TSF, Vicente Moura defendeu que o desporto na escola devia ser obrigatório e lamentou a falta de investimento das últimas décadas.

"É falta de vontade política pós-democracia. Os antigos governos mostraram-se sempre incapazes, por motivos diversos, por não quererem investir dinheiro no desporto escolar, por insuficiência de instalações desportivas nas escolas", disse, admitindo que "há poucos atletas".

"Se nós vamos a algumas modalidades, por exemplo, o andebol, que fez um percurso brilhantíssimo nos Jogos Olímpicos, tem grandes dificuldades a encontrar jogadores portugueses", explicou.

Vicente Moura sublinhou que apenas 20% dos jovens pratica desporto na escola, o que é claramente insuficiente, e lembrou que assim é difícil conseguir encontrar atletas de alta competição com qualidade.

"Enquanto não tivermos, digamos, um milhão de jovens a praticar desporto nas escolas, não teremos desse milhão, provavelmente, cem mil que envereda pela alta competição e desses cem mil, dez mil com grande talento, e algumas centenas ou dezenas a representar nos Jogos Olímpicos e a ganhar medalhas como ganha a Holanda, a Bélgica ou a Hungria", exemplificou, reforçando que "há qualquer coisa que é preciso mexer e é o desporto escolar, neste momento".

Vicente Moura referiu, no entanto, que há "quem pense o contrário, que diz que não, que não será o local próprio, então que diga onde é que se vão buscar os jovens". "Se os jovens não praticam nos clubes, nem nas escolas, praticam desporto onde?", questionou.

O antigo presidente do Comité Olímpico deixou também um apelo ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

"O senhor ministro da Educação tem feito um bom trabalho, a escola tem melhorado, mas essa melhoria é nitidamente insuficiente e pedia-lhe por favor que olhe para o desporto escolar com olhos de ver e aposte verdadeiramente no desporto escolar e na prática desportiva dos jovens portugueses", rematou.

Avelino Azevedo, presidente do Conselho de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto, admite que o caminho a percorrer é longo.

"Existe claramente uma necessidade de abrangermos um maior número de alunos nesta situação do desporto escolar, no sentido de podermos ter mais alunos a praticarem e poderem surgir, porventura, mais estrelas no futuro do nosso desporto. É claro que o objetivo do desporto escolar não é esse, é dar atividade física de uma forma regular e complementar. É muitas vezes que não conseguem fazer essa atividade física de forma regular que surgem alguns campeões", explicou à TSF Avelino Azevedo.

Para o responsável, começar o desporto mais cedo na escola é uma das principais medidas a tomar.

"Há necessidade de aumentar o horário da variante do desporto escolar, ou seja, haver mais professores a trabalhar mais horas com os alunos. Há aqui um dado fundamental: a educação física no primeiro ciclo, em Portugal, tem muita dificuldade em implementar-se. Há mesmo quem diga que a educação física no primeiro ciclo não existe apesar de na parte curricular estarem previstas cinco horas para serem divididas por três disciplinas e que obriga a pelo menos uma hora semanal de educação física", acrescentou o presidente do Conselho de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto.

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