"Não podia estar mais feliz com essa iniciativa..."
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Volta a Portugal no feminino. "Precisamos de trazer mais meninas para o ciclismo, e mais apoios"

Há já muito tempo o ciclismo feminino queria ter uma Volta a Portugal. O desejo é realizado esta quinta-feira, com o arranque da primeira edição com mulheres. Para já serão apenas quatro etapas e mais de 250 km, mas o percurso até este ponto foi longo. A edição feminina surge um século depois de os homens se terem estreado nesta competição.

Uma das protagonistas desta edição inaugural é a campeã nacional do escalão júnior. Apesar de nervosa, Beatriz Pereira diz-se preparada para as primeiras pedaladas. "Sinto que estou num bom momento de forma, mas a Volta a Portugal ainda é um bocadinho uma incógnita porque nunca tive um tipo de prova quatro dias seguidos, e, portanto, não sei como o meu corpo vai responder", admite a atleta, que compreende a importância desta prova. "Não podia estar mais feliz com essa iniciativa..."

Beatriz Pereira tem esperança de que esta competição ajude a chamar as atenções para o desporto no feminino. "Creio que é uma maneira de divulgar o ciclismo feminino, para trazer mais meninas para o ciclismo, trazer mais patrocinadores e mais apoios, que nós precisamos. Creio que a Volta a Portugal, se continuar a ser feita, tem tudo para se tornar uma corrida importante no calendário internacional."

Para já ainda não está garantida uma segunda Volta a Portugal para mulheres. Beatriz Pereira reconhece que se encara esta modalidade ainda como um desporto para homens, mas também frisa que o vento da mudança começa a chegar. "Temos cada vez mais atletas a correr no estrangeiro, como a Maria Martins, como a Raquel Queirós, a ter lugares de relevo, como a Daniela Campos, e isso faz com que o ciclismo cresça e as meninas mais novas comecem a sonhar que é de facto possível ter uma carreira no ciclismo", sublinha.

A campeã nacional no escalão júnior apela a que a presença de público se faça sentir, porque, tal como os ciclistas homens, também as mulheres precisam dessa força. "Sem dúvida nenhuma, torna as corridas mais fáceis", muitas vezes, no momento de maior sofrimento, conta Beatriz Pereira. É um apoio acolhido com gratidão pelas participantes e que será também seguro para os espetadores, desde que as pessoas mantenham o distanciamento social e cumpram as regras de segurança sanitária, lembra a ciclista. "Agradecia que viessem à estrada apoiar-nos, porque nos sentimos lisonjeadas com isso."

A Volta arranca nesta quinta-feira, a partir de Almada, no distrito de Lisboa, e termina no domingo, com quatro etapas para um pelotão de 14 equipas, entre formações portuguesas, espanholas e britânicas.

Ao todo, são 85 ciclistas, de nove nacionalidades diferentes, com o dorsal número um a pertencer à veterana Celina Carpinteiro (5Quinas-Albufeira-CDASJ), antiga campeã nacional em várias vertentes.

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