A jangada de sol

É pioneiro: A EDP testa produção de energia solar em central flutuante numa barragem.

A EDP Produção inaugurou, esta tarde, a nova Central Solar Fotovoltaica Flutuante, um projeto pioneiro a nível europeu que está em fase de testes na albufeira da barragem do Alto Rabagão, em Montalegre.

Esta plataforma custou perto de meio milhão de euros, tem um prazo de vida útil de 25 anos e uma produção anual estimada de 300 Mwh (mega wats hora), suficiente para abastecer 100 famílias.

Mais de 800 painéis fotovoltáicos formam este bloco flutuante de 2500 m2 que começou a produzir energia em novembro do ano passado, a partir do espelho de água da barragem do Alto Rabagão.

"O conceito novo é a hibridização da energia solar com a energia hídrica. Temos aqui uma complementaridade que é óbvia, ou seja, quando temos mais sol temos produção fotovoltáica, quando temos mais água temos mais produção hídrica. O que fazemos é combinar estas circunstâncias para poder escoar no mesmo ponto de ligação as duas energias", explicou Miguel Patena, responsável da área de inovação da EDP Produção.

Os resultados dos primeiros seis meses de testes, acrescentou, demonstram já vantagens ambientais e económicas: "O efeito da água e do vento provoca um arrefecimento dos painéis e aumenta o rendimento [produção de energia] e, assim, verificamos um fenómeno inverso quando comparamos com as soluções [fotovoltáicas] em terra, além de outras vantagens adicionais".

A Central Solar Flutuante hoje inaugurada na barragem do Alto Rabagão é a única plataforma solar flutuante na europa instalada em albufeiras, sujeita a ventos e oscilações de profundidade, e recorre a uma tecnologia pioneira de amarração da estrutura ao leito do rio. "Foi uma empresa islandesa de três pessoas que inventaram um robô tripulado que vai ao fundo da albufeira e faz essa ancoragem, sem necessidade de mergulhadores, que seria muito complicado em profundidades superiores a 50 metros, como neste caso", sublinhou Miguel Patena.

Se a fase piloto, que termina em novembro próximo, doze meses decorridos desde o início dos testes, esta nova solução poderá vir a ser replicada noutras barragens portuguesas e até mesmo exportada para outros mercados.

"Naturalmente, vamos pensar no Brasil como uma das hipóteses. Estamos neste momento a analisar se o contexto regulatório permite este tipo de instalações", revelou Rui Teixeira,presidente da EDP Produção.

Presente na inauguração, o Secretário de Estado Ambiente, Carlos Martins, elogiou o projeto, que resulta de uma parceria entre a EDP Produção, a EDP Renováveis e a EDP Comercia, considerando tratar-se de uma iniciativa importante para a descarbonização da economia: "Vale pela inovação mas também por estar muito alinhado com as políticas com que Portugal se comprometeu desde a primeira hora com o Acordo de Paris, de chegarmos a 2050 com energias renováveis, eliminado as nossas referências históricas para que haja uma mudança de paradigma", disse o governante.

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