Abrandamento da economia pode levar a queda do preço das casas

Banco de Portugal afirma que desaceleração da economia pode levar a quebras de receitas no turismo e alojamento local, levando a aumento de vendas e baixa de preços.

Em 2017, 80% do investimento no mercado imobiliário comercial foi feito por estrangeiros, sobretudo fundos. O Banco de Portugal (BdP) nota que "após uma queda acentuada no período 2007-2013, os preços do imobiliário comercial apresentam sinais de alguma recuperação, mas de forma mais contida do que no segmento residencial", onde o aumento dos preços "tem sido particularmente forte", e no qual, na segunda metade de 2017, "começaram a surgir alguns sinais, embora muito limitados, de sobrevalorização".

O regulador alerta que "embora os bancos portugueses não sejam os principais dinamizadores do mercado imobiliário, um eventual decréscimo acentuado de preços neste mercado teria efeitos negativos sobre o setor bancário, condicionando a venda dos imóveis detidos pelas instituições de crédito, e dificultando a diminuição dos NPL associados a crédito garantido por imóveis".

O alerta é justificado por números: em 2017 o mercado imobiliário representou, de forma direta e indireta, 38% do ativo total do setor (era 40% em 2016).

O Banco de Portugal considera no entanto que "não existe evidência que o crédito bancário interno seja o determinante fundamental do aumento dos preços no mercado imobiliário em Portugal".

Os autores do relatório deixam ainda um aviso: o abrandamento da atividade económica, "em particular a redução do rendimento motivada pela quebra de receitas associadas ao turismo e à dinâmica do alojamento local" pode levar a "dificuldades dos mutuários no cumprimento do serviço da dívida, e, numa segunda fase, a vendas de ativos imobiliários e consequente efeito na correção em baixa de preços".

Crédito mal parado cai nove mil milhões mas continua alto

Em 2016 e 2017 o crédito mal parado (Non-Performing Loans ou NPL) caiu 13,5 mil milhões de euros, e a maior parte dessa queda ocorreu no ano passado: foram 9 mil milhões de redução dos créditos sem desempenho.

O número consta do último relatório de estabilidade financeira do Banco de Portugal que sublinha a melhoria, de vários outros critérios, da saúde das instituições financeiras nacionais: a rendibilidade (refletindo um menor valor de provisões e de novas imparidades), a eficiência operacional (mostrando um aumento do resultado operacional superior ao dos custos), e os rácios de capital, que melhoraram após um crescimento dos fundos próprios, incluindo os aumentos de capital verificados nalgumas das principais marcas bancárias.

O BdP alerta ainda assim para as vulnerabilidades que continuam a afetar os bancos: a rendibilidade, apesar do aumento, continua baixa; o crédito mal parado continua elevado; e a elevada exposição à dívida pública e ao imobiliário tornam o setor "particularmente sensível a evoluções desfavoráveis nos preços destes ativos".

O regulador sustenta, por isso, que "é necessário prosseguir a estratégia de redução de ativos não produtivos" e argumenta que "o atual enquadramento deve ser encarado pelas instituições como uma oportunidade para continuarem a realizar ajustamentos estruturais, sobretudo nos custos operacionais"

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