70% dos empresários dizem que sucesso depende das ligações políticas

Inquérito europeu revela que corrupção é um problema crescente para os empresários portugueses que são dos que mais destacam os impactos negativos destes crimes nos negócios.

Setenta por cento dos empresários portugueses acreditam que só quem tem ligações políticas consegue ter sucesso nos negócios. O número está num relatório da União Europeia sobre "As atitudes das empresas perante a corrupção".

O inquérito feito no final de 2017 pelo Eurobarómetro da Comissão Europeia mostra que 58% das empresas portuguesas dizem que a corrupção é um problema nos negócios que fazem, mais 9 pontos percentuais que num inquérito idêntico feito há dois anos. Perto de 86% argumentam ainda que a corrupção está generalizada no país.

O problema da corrupção em Portugal travará mesmo mais a economia e as empresas do que, por exemplo, as limitações das leis laborais, o acesso ao financiamento bancário, a falta de infraestruturas ou a burocracia.

A importância das ligações políticas

Há mesmo 70% das empresas que dizem que em Portugal a única forma de ter sucesso nos negócios é ter ligações políticas, o número mais elevado da Europa com Portugal a ficar no topo ao lado da Roménia. Neste ponto, o resultado deste inquérito feito no final de 2017 representa mesmo uma subida de quatro pontos percentuais em relação há dois anos.

Para os empresários portugueses a forma mais comum de corrupção é o favorecimento de amigos ou familiares em instituições públicas, prática que para 59% dos homens de negócios está generalizada em Portugal, o valor mais alto da União Europeia e a subir nos últimos dois anos (+4 pontos percentuais).

Setenta e um por cento dos empresários nacionais detetam pelo menos três ou mais práticas de corrupção generalizadas no país.

Contratos públicos à medida

Um dos pontos focados neste inquérito passa pela avaliação dos empresários sobre a forma como o Estado decide a contratação pública, com muitos a encontrarem vários problemas a este nível.

O principal problema são os concursos públicos à medida de certas empresas, algo que para 74% é um fenómeno comum, o terceiro resultado mais elevado da Europa. Quase o mesmo número de empresários argumentam que os critérios de seleção dos vencedores destes concursos são pouco claros e há com frequência conflitos de interesses de quem avalia.

Perto de 21% das empresas dizem mesmo que nos últimos 3 anos perderam um concurso público devido à corrupção.

Do outro lado, Portugal apresenta dos valores mais baixos nos níveis de receio de ser apanhado numa prática corrupta: apenas 35% dos empresários acreditam que quem cometer esse tipo de crime é apanhado pela justiça.

Números revelam importância dos contactos informais

Luís de Sousa, cientista político que tem estudado o fenómeno da corrupção em Portugal, não fica surpreendido com os resultados para Portugal presentes neste inquérito europeu.

O investigador do Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa argumenta que Portugal e o poder político têm feito algo para combater a corrupção, mas este inquérito europeu revela que pouco se fez para atacar os problemas estruturais que facilitam este tipo de crime.

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